X-Men ’97 traz de volta poder esquecido da Vampira

Andre Luiz

X-Men ’97 é um dos títulos mais surpreendentes da Marvel e claramente conversa com os fãs mais dedicados dos mutantes. Um exemplo disso é um momento da Vampira no oitavo episódio da segunda temporada, onde uma habilidade dela esquecida por muita gente é trazida de volta à ação.

O que acontece na cena

O episódio abre com a Vampira tendo uma visão perturbadora. Ela enxerga indícios de que Gambit está vivo e chega a vislumbrar o novo rosto dele. Trata-se de uma visão precognitiva. Esse tipo de habilidade costuma ser associado a Destino, figura materna adotiva da personagem, ou a Psylocke.

A surpresa é que Vampira tem motivo legítimo para enxergar o futuro. A explicação está enterrada em décadas de quadrinhos.

De onde vem esse poder

Tudo remonta ao primeiro encontro com Carol Danvers. Naquela ocasião, Vampira absorveu permanentemente as habilidades dela, e é daí que vêm a força descomunal e o voo. O detalhe importante está na versão original da heroína. Antes de virar a Capitã Marvel, ela atuava como Ms. Marvel, com poderes bem mais físicos.

Vale lembrar a trajetória completa dela. A personagem estreou nos anos 1960, passou por identidades como Binária e só assumiu o posto de Capitã Marvel em 2012, conforme a popularidade nas revistas crescia.

O sétimo sentido

Aquela versão tinha uma habilidade peculiar. O chamado sétimo sentido começou de forma estranha, manifestando-se enquanto ela dormia e transformando-a em heroína sem que ela lembrasse depois. A capacidade evoluiu com o tempo. Ela virou uma espécie de sentido de perigo, comparável ao do Homem-Aranha, avisando quando alguém a mirava pelas costas.

Carol Danvers como Ms. Marvel nos quadrinhos – Reprodução/Marvel Comics

Chris Claremont deu outro uso àquilo. O roteirista transformou o sétimo sentido em recurso dramático, abrindo histórias com lampejos precognitivos que anunciavam ameaças indefinidas.

Vampira chegou a demonstrar a habilidade algumas vezes. Roteiristas posteriores, porém, simplesmente abandonaram o conceito. O esquecimento atingiu as duas personagens. Nem Carol Danvers voltou a usar aquilo depois de recuperar os próprios poderes, e a versão cinematográfica jamais mencionou o assunto.

O que a série faz com isso

A animação mantém a personagem no estágio antigo. Nos quadrinhos atuais, Vampira já controla plenamente a absorção por toque, mas na série o contato de pele segue sendo raridade. O uso da visão também é fiel ao método de Claremont. O sonho não é apenas algo que acontece com ela, e sim um chamado à ação diante da crise que se aproxima.

A situação de Gambit torna aquilo mais dramático. Ela reconhece a verdade sobre o retorno dele, mesmo lidando com a possibilidade sedutora de simplesmente ter Remy LeBeau de volta.

X-Men ’97 é 100% acertos?

Para alguns, a série vem empolgando até demais. Há quem considere a animação como a melhor adaptação dos mutantes já feita, mas ainda há problemas, ainda que raros. A segunda temporada, por exemplo, parece sobrecarregada, com episódios fortes individualmente e narrativa geral um pouco desconexa.

Restam dois episódios para o segundo ano de X-Men ’97, com lançamento semanal no Disney+. A primeira temporada estreou com aprovação altíssima entre a crítica, feito que a atual vem sustentando.

Para quem quiser entender melhor a origem de Carol Danvers, também vale a revisão. As diferenças entre a versão dos quadrinhos e a do cinema são consideráveis e mudam até a forma como ela ganhou os poderes.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA