O DCU de James Gunn começou a “subir no telhado”?

Andre Luiz

Já se passaram quase quatro anos desde que James Gunn assumiu o comando conjunto da DC Studios ao lado de Peter Safran. Nesse período, a confiança de parte da base de fãs no novo DCU vem oscilando bastante. Existe risco real de o universo compartilhado perder força antes mesmo de atingir seu potencial máximo?

Escolha de personagens iniciais gera desconforto

O entusiasmo inicial com o anúncio de Gunn na liderança criativa esfriou quando o Capítulo Um, batizado Deuses e Monstros, revelou sua primeira leva de projetos. Produções como Comando das Criaturas e Waller geraram desconfiança. Isso aconteceu porque colocam personagens menos conhecidos em posição de destaque antes de nomes centrais da mitologia DC.

A situação é diferente da Marvel. A concorrência precisou apostar no relativamente desconhecido Tony Stark no início por restrições de direitos autorais na época. A DC Studios, por outro lado, detém controle total sobre seu catálogo e não enfrentaria essa mesma limitação.

Comando das Criaturas já havia sido confirmada como peça fundamental daquele cânone compartilhado. Isso aconteceu segundo declarações do próprio showrunner Dean Lorey sobre o cuidado meticuloso de Gunn com cada detalhe do roteiro.

Formato televisivo preocupa quanto à acessibilidade

Outro ponto de crítica envolve especificamente o uso de séries de televisão dentro da estratégia narrativa. Para muitos, nem Marvel nem DC conseguiram acertar completamente esse formato até hoje. Muitas produções frequentemente pareciam “dever de casa” obrigatório antes dos filmes principais.

A crítica se intensifica ao analisar Lanternas, considerada aposta arriscada. A série explora um dos personagens mais aguardados pelos fãs através de trama ambientada majoritariamente numa cidadezinha do interior americano, com visual propositalmente discreto para os protagonistas.

Lanternas
Lanternas – Divulgação / DC Studios

James Gunn já havia defendido publicamente essa abordagem conectada entre diferentes produções. Ele destacou como personagens como Rick Flag Sr. transitariam entre séries e longas-metragens de forma orgânica.

Excesso de personagens nos filmes também é questionado

Outra decisão questionada é a de incluir tantos personagens secundários logo no primeiro filme da nova era, Superman. Exemplos são a Mulher-Gavião, o Senhor Incrível e Guy Gardner, todos sem planos concretos de projetos solo para eles no curto prazo.

Esse acúmulo de personagens dificulta a construção de conexão emocional genuína com o público casual. Ele compara a situação a incluir Mulher-Hulk e Falcão logo no primeiro filme do Homem de Ferro.

Olhando para os fãs

Apesar de tudo isso, ainda é possível para o fã manter a esperança na trajetória do universo compartilhado. Eventualmente, Gunn precisará recorrer a personagens mais conhecidos como Batman e Mulher-Maravilha.

Esse momento deve renovar consideravelmente a expectativa geral. Até lá, porém, o estúdio precisa equilibrar melhor ambição criativa e as demandas do público mais casual da franquia.

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