Vilão do Batman se torna herói bondoso em reviravolta de HQ

Andre Luiz

Sem abrir mão da ação ou da tensão característica das histórias do Batman, a atual fase principal do herói nos quadrinhos vem explorando algo diferente: uma alternativa à violência e aos métodos clássicos que o Cavaleiro das Trevas costuma empregar para capturar supervilões.

Isso não significa que o herói de capa azul deixou de bater de frente com caminhões da TUCO. Ele também não deixou de trocar socos com a Ōjō quando necessário.

Uma coroa que trata em vez de punir

A atual fase de Batman, escrita por Matt Fraction, introduziu a Dra. Annika Zeller, que desenvolveu um dispositivo batizado de Coroa das Tempestades, capaz de ajudar ex-vilões a regular suas emoções e se reabilitar. Os frutos desse tratamento médico já apareceram de diversas formas na trama. Supostamente, até funcionou no próprio Coringa. Recentemente, ajudou um dos vilões a se tornar um super-herói completo logo no início do mais novo evento crossover da editora.

Killer Croc, o cãozinho triste e adorável

Há um ano, na primeira edição dessa fase contínua de Batman, o herói ativa suas manoplas eletrificadas. Ele se prepara para enfrentar Killer Croc, que está apenas dócil e ciente de que algo está errado consigo mesmo. Uma manifestação incorpórea de Alfred Pennyworth aparece e apela a Bruce, tecnicamente Bruce apelando para si mesmo, já que Alfred está morto.

O herói acaba sentindo empatia pelo antagonista escamoso. A doença mental e os infortúnios quase animalescos de Croc superam de longe seu real desejo de causar mal a alguém ou a alguma coisa.

Quando a Dra. Zeller se oferece para ajudar Waylon Jones, ele pergunta ao Batman quem vai ajudá-lo. O herói responde que sua cabeça está bem, que não precisa de ajuda, ao que Waylon apenas responde concordando, se assim ele preferir pensar.

reprodução/DC Comics

Agora, em Batman: Bad Seeds – Sunset #1, a história fecha um ciclo importante: Waylon salva o próprio Batman de uma vida vegetal hostil que quase o afoga nos esgotos sob Gotham City. Fica bastante claro que Waylon passou por uma recuperação impressionante.

O fato de ser justamente ele quem ajuda um Batman que costuma recusar qualquer tipo de auxílio é um desenvolvimento brilhante para o personagem. Isso, por si só, já torna o início desse evento crossover bastante especial, principalmente para quem acompanha Batman desde o primeiro número dessa fase.

reprodução/DC Comics

Futuro brilhante

Killer Croc pode se tornar um aliado valioso durante o evento Batman: Bad Seeds, embora ainda não se saiba se o veremos novamente tão cedo. Enquanto isso, não há como prever quais outros supervilões podem ser curados e reabilitados pelo tratamento milagroso da Dra. Zeller, a menos que algo dê muito errado no caminho. Sabemos, por exemplo, que o Coringa agora ouve vozes em sua mente, ou está sendo influenciado por alguém que prefere manter sua identidade em segredo.

Mesmo que a Coroa das Tempestades acabe se revelando falha ou até insidiosa em seu design, isso pouco importa. Waylon já demonstrava consciência de que estava machucando outras pessoas e de que algo não ia bem com sua cabeça. Isso mostra que ele já estava a caminho de virar a página como personagem dentro da mitologia mais ampla do Batman.

Com sorte, ele vai continuar sendo adorável e cativante por muito tempo. Vale lembrar que Gotham City segue repleta de vilões complexas passando por transformações parecidas. Um exemplo é a trajetória de Pamela Isley, a Hera Venenosa. Sua relação ambígua entre vilania e heroísmo já rendeu discussões parecidas entre os fãs, inclusive quando se fala do vínculo dela com outras figuras complicadas do submundo criminal de Gotham, como a própria Arlequina.

O evento Batman: Bad Seeds – Sunset #1 já está disponível nas bancas.

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