Previsão de Kojima sobre mídia física viraliza de novo

Vinicius Miranda

O criador de Metal Gear Solid alertou sobre o fim dos discos anos atrás. Agora, com a decisão da Sony, suas palavras voltaram a assombrar os fãs.

O lendário game designer Hideo Kojima, fundador da Kojima Productions, voltou a viralizar nas redes. Desta vez, o motivo é uma antiga previsão sua sobre o rumo que o mundo dos jogos digitais tomaria. Reconhecido como um dos maiores autores da indústria, Kojima comanda seu próprio estúdio desde 2015, embora a marca já existisse como subsidiária da Konami desde 2005. Agora, uma declaração feita há cerca de cinco anos ressurgiu com força total, justamente por conta das recentes movimentações do mercado sobre o fim da mídia física.

O profeta dos videogames ataca novamente

Embora Metal Gear Solid seja sua obra mais reconhecida, Kojima construiu uma carreira muito mais ampla. Seu lançamento recente de maior destaque foi Death Stranding, enquanto o misterioso jogo de terror OD desponta como sua próxima grande aposta.

Contudo, um dos traços que mais encantam os fãs é a capacidade quase profética de suas criações. Afinal, ele tem um histórico impressionante nesse quesito. Em Metal Gear Solid 2, por exemplo, o diretor já antecipava a disseminação de notícias falsas e as bolhas das redes sociais, muito antes de esses temas dominarem o debate público.

A previsão de Kojima sobre o fim dos discos

Lá em 2021, o criador japonês compartilhou reflexões que hoje soam extremamente atuais. Na época, ele demonstrou preocupação com um futuro em que o consumidor perderia o controle sobre aquilo que compra. Suas palavras foram diretas e um tanto sombrias.

Não conseguiremos acessar livremente os filmes, livros e músicas que amamos. Eu seria um despossuído. É disso que tenho medo. Isso não é ganância.

Vale um contexto importante. Na ocasião, os comentários de Kojima estavam mais ligados ao controle excessivo e à censura de mídia. No entanto, eles ganharam nova vida agora que a Sony anunciou o encerramento da produção de discos físicos. A mudança deve se concretizar por volta de 2028 e sinaliza o fim de um dos últimos redutos dos jogos em mídia física.

Um alerta que soava exagerado

Quando foram feitas, as falas do diretor poderiam parecer alarmistas ou dramáticas demais. Hoje, porém, elas fazem todo o sentido dentro do cenário contemporâneo, à medida que o controle da informação se torna cada vez mais presente no cotidiano.

Na verdade, a direção da indústria já estava clara mesmo em 2021. No PC, por exemplo, o modelo exclusivamente digital já era a norma havia muito tempo. Além disso, rumores sobre um Xbox totalmente digital circulavam desde a época do Xbox One.

Ainda mais preocupante, porém, é a primeira parte do comentário do diretor. Segundo ele, o problema vai além da simples transição para o digital.

Eventualmente, nem mesmo os dados digitais serão de posse dos indivíduos por iniciativa própria. Sempre que houver uma grande mudança ou acidente no mundo, o acesso a eles pode ser cortado de repente.

O próximo passo pode ser ainda mais radical

As reflexões de Kojima devem ser lidas, antes de tudo, no contexto do controle amplo da mídia. Mesmo assim, vale ter em mente que o modelo totalmente digital pode ser apenas mais uma etapa rumo a um cenário ainda mais complexo.

É possível, inclusive, que o próximo grande salto do mercado seja uma nova tentativa de emplacar o jogo em nuvem, o chamado cloud gaming. Curiosamente, os preços atuais do hardware para games tornam essa opção muito mais viável do que era na era do falecido serviço Stadia.

Os jogadores questionam se a nuvem é o futuro há bastante tempo. Contudo, a indústria simplesmente não estava pronta para isso até recentemente. Com o custo dos consoles disparando, fica mais fácil aceitar problemas como latência, perda de qualidade na compressão e a impossibilidade de personalizar ou modificar os jogos.

O que isso significa para o futuro dos games

Analisando o cenário, a fala de Kojima toca em uma ferida real do mercado moderno: a diferença entre comprar e apenas licenciar o acesso. No modelo físico, o jogador possui o disco e pode guardá-lo por décadas. Já no digital, ele adquire uma licença que pode ser revogada por diversos motivos, desde o fechamento de uma loja online até questões de direitos autorais.

Para os fãs, esse debate é delicado. De um lado, a comodidade do digital é inegável, com downloads instantâneos e sem a necessidade de espaço físico. De outro, existe uma perda concreta de controle sobre a própria coleção, o que reacende discussões sobre preservação de jogos antigos.

Para as gigantes do setor, por sua vez, a lógica é clara. O digital elimina custos de fabricação e distribuição, além de facilitar o rastreamento de vendas. Consequentemente, a previsão de Kojima pode soar ainda mais certeira caso a capacidade de processamento dos usuários seja, no futuro, transferida para data centers de fácil controle.

E você, ainda prefere ter seus jogos em mídia física ou já se rendeu ao digital? Conte para a gente nos comentários!

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