Marvel celebra 25 anos do “Mangaverse” com novas HQs

Vinicius Miranda

O estúdio retorna ao seu universo de heróis em estilo mangá com cinco edições especiais. A iniciativa revela o quanto a Casa das Ideias quer abraçar o público otaku.

A Marvel Comics vai voltar ao “Mangaverse” em setembro com um evento que celebra os 25 anos da linha de mangás da Marvel, lançada pela primeira vez em agosto de 2002. A editora preparou cinco one-shots interligados, lançados semanalmente, com versões de seus heróis inspiradas no mangá e no anime. Mais do que nostalgia, a escolha reflete uma estratégia clara: surfar na onda de popularidade dos quadrinhos japoneses. Afinal, o gênero domina as vendas no Ocidente, e a Marvel parece disposta a conquistar esse público de uma vez por todas.

Um evento de cinco semanas em setembro

O time criativo reúne nomes de peso. Entre eles estão Joe Kelly, Jack Kelly, Cody Ziglar, Ashley Allen, Alyssa Wong, Kenny Ruiz, Kei Zama, Mirka Andolfo e Michael YG. As capas principais ficam por conta do aclamado mangaká japonês Yuji Kaku, que ajudou a modernizar o visual do projeto.

O evento começa com “Web of Blood #1”, em 3 de setembro, e termina com “Web of Destiny #1”, em 30 de setembro. Essas duas edições formam uma história em duas partes, escrita pela dupla de pai e filho Joe e Jack Kelly. Entre elas, três aventuras independentes ampliam o universo: “Iron Knight #1”, “Arcane Avengers #1” e “Ghostlocke #1”.

Para Joe e Jack, o projeto tem um significado especial. O roteirista mais jovem fez questão de destacar a parceria com o pai.

Toda semana, eu e meu pai conversamos por horas sobre tudo o que acontece em nossos quadrinhos e mangás favoritos. Por isso, ter sido convidado para fazer isso pela Marvel é uma honra.

A história: Miles, Laura e Illyana contra a Fênix

Homem Aranha Miles Morales no Mangaverse – Divulgação / Marvel Comics

No centro da trama estão três personagens conhecidos. São eles o Homem-Aranha (Miles Morales), a Arma X-Tremis (Laura Kinney) e a Legião (Illyana Rasputin). Antes aliados, os três agora se dividem sobre como impedir um apocalipse profetizado, ligado ao retorno da Fênix.

O detalhe mais curioso está na proposta narrativa. Em vez de simplesmente revisitar o material antigo, a Marvel apresenta esse universo como se a linha jamais tivesse parado. Em outras palavras, é como se 25 anos de aventuras tivessem acontecido nos bastidores. O resultado é um cenário rico, repleto de história e mitologia próprias.

Por que a Marvel aposta no mangá

A iniciativa não acontece por acaso. Há anos, o mangá reina absoluto no mercado de quadrinhos do Ocidente. Os números deixam isso evidente.

Segundo levantamentos de mercado da Circana e da NielsenIQ, o mangá representou cerca de 57% de todas as vendas de graphic novels nos Estados Unidos em 2025. Para piorar a situação das HQs tradicionais, os dez títulos mais vendidos do ano foram todos japoneses. Enquanto isso, o gênero de super-heróis adultos ficou com uma fatia bem menor do bolo. Em resumo, gigantes como Marvel e DC vêm perdendo espaço para nomes como “One Piece” e “Jujutsu Kaisen”.

Diante desse cenário, faz todo sentido a editora investir em uma roupagem mais próxima do estilo japonês. Não se trata apenas de homenagem, mas também de uma jogada comercial inteligente.

De “Deadpool: Samurai” ao Ultimate: a caça por novos leitores

Deadpool: Samurai – Divulgação / Marvel Comics

Vale lembrar que essa não é a primeira investida da Marvel nesse território. A parceria com a editora japonesa Shueisha já rendeu sucessos expressivos. O maior deles é “Deadpool: Samurai”, que se tornou a obra mais lida da Marvel em 2021 e chegou a superar em visualizações até os quadrinhos mais vendidos da editora. Por aqui, nós já tínhamos comentado a chegada desse novo mangá do Mercenário Tagarela.

Esses crossovers misturam mundos de forma divertida. O próprio Deadpool já dividiu páginas com o All Might, de “My Hero Academia”, em batalhas contra vilões clássicos. Antes disso, o Homem-Aranha também ganhou uma versão japonesa com origem ligeiramente diferente.

Curiosamente, a lógica por trás do “Mangaverse” lembra outra estratégia recente. Assim como a linha Ultimate foi criada para atrair novos leitores sem o peso de décadas de continuidade, esse retorno ao estilo mangá pode servir como uma porta de entrada acessível. Não por acaso, a nova fase Ultimate de Jonathan Hickman virou um fenômeno, como destacamos na matéria sobre o primeiro ano da linha.

Por fim, fica a grande dúvida. Embora o evento seja comemorativo, nada impede que a Marvel dê continuidade a esse universo caso ele faça sucesso. A editora explicou que a essência do projeto vem justamente da paixão dos criadores pelo gênero, conforme resumiu a editora Lauren Amaro.

Todos os criadores que contribuem para esta celebração são grandes fãs de mangá, e muitos vêm de uma vivência internacional ou foram fortemente influenciados pelo gênero em suas próprias jornadas.

No fim das contas, o “Mangaverse” chega como uma carta de amor ao mangá e, ao mesmo tempo, como um teste de mercado. Se a aposta der certo, talvez essa volta seja apenas o começo de uma nova era para os heróis da Marvel em estilo japonês.

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