Os fãs de tokusatsu estão de luto. Faleceu nesta quinta-feira, 2 de julho, aos 64 anos, o ator e dublê japonês Hikaru Kurosaki, nome artístico de Seiki Kurosaki. Ele ficou eternizado no Brasil como o protagonista de Jaspion, o herói que conquistou crianças e adultos nos anos 1980.
A morte ocorreu em Okinawa, região onde o artista vivia havia décadas.
Como a morte foi confirmada
A confirmação partiu de Masaki Sekiguchi, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu, em Okinawa. Até o momento, os detalhes sobre a causa do falecimento não foram revelados. Da mesma forma, informações sobre as cerimônias de despedida ainda não foram divulgadas por autoridades ou parentes.
Em nota, a associação lamentou a perda e destacou o convívio de mais de 30 anos com Kurosaki na região. O comunicado ressaltou o apoio mútuo entre os profissionais do setor de mergulho, em uma época com pouquíssimas operadoras na área, e desejou que ele descanse em paz.
A trajetória antes do herói
Nascido em 31 de janeiro de 1962, em Sakai, na província de Osaka, Kurosaki começou no entretenimento em 1978. Ele atuava como dublê na lendária Japan Action Club (JAC), fundada por Sonny Chiba.
Antes de vestir a armadura do herói galáctico, aperfeiçoou suas habilidades marciais em produções da Toei Company.
Entre seus trabalhos anteriores estão títulos conhecidos dos fãs do gênero, como Battle Fever J, Denshi Sentai Denziman e Choudenshi Bioman. Foi em 1985, porém, que veio o papel que transformaria sua carreira. Como Jaspion, ele entregou uma atuação enérgica e carismática, ajudando a definir o padrão dos heróis do estilo.
Vale explicar que o tokusatsu é um gênero japonês de produções com efeitos especiais práticos, marcado por heróis uniformizados, monstros gigantes e robôs colossais. Jaspion se encaixa nessa tradição ao acompanhar um investigador espacial que combate o vilão Satan Goss e o monstro Giragilas, ao lado do robô gigante Daileon.
A fisicalidade exigida pelas cenas de ação era justamente a especialidade de Kurosaki.

Um fenômeno cultural no Brasil
Curiosamente, a série teve recepção apenas moderada no Japão. No Brasil, no entanto, virou uma verdadeira febre a partir do fim dos anos 1980, quando foi exibida pela extinta Rede Manchete. O sucesso foi tão grande que abriu caminho para dezenas de outras produções japonesas na televisão brasileira, como já lembrava o portal ao noticiar os planos de um remake nacional do clássico.
Graças a esse impacto, Kurosaki se consolidou como um dos artistas japoneses mais queridos entre os fãs brasileiros de tokusatsu. Seu legado dialoga com o de outros ídolos do gênero que também marcaram época, como aconteceu quando o portal noticiou a partida de Jason David Frank, eterno Power Ranger Verde.
Longe dos holofotes, o ator seguiu uma vida discreta: mudou-se para Okinawa ainda na virada dos anos 1990 e trabalhou por mais de três décadas como instrutor de mergulho. A notícia de sua morte reacende a nostalgia de toda uma geração que cresceu diante da TV, torcendo por ele.
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