Até um ex-designer da Naughty Dog já está cansado da onda de remasters do estúdio

Vinicius Miranda

A Naughty Dog é, sem dúvida, um dos estúdios mais respeitados da indústria — mas definitivamente não é conhecida por lançar jogos originais em ritmo acelerado. Intergalactic: The Heretic Prophet já está a caminho, porém sua estreia não deve acontecer antes de 2027, o que significa uma espera de mais de sete anos desde o lançamento de The Last of Us Part 2, o último grande título original do estúdio.

O ritmo lento de lançamentos originais

Enquanto isso, o que não faltou nesse período foi remaster. Além de The Last of Us ter recebido uma espécie de refazimento, The Last of Us Part 2 também ganhou uma versão remasterizada, mesmo já estando disponível normalmente em plataformas atuais.

A trilogia original de Uncharted também passou por um processo semelhante, assim como Uncharted 4 e Lost Legacy, ambos remasterizados em 2022. No momento, a Naughty Dog vive uma fase claramente mais voltada a relançamentos do que a projetos inéditos.

Até quem ajudou a criar Uncharted está cansado disso

Uncharted 4: A Thief’s End – Divulgação / Naughty Dog

Não é surpresa que boa parte dos fãs da Naughty Dog já esteja saturada com tantos remasters — e, segundo uma entrevista recente, esse sentimento também é compartilhado por dentro do próprio estúdio.

Em conversa com o site FRVR, o ex-designer de Uncharted Benson Russell afirmou não enxergar sentido em relançar jogos que já estão facilmente disponíveis, defendendo que a Naughty Dog deveria simplesmente investir em produções totalmente novas.

Por que, segundo ele, esses remasters não fazem sentido

Russell argumentou que Uncharted, como franquia, ainda segue relevante no imaginário dos jogadores, já existindo versões perfeitamente jogáveis em consoles atuais capazes de entregar a experiência completa da série.

Para ele, refazer esses jogos exigiria reescrever boa parte da narrativa para realmente melhorá-la, o que inevitavelmente alteraria o espírito original das histórias, mudaria cenas importantes e colocaria em risco a essência do que tornou o primeiro jogo especial.

Ele também questionou se, nesse processo, os grandes momentos icônicos da franquia conseguiriam ser mantidos intactos ou se acabariam sendo sacrificados em nome das mudanças.

A mesma lógica valeria para The Last of Us

Russell foi além, afirmando que pensa da mesma forma em relação a The Last of Us. Segundo ele, o caminho ideal para a Naughty Dog seria aproveitar apenas a essência dessas histórias já consagradas e usá-las como base para a criação de jogos genuinamente novos, em vez de investir tanto tempo e recursos em versões remasterizadas de títulos que os jogadores já conhecem bem.

Um ponto de vista bastante compreensível

A opinião de Russell é fácil de entender: embora remasters costumem ser uma forma eficiente de gerar receita nos intervalos entre grandes lançamentos, é raro ver um nível de repetição tão questionado — inclusive por quem já trabalhou diretamente nas franquias remasterizadas.

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