A contagem regressiva para o dia 20 de maio está deixando os fãs de The Boys à beira de um ataque de nervos (e não do jeito bom). Depois de uma quinta e última temporada marcada por episódios de ritmo questionável, desvios bizarros e um foco excessivo em preparar o terreno para o spin-off Vought Rising, a série do Prime Video se colocou em um beco sem saída: resolver uma montanha de tramas complexas em um único episódio de apenas 65 minutos.
A desconfiança não vem do nada; o próprio elenco parece sinalizar que as coisas saíram dos trilhos. Com curtidas suspeitas de Karl Urban (Bruto) em críticas pesadas à temporada e Antony Starr (Capitão Pátria) interagindo com posts sobre “ver seu programa favorito ser arruinado”, o sinal de alerta foi ligado.
Abaixo, dissecamos todas as bombas-relógio que o season finale precisa desarmar em pouco mais de uma hora.
O sumiço de Ryan e o comercial do Soldier Boy

O arco de Ryan foi um dos pilares emocionais da série, mas perdeu completamente a tração nesta reta final. Após o choque de matar Grace Mallory, o garoto foi jogado para escanteio, reduzido a interações aleatórias por mensagem e a levar surras gratuitas. O constante “vai e vem” com o Capitão Pátria e Bruto saturou, e as prévias do episódio final mostram uma nova visita à velha cabana da segunda temporada. Com tão pouco tempo restante, é difícil imaginar que o desfecho de Ryan tenha o peso dramático que o personagem merecia.
Enquanto faltou tempo para o núcleo principal, sobrou espaço para o marketing. O retorno de Soldier Boy (Jensen Ackles) funcionou quase que exclusivamente como um panfleto comercial para Vought Rising. O herói foi recongelado sem cerimônias, tirando o espaço de tela de membros vitais do grupo, como o Leitinho, cujo intérprete, Laz Alonso, chegou a endossar as reclamações dos fãs sobre o escanteio sofrido pelos protagonistas originais.
O Profundo e o exército fantasma da Luz Estrela

O Profundo passou cinco temporadas sendo a paródia mais escrota da televisão, mas o roteiro escolheu mantê-lo vivo enquanto despachava personagens como Espoleta. Agora, imagens vazadas revelam que ele enfrentará a Luz Estrela em plena Casa Branca.
A treta promete ser sangrenta, mas escancara a fragilidade da jornada de Annie nesta temporada. Vendida como a líder de uma revolução civil contra o fascismo da Vought, a Luz Estrela passou os últimos episódios apagada, dividida entre traumas familiares rasos e dúvidas amorosas com Hughie. O prometido “exército de Luz Estrelistas” nunca marchou de verdade, tornando qualquer virada épica no último episódio terrivelmente apressada.
A desestruturação dos The Boys e o desperdício de Gen V

O grupo de vigilantes que dá nome à série chega ao final fragmentado e sem peso emocional. As inconsistências de roteiro gritam: a superaudição do Capitão Pátria funciona perfeitamente para encurralar o Francês, mas falhou convenientemente em episódios anteriores no Hospital Fort Harmony. Além disso, a morte emocionante do Francês contrasta com a apatia do grupo, que aceitou o retorno de um Bruto psicótico — que acabou de partir a própria Neumann ao meio — como se nada tivesse acontecido. Kimiko foi descaracterizada e o protagonismo histórico de Hughie foi diluído em subtramas irrelevantes.
Para piorar, a fusão com o elenco de Gen V parece um enorme desperdício de potencial após o cancelamento do spin-off. Marie Moreau e sua turma passaram a temporada inteira nas sombras para, no penúltimo episódio, fazerem uma espionagem básica na Vought que desafia a lógica dos supers psíquicos do local. Reduzir Marie, uma das personagens mais poderosas da franquia, a uma mera linha de suporte para a Luz Estrela é um balde de água fria. A menos que ela apareça para explodir o Composto V das veias do Capitão Pátria, sua introdução terá sido em vão.
Bruto vs. Capitão Pátria: Duas HQs em 65 minutos?

O nó mais difícil de desatar está no confronto final. Os teasers mostram Bruto com o vírus, decretando o fim da era dos supers. Nos quadrinhos, a morte do Capitão Pátria ocorre na lendária edição #65, enquanto o embate ideológico (e físico) definitivo entre Bruto e Hughie só se resolve na edição #71.
Tentar espremer esses dois arcos monumentais, resolver o destino da Vought, de Mana Sage, Stan Edgar e Ashley em pouco mais de uma hora é uma missão quase impossível. O roteiro inevitavelmente terá que cortar caminhos, o que significa que elementos fundamentais como o Vírus ou a evolução de Marie serão atropelados.
The Boys nos ensinou a amar o caos, mas desta vez, o caos nos bastidores e na montagem pode cobrar um preço alto demais.
Você acredita que Eric Kripke vai conseguir operar um milagre nesses 65 minutos ou a série vai direto para o topo da lista de finais decepcionantes ao lado de Game of Thrones?



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