Roteirista de Mortal Kombat 2 esclarece destino de Cole Young

Andre Luiz

A chegada de Mortal Kombat 2 aos cinemas trouxe mudanças importantes para a franquia baseada nos jogos da NetherRealm Studios. Entre os momentos que mais repercutiram entre os fãs está a morte de Cole Young, personagem interpretado por Lewis Tan e protagonista do primeiro longa lançado em 2021.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o roteirista do filme, Jeremy Slater, comentou a decisão criativa, explicou a escolha de focar em personagens clássicos dos games, como Johnny Cage e Kitana, e ainda indicou que alguns personagens mortos podem retornar em futuras sequências.

Roteirista comenta morte de Cole Young em Mortal Kombat 2

Desde o lançamento do primeiro filme, parte do público questionava a decisão de introduzir Cole Young, um personagem original criado exclusivamente para os cinemas, em vez de utilizar lutadores já conhecidos dos jogos.

Questionado sobre a morte precoce do personagem em Mortal Kombat 2, o roteirista afirmou que a produção buscou valorizar os elementos que funcionaram melhor no primeiro longa.

Segundo ele:

“Minha resposta geral para todos os personagens que infelizmente tive que matar neste filme é que eu realmente amo esses personagens e os atores que deram vida a eles.”

O profissional também destacou o retorno de Kano, interpretado por Josh Lawson, apontando o personagem como um dos destaques do filme anterior:

“Um dos meus pré-requisitos para aceitar o trabalho foi garantir que eu pudesse trazer Josh Lawson de volta à vida como Kano, porque ele foi, de longe, meu elemento favorito do primeiro filme.”

Slater acrescentou:

“Achei que ele realmente entendeu a proposta e acertou perfeitamente o tom do que esses filmes poderiam e deveriam ser.”

Franquia pode trazer personagens mortos de volta

Durante a entrevista, o roteirista reforçou que a morte não é definitiva dentro do universo de Mortal Kombat, algo já tradicional nos jogos.

De acordo com ele:

“Por mais doloroso que seja me despedir de alguns desses personagens, a grande vantagem de Mortal Kombat como franquia é que a morte nunca é definitiva, como vemos neste filme.”

O responsável pelo roteiro ainda confirmou que existem planos futuros para personagens falecidos, caso a franquia continue nos cinemas:

“Temos grandes planos para alguns dos personagens [mortos] e alguns de seus atores, caso tenhamos sorte o suficiente para fazer um Mortal Kombat 3, 4, 5 ou quantos conseguirmos.”

Além disso, Jeremy afirmou que futuras sequências podem utilizar os acontecimentos do segundo longa para expandir narrativas:

“O objetivo certamente seria usar o que acontece com alguns desses personagens neste filme como ponto de partida para contar histórias maiores e talvez fazer alguns ajustes de rota.”

Produção reconheceu desafios do primeiro filme

O roteirista também comentou os desafios enfrentados durante a produção do reboot de 2021, destacando que o projeto precisava provar que um filme de artes marciais para maiores ainda poderia atrair o público.

Segundo ele:

“Todos os envolvidos no primeiro filme seriam muito sinceros ao dizer que houve muitos desafios ao longo do caminho.”

Jeremy continuou:

“Eles precisavam provar sua existência. Precisavam provar que um filme de artes marciais com classificação para maiores em 2021 ainda poderia atrair um novo público.”

Slater também afirmou que a sequência teve mais liberdade criativa:

“No geral, eles tiveram muitas limitações e provavelmente muita interferência com as quais nós não tivemos que lidar na sequência.”

Apesar disso, ele evitou tratar decisões do primeiro longa como erros:

“Então não é necessariamente admitir que erros foram cometidos.”

Ainda segundo o profissional, a equipe analisou os pontos fortes e fracos do primeiro filme antes de desenvolver a continuação:

“Mas nós dissemos: ‘Vamos olhar para o que o primeiro filme fez certo e reforçar essas áreas. Também vamos analisar os pontos em que aquele filme não conseguiu se conectar para que possamos evitar isso e seguir em outras direções.’”

Cenas envolvendo Hanzo Hasashi acabaram cortadas

Outro ponto abordado foi o destino da linhagem de Hanzo Hasashi, interpretado por Hiroyuki Sanada.

No primeiro filme, Hanzo pede para Cole proteger seus descendentes. No entanto, Mortal Kombat 2 não mostra reações do personagem à morte de Cole Young.

O roteirista revelou que algumas cenas chegaram a ser escritas — e possivelmente gravadas — mas acabaram removidas da versão final:

“Tínhamos algumas cenas escritas sobre isso em diferentes momentos, e acredito que talvez tenhamos filmado algumas delas.”

Slater explicou que as decisões de edição priorizaram o ritmo do longa:

“No fim das contas, eu não estou envolvido no processo de edição.”

E acrescentou:

“Toda decisão de edição provavelmente foi tomada para simplificar a narrativa e garantir que nunca perdêssemos o ritmo.”

Filme priorizou ritmo acelerado, diz roteirista

Segundo o roteirista, uma das principais metas da produção era impedir que o filme perdesse intensidade durante a narrativa.

Jeremy afirmou:

“Uma das minhas principais missões desde o começo era que a pior coisa que um filme de Mortal Kombat pode ser é entediante.”

Além disso, descreveu a proposta da continuação como uma experiência sem pausas:

“Um filme como esse deve ser sempre pé no acelerador, sem freios.”

O profissional revelou ainda que o roteiro passou por cortes significativos durante o desenvolvimento:

“Meu primeiro rascunho tinha 140 páginas, a versão que entreguei provavelmente tinha 120 e a versão que filmamos provavelmente tinha 95.”

Ele explicou que restrições orçamentárias exigiram escolhas difíceis durante as filmagens:

“Tivemos que tomar muitas decisões difíceis ao longo do caminho em relação ao que cortar e onde realmente gastar nossos recursos.”

Por fim, confirmou que momentos mais emocionais relacionados às mortes dos personagens foram retirados para manter o ritmo da reta final:

“Então muitas dessas cenas mais melancólicas, com personagens lidando com as mortes de outros personagens, provavelmente foram os momentos cortados ao longo do caminho.”

Mesmo assim, Jeremy Slater indicou que essas consequências ainda podem ser exploradas futuramente:

“Mas, novamente, digo que algumas dessas mortes e algumas dessas perdas, se tivermos sorte o suficiente para fazer um terceiro filme, serão abordadas e exploradas daqui para frente.”

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