‘O Problema dos 3 Corpos’: série pode evitar erro fatal de GOT

Cheyna Corrêa

A nova fase da série da Netflix terá menos episódios, mas pode ser superior à estreia. O motivo está numa decisão que faltou a outros grandes sucessos.

A série “O Problema dos 3 Corpos” (3 Body Problem) se prepara para retornar à Netflix em uma segunda temporada que promete ser mais ambiciosa do que a primeira. Embora a nova fase venha com menos episódios, fãs e veículos especializados apontam que a produção já escapou de uma armadilha que afundou outros gigantes do streaming. Baseada na trilogia literária do autor chinês Liu Cixin, a adaptação dos criadores de “Game of Thrones” tem agora um trunfo decisivo a seu favor: um final planejado. A seguir, entenda por que isso muda tudo.

Menos episódios, mais escala

A informação que mais chamou atenção dos fãs foi a redução no número de capítulos. Enquanto a primeira temporada trouxe oito episódios, a segunda deve contar com apenas seis. A pista surgiu após a diretora de fotografia Catherine Goldschmidt publicar uma imagem de bastidores marcando o fim das gravações, na qual a claquete exibia a identificação “206”, sugerindo que a temporada se encerra no sexto episódio.

À primeira vista, o corte pode soar como má notícia. Contudo, a leitura predominante é outra. Segundo análises da imprensa internacional, a temporada mais enxuta provavelmente reflete o altíssimo custo por minuto da produção. Em outras palavras, o estúdio estaria concentrando recursos em efeitos visuais e na grandiosidade das cenas, em vez de diluir o orçamento ao longo de mais episódios.

O que esperar do enredo

A nova temporada deve adaptar “A Floresta Sombria” (The Dark Forest), segundo livro da saga. A história dá um salto temporal radical: o que começa como um drama ambientado no presente avança séculos rumo ao futuro, enquanto a humanidade se prepara para a invasão dos San-Ti. Leitores dos romances aguardam ansiosos para ver como a série retratará sequências icônicas, como a temida “Gota” e as operações em larga escala das frotas espaciais.

Para dar conta dessa escala, o diretor Miguel Sapochnik, responsável por batalhas memoráveis em “Game of Thrones”, entrou para a equipe. Além disso, o elenco ganhou reforços de peso, como Claudia Doumit, de “The Boys”, e Alfie Allen, o Theon Greyjoy de Westeros. Nomes como Benedict Wong, Jess Hong e Liam Cunningham seguem confirmados no retorno.

O grande erro que a série conseguiu evitar

Aqui está o ponto central. Muitas produções da era do streaming não sabem quando vão terminar, pois seu destino depende exclusivamente do desempenho comercial. Como consequência, diversas séries acabam parecendo incompletas ou apressadas em seus capítulos finais. Foi o que aconteceu recentemente com fenômenos como “Stranger Things” e, claro, com a própria “Game of Thrones”, cuja oitava temporada gerou uma das maiores ondas de insatisfação da história da TV.

“O Problema dos 3 Corpos”, por outro lado, já nasceu com prazo de validade definido. A Netflix renovou a série de uma só vez para uma segunda e uma terceira temporadas, garantindo aos roteiristas espaço suficiente para adaptar toda a trilogia sem precisar esticar a narrativa artificialmente. Esse planejamento permite que a história ganhe um desfecho coeso e bem amarrado.

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“O Problema dos 3 Corpos” – Imagem: Netflix

A lição aprendida com Westeros

Existe ainda um detalhe que joga a favor da produção. Os showrunners David Benioff e D.B. Weiss, segundo a análise especializada, costumam render mais quando têm um material de origem completo em mãos. Não por acaso, “Game of Thrones” começou a dar sinais de desgaste justamente a partir da quinta temporada, quando passou a se distanciar dos livros de George R.R. Martin e a apostar em rumos originais.

Como a trilogia de Liu Cixin já está totalmente publicada, a dupla pode se apoiar inteiramente no texto-base. Dessa forma, “O Problema dos 3 Corpos” tem a chance de explorar suas maiores qualidades e entregar uma adaptação conclusiva, evitando o tipo de improviso que comprometeu seu trabalho anterior na HBO.

Por que isso importa para os fãs

Apesar de ter conquistado uma base fiel de espectadores, a série ainda não atingiu o mesmo patamar de popularidade de outros campeões da Netflix. A segunda temporada, porém, surge como uma oportunidade real de virada. Com escala ampliada, efeitos visuais robustos e a segurança de um roteiro com começo, meio e fim definidos, a produção reúne os ingredientes para finalmente conquistar o grande público.

Para quem acompanha a saga, o recado é animador. Ter um destino claro pode ser a diferença entre uma despedida memorável e uma frustração coletiva. Resta agora aguardar a estreia, prevista para o segundo semestre de 2026, com as filmagens já encerradas na Hungria. Se a aposta der certo, a terceira e última temporada pode chegar sem a longa espera que separou os dois primeiros anos.

Para relembrar a origem da história, vale conferir como “O Problema dos 3 Corpos” já havia sido adaptado antes de chegar à Netflix. E, se você quer entender melhor os tropeços que a nova série quer evitar, confira nossa cobertura completa sobre “Game of Thrones”.

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