O anúncio do remake de “Ocarina of Time” dividiu a comunidade de “The Legend of Zelda“. De um lado, fãs celebram o retorno do clássico no Switch 2. De outro, críticos questionam se a Nintendo entregou um remake de verdade ou apenas um remaster de luxo. Entenda os dois lados.
De onde vem a acusação de “remaster de luxo”

A principal crítica ao projeto mira o combate. Nas cenas divulgadas até agora, o sistema de luta parece praticamente idêntico ao do jogo de 1998, incluindo a clássica trava de mira em inimigos. Para uma parcela dos fãs, um remake lançado quase três décadas depois deveria modernizar essa base, e não apenas repeti-la com gráficos novos.
O visual dos personagens também virou alvo. Parte do público descreveu o novo Link como um “boneco de porcelana”, com pele lisa demais e traços que lembram uma miniatura colecionável. Somando as duas queixas, nasceu o argumento de que o projeto seria, na prática, um remaster de luxo: o mesmo jogo de sempre, vestido com roupagem cara.
Os argumentos de quem defende o projeto
O outro lado da discussão tem munição de sobra. Tecnicamente, o jogo é um remake completo. Todos os gráficos foram refeitos do zero e a trilha sonora ganhou arranjos orquestrais. O diretor ainda confirmou mapas com trechos inéditos, incluindo áreas que existiam no original mas nunca foram acessíveis ao jogador.
As mudanças de qualidade de vida também são reais. O remake adiciona botão dedicado de pulo, esquiva em corrida, câmera moderna e diário de missões. A troca de equipamentos agora acontece em tempo real, eliminando o famoso vai e vem de menus das botas de ferro. As cutscenes aumentaram em quantidade e agora são totalmente dubladas, com direito a dublagem em português brasileiro, algo inédito na franquia.
E se o visual de “porcelana” for proposital?

Sobre a estética, existe uma leitura alternativa que ganhou força entre os defensores do projeto. O acabamento liso e quase de brinquedo dos personagens reforçaria o tom de conto de fadas que sempre definiu “Ocarina of Time”. Em vez de buscar realismo, a Nintendo teria optado por um visual de fantasia atemporal, mais próximo de uma ilustração em movimento.
Não seria a primeira vez que a empresa toma uma decisão estética polêmica que envelhece bem. “The Wind Waker” foi massacrado no anúncio por seu visual cartunesco e, anos depois, virou referência de direção de arte na indústria. O histórico pesa a favor da Nintendo nesse debate.
A fidelidade como escolha, não como preguiça
Também vale lembrar o peso do material original. “Ocarina of Time” é frequentemente apontado como um dos melhores jogos já feitos, e mexer demais nessa fórmula seria um risco enorme. A aposta em um remake fiel, no estilo 1 para 1, sugere que a Nintendo enxerga o clássico como uma obra que precisa ser preservada, não reinventada.
Nesse sentido, a comparação justa talvez não seja com remakes que reconstroem tudo, como “Resident Evil 4” ou “Final Fantasy VII Remake”. O projeto parece mais próximo de “Metroid Prime Remastered” ou dos remakes de “Pokémon”, que atualizam a experiência sem tocar em sua essência.
O recado escondido na data de lançamento
Há ainda um detalhe estratégico que diz muito sobre a confiança da Nintendo. O remake chega em 5 de novembro, exatamente 14 dias antes de “GTA 6”, o lançamento mais aguardado da década. Colocar um jogo de quase 30 anos para dividir vitrine com o gigante da Rockstar é uma demonstração clara de que a empresa aposta alto no apelo do clássico.
No fim das contas, o debate entre remake e remaster de luxo provavelmente só será resolvido com o jogo nas mãos do público. Se as mudanças estruturais se provarem profundas, os críticos perdem força. Se a sensação for de um passeio bonito pelo mesmo jogo de 1998, a discussão volta com tudo. Até lá, os dois lados têm bons argumentos, e isso, por si só, já mantém “Ocarina of Time” no centro das conversas.




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