Pânico 7 teve o pior Ghostface de toda a franquia? Entenda

Andre Luiz

Com a chegada de Pânico 7 ao streaming, um público muito maior passou a conferir o filme, e as redes sociais voltaram a ferver com reações. O consenso, segundo parte considerável dos fãs, aponta para uma decepção: muitos consideram que a revelação do Ghostface é a mais fraca de toda a saga.

Levando em conta algumas das reviravoltas ousadas que a franquia já tentou ao longo dos anos, esse tipo de avaliação chama bastante atenção e merece uma análise mais cuidadosa sobre o que deu errado.

Do que trata o sétimo capítulo

A trama de Pânico 7 acompanha a heroína Sidney Prescott (Neve Campbell) tentando levar uma vida tranquila ao lado do marido, Mark (Joel McHale), e dos filhos. Sua filha mais velha, Tatum (Isabel May), é uma adolescente que vive em atrito com a mãe famosa.

O equilíbrio se rompe quando um novo Ghostface decide que Tatum será seu próximo alvo, levando Sidney a entrar em guerra para proteger a família.

Vale lembrar que este é o primeiro filme da franquia dirigido por Kevin Williamson, roteirista que ajudou a criar o universo de Pânico em 1996, ao lado do cineasta Wes Craven. O retorno de Neve Campbell foi um dos grandes atrativos da produção, que arrecadou cifras expressivas nas bilheterias mundiais.

Quem está por trás da máscara (SPOILERS)

Durante boa parte do longa, Sidney é atormentada por supostos vídeos do Ghostface original, Stu Macher (Matthew Lillard), que afirma ter sobrevivido ao primeiro filme e busca vingança contra Tatum. No entanto, no confronto final, descobre-se que o verdadeiro assassino é outro.

De acordo com o desfecho, o responsável pelas ligações falsas seria Marco, um especialista em tecnologia que usava inteligência artificial para simular a voz de Stu. Ele teria formado um clube de “fãs” obcecados por Sidney junto a outras pessoas.

A mente por trás de todo o plano, porém, é revelada como Jessica Bowden (Anna Camp), apresentada como vizinha e amiga próxima da protagonista.

Em seu monólogo, Jessica se descreve como uma admiradora de Sidney. Após ler o livro autobiográfico da heroína, ela teria concluído que a melhor forma de lidar com homens violentos seria eliminá-los.

O objetivo da dupla era “aposentar” Sidney como final girl e forçar Tatum a testemunhar o trauma, transformando a jovem na nova protagonista da saga fictícia. No fim, Sidney, Tatum e Mark se unem e encerram a ameaça.

Sidney Prescott em Pânico 7
Neve Campbell em ‘Pânico 7’ (Foto: Divulgação/Paramount/Jessica Miglio)

Por que a revelação dividiu o público

A série Pânico sempre se diferenciou de outras franquias de terror por sua consciência metalinguística sobre o gênero. Segundo a análise do site ComicBook, esse humor meta está ausente em boa parte do sétimo filme, que aposta em uma história mais direta de Sidney protegendo a família. O problema, para muitos, está no terceiro ato.

O desfecho tenta transformar os assassinos em metáforas satíricas sobre fandoms tóxicos e fãs obsessivos, ao mesmo tempo em que brinca com o próprio debate sobre a importância de Neve Campbell para a franquia.

A ideia até pode ter sido inteligente no nível conceitual, mas decepcionou como revelação de assassino. Parte do público, inclusive, afirma ter previsto o desfecho desde a escalação de atores conhecidos por papéis de vilões.

A saga de Pânico sempre se distinguiu por sua consciência sobre as convenções do gênero de terror, algo que, segundo os críticos, faltou neste novo capítulo.

O legado do Pânico original, de 1996, se consolidou justamente pela revelação climática de que Billy Loomis (Skeet Ulrich) e Stu Macher eram, juntos, o Ghostface. Desde então, a franquia fez dessas revelações finais uma marca registrada, sempre envolvendo personagens já apresentados e com algum vínculo relevante com Sidney.

Manter esse padrão ficou cada vez mais difícil, e os críticos apontam que o sétimo filme não conseguiu cumprir a tarefa.

Outro ponto levantado pela crítica é que o próprio Kevin Williamson assina roteiro e direção desta vez.

Para alguns analistas, o filme parece resolver questões pessoais através da história, algo que pode ter sido catártico para os bastidores, mas que não agradou parte dos fãs. A franquia já enfrentou turbulências nos bastidores, incluindo trocas de elenco e de direção antes da produção.

Apesar de ter alcançado a maior bilheteria da série, Pânico 7 é descrito por parte da imprensa como um suspiro final da franquia original e de seus personagens clássicos. Isso levanta dúvidas sobre os próximos passos: a saga deve continuar a história deixada por Pânico 6, que ainda tinha muito a explorar, ou apostar em uma renovação completa? Para os fãs, o debate segue em aberto.

No fim das contas, a recepção dividida mostra o tamanho do desafio de manter viva uma das franquias de terror mais influentes do cinema. Resta saber se a Paramount e a equipe criativa vão ouvir as críticas ou seguir um novo rumo. De qualquer forma, o impacto de Pânico na cultura pop permanece inegável, três décadas depois de sua estreia.

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