Prejuízo na bilheteria e explosão de acessos no streaming: o que está acontecendo? Nos últimos anos, alguns filmes naufragaram nos cinemas, deram grande prejuízo e, ao chegar ao streaming, tiveram um boom de audiência. Foi assim com ‘Transformers: O Início’ (2024), com ‘Uma Aventura LEGO 2’ (2019), com ‘A Noiva!’ (2026) e, neste ano, com dois grandes destaques: ‘Supergirl’ e ‘Mestres do Universo’. Mas por que isso acontece?
Do prejuízo ao topo do streaming: os casos de 2026
‘Supergirl’ é o exemplo mais recente. O filme da DC terminou a exibição nos cinemas com US$ 126,4 milhões no mundo, contra um orçamento de US$ 170 a 186 milhões. Ao estrear na HBO Max, em 10 de setembro, virou o filme número 1 da plataforma nos EUA logo no primeiro dia. Ele passou ainda semanas no topo, depois de liderar a lista mundial da plataforma em meados de setembro. O caso de ‘Mestres do Universo’ foi parecido, com bilheteria de US$ 114 milhões e liderança de cinco semanas no Prime Video.

‘A Noiva!’ seguiu o mesmo caminho: estreou nos cinemas em 6 de março, arrecadou cerca de US$ 24 milhões, e chegou ao primeiro lugar da HBO Max em apenas um dia, em maio. Outros exemplos citados são ‘Transformers: O Início’ e ‘Uma Aventura LEGO 2’, e até ‘Adão Negro’ (2022), que também ganhou uma segunda vida no streaming. A conclusão é que o fracasso nas salas não significa falta de interesse.
Custo zero, críticas moderadas e a barreira do ingresso
Existem indicadores claros e comportamentais que explicam por que as campanhas de marketing atraem o público para o streaming, mas não para o cinema. O primeiro é o custo: ir ao cinema envolve ingresso, transporte, estacionamento e alimentação. Se o espectador tem dúvida se o filme é “feito para a tela grande”, ele prefere esperar. No streaming, a barreira financeira some, porque o usuário sente que o filme está saindo “de graça”, já que paga a assinatura mensal.
O segundo é o efeito das críticas moderadas. Tanto ‘Mestres do Universo’ quanto ‘Supergirl’ tiveram críticas mistas e notas medianas do público, como o CinemaScore B- de ‘Supergirl’. No cinema, uma nota média afasta quem estava em dúvida, porque ninguém quer gastar muito em algo “nota 7”.
No streaming, o risco some: o espectador pensa “a crítica achou ruim, mas já está no catálogo, vou dar o play enquanto janto para ver qual é”. A curiosidade gerada pelo marketing é saciada no sofá.
Verão lotado, algoritmos e a segunda vida do marketing
Há também a saturação. Tanto o He-Man quanto a Supergirl enfrentaram janelas de verão extremamente competitivas, com vários blockbusters disputando espaço. Nesse ambiente, o público não tem condição de ver todos, então escolhe um (aquele que for um verdadeiro evento) e os outros ficam automaticamente “agendados” para o streaming.
Quando chegam às plataformas, o algoritmo entra em ação: banners na tela inicial, trailers automáticos e notificações dão ao marketing visto antes do lançamento uma segunda vida, empurrando o filme para milhões de usuários ao mesmo tempo.
Os brinquedos salvam o prejuízo? E o novo modelo de sucesso
O mercado de brinquedos e licenciamento funciona como uma rede de segurança. Para propriedades baseadas em nostalgia, o filme vira um comercial gigante de duas horas, e os brinquedos têm margens muito maiores do que a divisão da bilheteria com as redes de cinema. Por isso, empresas como a Mattel, dona do He-Man, e a Warner Bros. Discovery, dona da DC, absorvem parte do prejuízo com bonecos, roupas, colecionáveis e jogos, ainda que a venda de produtos dos dois filmes não esteja confirmada nas fontes que consultei.
No fim, o recado é claro: segundo reportagens, ‘Supergirl’ deu prejuízo de cerca de US$ 100 milhões à Warner Bros. nos cinemas, mas o sucesso no HBO Max ajudou a estabilizar a marca e manter o engajamento dos fãs para o futuro do novo universo DC. A bilheteria deixou de ser o único termômetro de sobrevivência de uma propriedade intelectual, e é por isso que o streaming virou o novo campo de batalha.






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