Rebecca Romijn contou como era a rotina de nove horas de maquiagem na trilogia original dos X-Men. Segundo a atriz, o processo mudou bastante no novo filme da Marvel.
Rebecca Romijn retoma o papel de Mística em Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday), duas décadas depois de encerrar a participação dela na trilogia original dos X-Men. Em entrevista de capa à revista Inverse, a atriz falou sobre o convite inesperado, sobre a versão diferente da personagem preparada para o filme e sobre a rotina brutal de maquiagem que enfrentou nos anos 2000.
A personagem já apareceu no trailer
O público teve um vislumbre rápido da mutante no material divulgado recentemente. Na cena, ela usa a habilidade de metamorfose para assumir a forma de Yelena Belova, personagem vivida por Florence Pugh, durante um confronto direto.
A escolha faz sentido dentro da lógica do filme, que reúne heróis de universos distintos. Ainda assim, a Marvel Studios não detalhou qual será o peso da personagem na trama.
Nove horas de maquiagem e 24 horas de descanso
O relato mais impressionante da conversa trata do passado. Segundo a atriz, a caracterização original consumia nove horas por dia. Ela chegava ao estúdio à meia-noite para ficar pronta às nove da manhã e depois emendava jornadas de cerca de 15 horas de gravação.
A retirada do material ainda tomava outras três ou quatro horas. Somando tudo, eram praticamente 24 horas seguidas de trabalho, seguidas por um dia inteiro de folga obrigatória.
O motivo do intervalo era físico. As próteses cobriam cerca de 75% do corpo dela, sem qualquer saída para o suor durante as cenas de ação. Como resultado, a pele empolava por baixo do material, e a atriz precisava de pomadas cicatrizantes entre um dia e outro.
Mesmo assim, ela avalia que valeu a pena. Romijn descreveu o conjunto de maquiagem e figurino como o mais bonito que já viu e brincou que o incômodo ajudava a colocá-la no estado de espírito certo para viver uma vilã.
Desta vez o processo é diferente
A primeira pergunta dela ao receber o convite foi justamente sobre isso. A atriz quis saber como funcionaria a caracterização antes de qualquer outra coisa.
A resposta foi positiva. O novo visual usa um figurino de verdade, cobrindo boa parte do corpo, o que reduziu a dependência de próteses. Em entrevistas anteriores, ela mencionou algo em torno de sete horas diárias, ainda longe de ser rápido, mas bem abaixo das nove horas anteriores.
Da síndrome do impostor ao domínio da personagem
A parte mais pessoal da entrevista trata de confiança profissional. Romijn contou que, no início da carreira, não sentia que a personagem era dela. Era muito jovem e acreditava que só havia conseguido o papel por estar disponível no momento certo, apesar de ter passado por testes.
Ela diz que temia ser descoberta como alguém que não deveria estar ali, sentimento que associa à própria juventude. O retorno, segundo a atriz, aconteceu em outro patamar.
Voltei com muito domínio da personagem desta vez, e isso foi delicioso. (tradução livre)
O contraste entre dois tempos do cinema de heróis

A entrevista traz ainda uma comparação reveladora sobre o mercado. O primeiro X-Men, lançado em 2000, custou cerca de 75 milhões de dólares. O novo filme dos Vingadores ultrapassaria os 400 milhões de dólares.
Vale registrar que esses valores estão em dólar e não consideram correção pela inflação nem variação cambial, o que torna a comparação direta apenas ilustrativa. Ainda assim, o salto ajuda a explicar a diferença de escrutínio e de pressão entre as duas épocas. Convém lembrar que Jennifer Lawrence assumiu a personagem a partir de X-Men: Primeira Classe, e ainda não se sabe como o futuro reinício da franquia tratará o papel.
O que já está confirmado sobre o filme
Vingadores: Doutor Destino estreia em 18 de dezembro de 2026, com direção dos irmãos Anthony e Joe Russo. A continuação, Vingadores: Guerras Secretas, chega em 17 de dezembro de 2027.
O elenco reúne veteranos da era Fox ao lado dos atuais nomes do estúdio, incluindo Patrick Stewart, Ian McKellen, Alan Cumming, James Marsden e Kelsey Grammer, além de Robert Downey Jr. como Doutor Destino. É a primeira vez que os X-Men dividem tela com os heróis do universo cinematográfico da Marvel nesse formato.
O valor de trazer os rostos originais
A escolha por recuperar intérpretes da era anterior tem peso afetivo evidente. Para quem cresceu com aqueles filmes, ver os mesmos atores nos mesmos papéis funciona como um atalho emocional que nenhum efeito visual entrega sozinho.
Por outro lado, a estratégia gera desconfiança em parte do público, que enxerga nostalgia como muleta narrativa. Não é a primeira vez que anúncios de retorno dividem opiniões em torno deste projeto. O relato da atriz, porém, muda um pouco a conversa. Ele lembra que, por trás da nostalgia, existe trabalho físico pesado e uma carreira construída ao longo de duas décadas.






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