Resident Evil: diretor se desculpa por ausência de personagens

Andre Luiz

O novo longa de Resident Evil marca a terceira adaptação para os cinemas da franquia de terror de sobrevivência da Capcom. Ainda assim, chega sem nenhum personagem herdado diretamente dos jogos. Em vez de construir a trama em torno de nomes consagrados como Leon Kennedy, Claire Redfield ou Jill Valentine, o filme segue Bryan.

O personagem, vivido por Austin Abrams, é um entregador de suprimentos médicos. Ele acaba envolvido no surto que domina Raccoon City na mesma noite retratada no game Resident Evil 2.

O diretor Zach Cregger optou por contar uma história completamente original, sem vínculos com o material original. Essa escolha alimentou meses de ceticismo entre fãs de longa data. Muitos deles esperavam que o cineasta entregasse uma versão fiel em live-action de alguns dos heróis mais amados dos games.

O que Cregger disse sobre as críticas

Em entrevista ao IGN, Cregger comentou abertamente sobre a repercussão negativa em torno da ausência dos personagens clássicos:

Acho que fui ingênuo. Eu pensava que os fãs desses jogos, como eu, ficariam empolgados por alguém vir e transformar Resident Evil num filme de terror de sobrevivência. Eu pensei: isso é ótimo. Eu não entendi direito o sentimento de que estamos esperando pela história do Leon há uma eternidade. E eu entendo isso, e sinto muito que essa não seja a história que estou trazendo. Eu entendo, entendo a frustração. Entendo tão bem porque eu nem vi os filmes anteriores de Resident Evil, porque eles não se parecem com o Resident Evil que eu amo, então como eu poderia ficar frustrado com fãs que têm essa mesma postura?

Mesmo reconhecendo as críticas, Cregger também fez questão de defender seu filme. Ele tem muito a oferecer por conta própria, ao que tudo indica.

Por que os fãs deveriam dar uma chance ao filme

Cregger sempre foi aberto sobre ser jogador da franquia desde a infância. A divulgação de Resident Evil já mostrou que ele realmente entende do assunto. Os trailers, por exemplo, trazem uma caixa de munições de escopeta Heavy Field, uma referência direta a Resident Evil 4. Há também um plano demorado numa máquina de escrever antiga. A cena recria o ritual clássico dos pontos de salvamento da franquia.

Resident Evil
Resident Evil – Divulgação / Sony Pictures

Além dessas referências visuais, algumas cenas passam para o ponto de vista do próprio Bryan enquanto ele mira uma pistola. Isso espelha a postura de mira em primeira pessoa usada pelos jogadores nos games mais recentes.

Documentos de entrega vistos logo no início das imagens também chamam atenção. Eles ligam a carga médica de Bryan diretamente à Umbrella Corporation. É uma referência antecipada ao histórico da corporação em esconder laboratórios secretos sob Raccoon City. Há até um laboratório subterrâneo esterilizado e criaturas de carne grotescas. Bryan precisa lutar pela vida enquanto foge de monstros tirados de pesadelos.

Uma carta de amor, segundo o diretor

Cregger completou o raciocínio durante a mesma entrevista. Ele torce para que os fãs assistam ao filme apesar do ceticismo. Segundo ele, o público vai se sentir representado ao perceber todo o carinho pelos jogos presente na obra.

Zach garante não estar apenas contando uma história qualquer e colando o nome Resident Evil nela para conseguir orçamento. Ele afirma estar contando uma verdadeira história de Resident Evil. Segundo o diretor, tudo nasceu de um lugar genuíno de amor pelos games.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a saga passa por uma reformulação nos cinemas. Já vimos isso ao relembrar o elenco anunciado para o reboot anterior de Resident Evil. A franquia já tentou reinventar sua fórmula cinematográfica outras vezes, com resultados variados. A saga também já passou pelo streaming. Mostramos isso ao cobrir os primeiros detalhes da série da Netflix.

Resident Evil chega aos cinemas em 18 de setembro.

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