Resident Evil 4 é o remake mais vendido da geração

Vinicius Miranda

Levantamento aponta 16,8 milhões de cópias vendidas desde 2023, bem à frente dos concorrentes. O Brasil aparece entre os cinco maiores mercados do jogo na Steam.

O remake de Resident Evil 4 é o campeão de vendas entre as refilmagens e remasterizações da geração atual. É o que aponta um levantamento da consultoria Alinea Analytics, divulgado nesta semana. Segundo os dados, o jogo lançado pela Capcom em 2023 acumula 16,8 milhões de cópias vendidas em PlayStation, Steam e Xbox, com receita bruta estimada em 560 milhões de dólares.

Os números por plataforma

A distribuição das vendas revela bastante sobre o mercado atual. O PlayStation responde por 7,4 milhões de cópias, o equivalente a quase metade do total. A Steam vem logo atrás, com 6,8 milhões, enquanto o Xbox soma 1,6 milhão.

Chama atenção o fôlego do título. Cerca de 4 milhões dessas vendas aconteceram apenas em 2026, mais de três anos depois do lançamento. Já a receita segue uma divisão diferente da de unidades, com 53,1% vindos do PlayStation, 34,1% da Steam e 12,8% do Xbox. Vale registrar que valores em dólar variam conforme o câmbio e não consideram descontos regionais.

O Brasil está entre os maiores mercados na Steam

Aqui está o dado mais interessante para o público brasileiro. Segundo a consultoria, Brasil, China e Rússia figuram entre os cinco principais territórios do jogo na Steam.

O relatório explica também o motivo dessa diferença de receita entre plataformas. A Steam gera menos dinheiro por cópia justamente por causa do volume de vendas em regiões de preço mais baixo e das promoções frequentes. Em outras palavras, jogadores desses mercados respondem muito bem a cortes de preço, algo que qualquer brasileiro que acompanha as liquidações da loja reconhece de imediato.

Uma ressalva importante sobre os números

Resident Evil 4 Remake – Divulgação / Capcom

Convém esclarecer a origem dos dados. Trata-se de estimativa de uma consultoria independente, e não de balanço oficial da Capcom. A empresa japonesa divulga suas próprias cifras periodicamente, e os números costumam variar conforme a metodologia e a data de corte.

O levantamento também considera apenas três plataformas e um recorte específico, contabilizando lançamentos a partir de novembro de 2020. Portanto, o ranking mede a geração atual, e não a história completa do mercado.

Como fica o ranking completo

Atrás do jogo da Capcom aparece Ark: Survival Ascended, com 7 milhões de cópias. Em terceiro vem The Last of Us Part I, com 6,3 milhões.

A lista segue com The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered, com 4,5 milhões, e Dead Space, com 4,3 milhões. Depois aparecem Final Fantasy VII Rebirth, com 4,2 milhões, e Silent Hill 2, com 3,2 milhões. Cabe notar que a consultoria agrupa remakes e remasterizações na mesma tabela, o que explica a presença de títulos com propostas bem diferentes entre si.

Por que remakes viraram obsessão da indústria

Números como esses ajudam a explicar a estratégia recente das grandes empresas. Nesta semana, a Ubisoft afirmou publicamente que projetos desse tipo entregam margens superiores às de jogos totalmente novos, graças ao reaproveitamento de material, à economia em divulgação e ao reconhecimento imediato da marca.

A lógica é simples. Um clássico querido chega ao mercado com público garantido, enquanto uma propriedade inédita precisa ser construída do zero. Essa aposta em catálogos consolidados já aparecia nos planos de longo prazo das publicadoras, como mostrou o mapeamento de projetos divulgado por relatos internos do setor.

O segredo está na longevidade

O detalhe mais revelador do levantamento não é o total, e sim o ritmo. Vender 4 milhões de cópias no quarto ano de vida mostra que o jogo virou item permanente de catálogo, sustentado por promoções e por indicação boca a boca.

Esse comportamento explica por que a Capcom continua investindo pesado na franquia, que também se expandiu para séries e outras mídias nos últimos anos. Vale lembrar, porém, que o modelo tem limite. Cada clássico só pode ser refeito uma vez, e o sucesso de hoje não garante que o próximo remake encontre o mesmo público.

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