De fenômeno de bilheteria odiado pelos fãs a reboot que ignora a própria lore, “Resident Evil” coleciona tentativas frustradas de dar certo no live-action. Relembre todas as adaptações da franquia da Capcom, dos filmes com Milla Jovovich ao novo longa de Zach Cregger.
A era Milla Jovovich: sucesso de bilheteria, fracasso de fidelidade

Entre 2002 e 2016, a parceria entre a Constantin Film e o diretor e roteirista Paul W.S. Anderson transformou “Resident Evil” em uma máquina de dinheiro. Foram seis filmes estrelados por Milla Jovovich como Alice, personagem criada para o cinema e inexistente nos games.
Juntos, os longas arrecadaram cerca de US$ 1,2 bilhão, valores sujeitos a variação conforme o levantamento. Por anos, foi a franquia de cinema baseada em videogame mais lucrativa da história. Para os fãs dos jogos, porém, a série tinha da saga apenas o nome.
“Resident Evil: O Hóspede Maldito” (2002)
O primeiro filme apresentou Alice e a Colmeia, laboratório subterrâneo da Umbrella tomado por zumbis. Apesar de usar elementos como o T-Virus e os cães infectados, a trama já nascia distante dos games. Foi sucesso suficiente para inaugurar uma longa série.
“Resident Evil: Apocalipse” (2004)
A sequência levou o caos às ruas de Raccoon City e trouxe personagens dos jogos, como Jill Valentine e o Nemesis. A fidelidade visual, porém, não se traduziu em respeito à história original, e a ação exagerada afastou ainda mais a franquia do terror.
“Resident Evil: A Extinção” (2007)
O terceiro capítulo abandonou de vez o clima urbano e apostou em um mundo pós-apocalíptico desértico, com Alice enfrentando hordas no estilo “Mad Max”. Claire Redfield entrou na história, mas o foco seguia nos poderes cada vez mais absurdos da protagonista.
“Resident Evil: Recomeço” (2010)
Impulsionado pela onda do 3D, o quarto filme virou o maior sucesso comercial da série até então. Chris Redfield e Albert Wesker ganharam destaque, mas a essência de survival horror já havia sumido por completo, substituída por cenas de ação em câmera lenta.
“Resident Evil: Retribuição” (2012)
O quinto longa mergulhou em simulações e clones, reciclando personagens de capítulos anteriores em um roteiro confuso. Leon Kennedy e Ada Wong finalmente apareceram, mas a essa altura a série já funcionava em um universo totalmente próprio.
“Resident Evil 6: O Capítulo Final” (2016)
O encerramento da saga de Alice voltou à Colmeia para amarrar as pontas soltas. Com edição frenética e despedidas apressadas, fechou a era Jovovich como começou: lucrativa nas bilheterias e criticada pelos fãs dos games.
O primeiro reboot: a fidelidade que não veio

“Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City” (2021)
Cinco anos após o fim da era Alice, a franquia tentou recomeçar com uma promessa clara: adaptar fielmente os dois primeiros jogos. O filme trouxe Chris, Claire, Jill, Leon e Wesker, a mansão Spencer e a delegacia de Raccoon City.
Na prática, porém, misturou os eventos dos games de forma atropelada e mudou personalidades queridas dos personagens. O resultado desagradou crítica e público, fracassou nas bilheterias e enterrou os planos de sequência.
A tentativa na TV

“Resident Evil” (série da Netflix, 2022)
A aposta seguinte veio no streaming, com uma série dividida entre duas linhas do tempo e centrada nas filhas de Albert Wesker, vivido por Lance Reddick. A produção ignorou quase tudo dos jogos e apostou em drama adolescente misturado a apocalipse zumbi. A recepção foi dura, e a Netflix cancelou o projeto após uma única temporada. Para muitos fãs, foi o ponto mais baixo da franquia no audiovisual.
O recomeço atual

“Resident Evil” (2026)
A tentativa mais recente chegou aos cinemas em setembro, sob a direção de Zach Cregger. Ele é o nome quente do terror após “Noites Brutais” (Barbarian) e “A Hora do Mal” (Weapons). Segundo a ficha da Wikipedia, o longa custou US$ 75 milhões e já ultrapassou US$ 108 milhões em bilheteria. A história original acompanha Bryan, entregador de suprimentos médicos vivido por Austin Abrams, preso em uma noite de pesadelo em Raccoon City.
Desta vez, a recepção foi menos hostil: o filme funciona como terror e adapta com carinho a jogabilidade clássica do gênero. A lore dos games, por outro lado, segue praticamente intocada, sem personagens conhecidos, sem T-Virus e com criaturas inéditas. É um capítulo à parte, em universo próprio, que divide os fãs entre o alívio e a frustração.
Uma maldição em andamento
Depois de oito filmes e uma série, o balanço é curioso. “Resident Evil” já provou que vende ingressos e assinatura de streaming, mas nunca conseguiu unir sucesso comercial e fidelidade aos games na mesma obra.
O novo filme de Cregger chega perto de quebrar a maldição pela qualidade, embora se afaste dela pelo conteúdo. Enquanto isso, os fãs seguem esperando a adaptação definitiva. Aquela que trate Leon, Jill e a mansão Spencer com o mesmo respeito que os remakes da própria Capcom vêm demonstrando nos consoles.




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