Uma análise da consultoria Alinea Analytics tentou separar o que realmente impulsionou as vendas de “Resident Evil” nos últimos meses. A conclusão é que o desconto aplicado pela Capcom antes da estreia fez a maior parte do trabalho comercial. O novo filme é dirigido por Zach Cregger. O impacto do longa-metragem existiu, mas foi mais moderado do que o esperado.
Um teste raro para medir o efeito real do cinema nos jogos
Segundo o levantamento da Alinea Analytics, medir o efeito de uma adaptação nas vendas de um jogo costuma ser complicado. Em produções transmídia como “The Last of Us”, “Fallout” e “Homem-Aranha” (Spider-Man), os cortes de preço tendem a coincidir com o próprio lançamento das adaptações. Essa simultaneidade dificulta saber se o público compra pelo enredo apresentado na tela ou simplesmente pela promoção.
A estratégia da Capcom criou uma situação diferente. A empresa aplicou os descontos em 10 de setembro, oito dias antes da estreia do novo “Resident Evil” nos cinemas. Essa diferença de datas abriu uma janela de comparação isolada. Foi possível medir separadamente o efeito do preço mais baixo e o efeito da própria estreia do filme.
O desconto fez a maior parte do trabalho
Os números mostram que a redução de preços, isolada, quase dobrou as vendas diárias no PlayStation 5 antes mesmo da estreia do filme. O remake de “Resident Evil 2” subiu cerca de 1,9 vez a US$ 7,99. O remake de “Resident Evil 4” teve alta semelhante, também de 1,9 vez, a US$ 9,99.
Já “Resident Evil Requiem” cresceu 1,8 vez a US$ 48,99. Esses números, segundo a análise, vieram unicamente do corte de preço, sem qualquer influência do filme.
O filme trouxe um impulso, mas menor do que o desconto
Depois da estreia nos cinemas, a Alinea Analytics identificou um novo salto nas vendas. Isolando o efeito do desconto, “Resident Evil 2” e “Resident Evil 4” registraram um ganho adicional de 50% a 65% em cópias vendidas no PS5. Na Steam, porém, o efeito foi bem mais discreto, entre 11% e 14%. Como consequência da combinação entre desconto e filme, a receita no PS5 cresceu mais de 80%. Vale destacar que esse crescimento partiu de uma base de preços já reduzidos, o que ajuda a explicar o salto percentual elevado.
O engajamento também cresceu em todo o catálogo da franquia, não só nos jogos com desconto ativo. Segundo a análise, esse movimento ocorreu principalmente porque jogadores antigos reinstalaram e voltaram a jogar títulos que já tinham em suas bibliotecas.
Por que o filme não converteu tanta gente em novos jogadores

A Alinea Analytics apontou alguns motivos centrais para esse comportamento do público. O novo “Resident Evil” apresenta uma história inédita, com uma protagonista sem ligação direta com os jogos da franquia. Por causa dessa escolha, quem assiste ao filme sem ter jogado antes não encontra um título equivalente para começar imediatamente.
Outro fator é a sobreposição natural entre os públicos de terror e de jogos de survival horror. Quem já acompanha jogos do gênero tem mais chance de já conhecer “Resident Evil” antes mesmo de assistir ao filme. Por fim, a presença do diretor Zach Cregger atraiu espectadores pelo próprio histórico do cineasta. Ele já vinha de sucessos recentes como “Noites Brutais” (Barbarian) e “A Hora do Mal” (Weapons), mais do que pela curiosidade sobre o universo dos games.
O que esses números dizem sobre o futuro da franquia
O estudo da Alinea Analytics reforça um ponto importante para quem acompanha o mercado de games baseados em outras mídias. Nem toda adaptação bem-sucedida se traduz automaticamente em vendas de jogos, especialmente quando a história do filme se afasta do material original.
Para a Capcom, o resultado ainda é positivo, já que o desconto e a estreia combinados geraram um crescimento real de receita no período. Mas o caso mostra algo relevante para o setor. Separar o efeito do preço promocional do efeito puramente narrativo é essencial para entender o real poder de conversão de uma adaptação sobre o público de jogos.
Confira nossa crítica sobre Resident Evil:



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