Foram oito filmes e uma série de streaming para Resident Evil finalmente acertar a mão nos cinemas. A versão dirigida por Zach Cregger virou praticamente um modelo a ser seguido para franquias de videogame que pareciam ter esgotado a paciência do público, e agora outro clássico do gênero survival horror pode se inspirar nesse acerto para tentar a sorte de novo.
Uma trajetória cheia de tropeços até o acerto
Não que a franquia estrelada por Milla Jovovich, com seis filmes sob comando de Paul W.S. Anderson, não tivesse seus fãs. Eles renderam bilheteria suficiente para manter a produção de novos longas por anos, mesmo aproveitando pouco mais do que os zumbis e monstros dos jogos, deixando de lado boa parte da essência narrativa original.
Quando veio a tentativa de reboot mais fiel ao material-fonte, o resultado foi ainda pior nas bilheterias, principalmente por tentar encaixar as histórias dos dois primeiros jogos num único filme. A maioria das franquias provavelmente ficaria hibernando por muito mais tempo depois de um tropeço desses, mas Resident Evil teve a sorte de atrair o interesse do diretor de um vencedor do Oscar.
Silent Hill de olho no mesmo caminho
Segundo reportagem do site Dread Central, Silent Hill estaria preparando uma “nova abordagem ousada” para a franquia nas telonas. A notícia chega depois de o terceiro filme da série, lançado em janeiro nos Estados Unidos, praticamente passar despercebido por lá, mesmo arrecadando 47 milhões de dólares no mercado internacional com um orçamento de apenas 23 milhões.

É irônico, já que o Terror em Silent Hill original, de 2006, foi bem recebido logo de cara como adaptação de game, mas a franquia perdeu força com uma sequência fraca em 3D e um terceiro filme perdido no cemitério de lançamentos de janeiro.
Assim como nos jogos de Resident Evil, os jogos de Silent Hill sempre priorizaram fugir de monstros em vez de simplesmente atirar neles, e assim como no filme de Cregger, costumam colocar um protagonista completamente despreparado numa cidade cheia de ameaças. Entre seus horrores mais marcantes estão um grupo de enfermeiras fisicamente distorcidas e sem rosto e uma figura gigantesca parecida com um carrasco, empunhando uma espada enorme, apelidada informalmente de Cabeça de Pirâmide por causa do capacete triangular característico.
A cidade em si é cheia de espaços liminares que lembram bastante o fenômeno viral de Backrooms, então talvez o momento seja mesmo ideal para um gamer de verdade capturar a atmosfera de pavor que Christophe Gans já havia buscado no primeiro filme.
Outros games também tentam a sorte nos cinemas
Nem toda franquia de videogame consegue atrair um diretor do nível de Zach Cregger, mas Resident Evil não é a única propriedade de games apostando num novo reboot como redenção. Em outubro chega Street Fighter, que promete ser a primeira adaptação live-action americana das três já feitas a realmente seguir a premissa simples dos jogos: um torneio de luta cheio de socos e bolas de fogo psíquicas.
Esse tipo de fidelidade nem sempre foi prioridade em adaptações do gênero, e produções mais livres já renderam discussões acaloradas entre fãs, como reforçado quando o ator Tom Hopper prometeu fidelidade aos jogos ainda durante a divulgação de Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City. Resident Evil, afinal, foi pioneiro em todo o subgênero survival horror, e é bem possível que, ao finalmente acertar a fórmula, tenha aberto caminho para adaptações mais cuidadosas de outros títulos parecidos, como já se discutia em listas sobre quais franquias de videogame ainda mereciam sua própria chance no cinema.





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