Review – Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é a versão definitiva do jogo de 2024

Vinicius Miranda

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Apesar de “Dragon’s Dogma 2“ ter figurado entre os grandes lançamentos em 2024, seus problemas de desempenho e decisões polêmicas deixaram muitos fãs apreensivos. Com a saída do então diretor Hideaki Itsuno, o futuro da série parecia incerto. Contudo, a equipe de manutenção da Capcom reverteu esse cenário de forma impressionante.

Hoje, o jogo base se encontra em um estado de excelência técnica. E é exatamente sobre essa fundação sólida que a expansão “Dark Arisen” se apoia, oferecendo um conteúdo praticamente obrigatório para qualquer aventureiro.

Norgan e a ameaça congelante

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen – Divulgação / Capcom

A grande estrela do novo pacote é a gélida região de Norgan. Essa terra isolada e misteriosa foi devastada por uma calamidade no passado. Agora, o cenário é dominado por um inverno extremamente perigoso. O protagonista, o Nascen (Arisen, no original), viaja para esse local inóspito após surgirem novos indícios na trama. Uma lenda sombria sugere que um suposto segundo Nascen estaria desafiando a própria essência desse universo.

O clima da expansão não é meramente estético; ele impacta de forma direta a jogabilidade. O frio extremo pode provocar avalanches mortais e reduzir de forma dramática a visibilidade no mapa. Além disso, o desgaste da barra de vitalidade acelera intensamente durante as tempestades. Por outro lado, o jogador habilidoso pode usar o cenário a seu favor. É possível romper estalactites de gelo ou abrir grandes crateras no chão para finalizar monstros.

Uma narrativa densa e bem focada

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen – Divulgação / Capcom

Diferente da confusa trama política do título original, a história de “Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen” adota um tom muito mais sombrio e direcionado. O enredo acompanha os mistérios envolvendo Eir e o assustador Dragão Caído (Fallen Dragon). Essa abordagem contida desenvolve melhor a rica mitologia da franquia e o arco dos personagens.

No entanto, as missões secundárias continuam sendo o grande ponto fraco da franquia. Elas ainda apostam em estruturas maçantes e personagens bem genéricos. Esse fator decepciona consideravelmente, pois a nova ambientação congelada oferecia o palco perfeito para roteiros criativos e marcantes.

Evolução no combate e Sistema de Relíquias

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen – Divulgação / Capcom

A jogabilidade clássica, liderada pelo sistema de “Peões” (Pawns) e batalhas contra chefões colossais, alcança um patamar superior. A expansão não adiciona novas Vocações completas, o que frustrou parte da comunidade. Em contrapartida, o jogo amplia de maneira absurda os espaços de habilidades para cada classe já existente, oferecendo magias inéditas e golpes viscerais.

Essas novidades táticas estão fortemente ligadas ao Sistema de Relíquias. A partir de agora, as armas e armaduras derrubadas por inimigos de elite chegam em estado bruto. Elas precisam ser devidamente avaliadas em Norgan para revelar seus atributos reais. Portanto, trata-se de uma forte mecânica focada no ganho de equipamentos (loot), que recompensa os mais dedicados com builds impressionantes.

Rituais Perdidos: O desafio extremo para veteranos

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen – Divulgação / Capcom

Para destravar as famosas Chamas de Oferenda, que garantem poderes absolutos, os jogadores precisam superar os Rituais Perdidos (Lost Rites). Essas difíceis masmorras ficam espalhadas pelo mapa antigo do game, obrigando você a revisitar locais nostálgicos. A cereja do bolo dessas missões são as restrições impostas. Algumas provações exigem que o Nascen lute sem seus companheiros e outras impõem severos limites de peso.

Tudo isso culmina em uma dificuldade extremamente bem calibrada. A inclusão da dificuldade “Hard Mode” força a exploração e a cautela do usuário a todo instante. O sistema de acampamento, a cura e o uso estratégico do seu Peão finalmente ganham o peso dramático que sempre mereceram.

Vale a pena?

Visualmente, a viagem pelos picos de Norgan é formidável. Mais importante do que as belas paisagens: os infames problemas de engasgo e lentidão que assombravam a RE Engine desapareceram por completo. A experiência toda flui com uma qualidade visual impecável, mesmo com a tela entupida de efeitos, fumaça e relâmpagos.

O ciclo infinito de missões e o encerramento do novo conteúdo “endgame” mostram que a Capcom ouviu ativamente os fãs de longa data. A desenvolvedora não apenas remediou as falhas passadas, mas elevou a sua IP ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Tal como o próprio Nascen, “Dragon’s Dogma 2” provou que conseguiria sobreviver mesmo perdendo o seu coração no lançamento. Contudo, é apenas com Dark Arisen que a obra finalmente se torna completa.

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