Homem-Aranha: roteiristas comentam Hulk e escolha de vilão

Andre Luiz

O Hulk é parte importante de Homem-Aranha: Um Novo Dia e chega a se colocar como um obstáculo ao protagonista, embora não seja um vilão. Os roteiristas do filme falaram ao The Wrap sobre a presença de Bruce Banner e a escolha do verdadeiro antagonista da história.

O padrão que foi quebrado

Os três filmes anteriores seguiam a mesma lógica. Havia sempre alguém orientando o protagonista, papel ocupado por Tony Stark, depois por Quentin Beck e Nick Fury, e por fim Stephen Strange. A nova produção abandonou aquilo de propósito. Erik Sommers explicou o raciocínio:

A gente já viu que ele procura esses mentores. É um personagem mais jovem, tem pessoas que admira, e às vezes dá certo, às vezes não. Mas vamos parar com isso. Queremos contar uma história sobre ele amadurecendo. Parte de crescer é começar a resolver as coisas sozinho, a encontrar as próprias respostas, sem recorrer aos outros.

Ele detalhou o efeito daquela mudança. Segundo o roteirista, as relações do protagonista agora acontecem entre iguais, como colegas e adultos, e não mais como o garoto que pede conselho a alguém mais velho.

Por que Bruce Banner entrou

A presença dele tem função específica. Chris McKenna contou que a equipe queria dar ao protagonista um problema de natureza aracnídea, e o cientista era a pessoa certa para consultar. Havia também razão prática:

O Hulk seria um ótimo personagem de legado para a nossa vilã controlar mentalmente, e aí conseguimos uma grande luta entre Homem-Aranha e Hulk. Foi uma daquelas coisas que se encaixaram, e ficamos muito felizes e com sorte de a Marvel ter permitido usá-lo no filme.

Homem-Aranha e Hulk – Reprodução/Marvel Studios/Sony

A peça que faltava

O controle mental estava no roteiro desde o início. Faltava, porém, o personagem certo para cumprir aquela função.

A escolha por Jean Grey resolveu o impasse. Segundo o roteirista, ela espelha bem a trajetória do protagonista e permite espaço para humanizar e redimir a personagem adiante. A opção por uma vilã de fora do repertório do Homem-Aranha foi deliberada. A ideia era cimentar o lugar do herói dentro do universo maior da editora.

O peso da mudança

A perda de mentores marcou a franquia toda. Nossa cobertura já analisou como o chefe das Indústrias Stark ocupou o espaço que o tio Ben preenche nos quadrinhos, discussão que o próprio Tom Holland levantou anos atrás.

O segundo filme já mostrava o risco daquele padrão. Já falamos sobre como como a figura que parecia um novo orientador acabou se revelando um adversário, justamente por explorar a carência do protagonista.

Para o leitor, há ainda um contexto: a dupla de roteiristas assina os três filmes anteriores do herói e trabalha agora nas próximas produções dos Vingadores. A trajetória do protagonista mudou bastante desde 2016. Ele estreou como adolescente inseguro e chega a este filme como adulto operando sozinho.

O que vem pela frente

A conexão com os mutantes pode render. O herói acabou envolvido na criação de um dispositivo capaz de neutralizar poderes, elemento que a próxima fase pode explorar. O desejo do público, porém, é outro. Boa parte dos fãs prefere ver o próximo filme centrado em um adversário tradicional do repertório dele.

Homem-Aranha: Um Novo Dia segue em cartaz nos cinemas.

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