007: Saoirse Ronan quer ser vilã de James Bond

Andre Luiz

O próximo filme de James Bond começa a ganhar forma. A Amazon MGM já tem Denis Villeneuve na direção e Steven Knight, criador de Peaky Blinders, assinando o roteiro. Até a escolha do próximo ator para viver o agente secreto já rende rumores.

Restam, porém, outras peças fundamentais: quem será M, quem interpretará Moneypenny e, claro, quem será a próxima Bond girl. Uma atriz específica já levantou a mão para o posto, mas recusa o papel de simples adorno romântico ao lado do agente do MI6. Ela quer ser o tipo de vilã que a franquia não apresenta há 27 anos.

Um desejo declarado sem rodeios

Saoirse Ronan quer ser a próxima grande vilã de Bond, não uma capanga nem uma agente dupla que muda de lado no meio do caminho. Em entrevista à revista Empire, a atriz afirmou estar falando sério sobre a vontade de enfrentar o famoso 007. Ronan já circulou pelo universo de espionagem e assassinatos antes, em Hanna, onde viveu uma jovem assassina tentando escapar dos próprios treinadores.

Não há qualquer indicação de que a atriz esteja de fato em negociações para o papel. A produtora Amy Pascal já sugeriu que o próximo Bond pode ser anunciado até o fim do ano. Villeneuve e Knight, porém, ainda lapidam o roteiro, então o elenco de apoio segue longe de fechado. Ainda assim, uma indicada ao Oscar quatro vezes se oferecendo abertamente para atormentar Bond é proposta difícil de ignorar.

Uma ausência que já dura décadas

Bond já enfrentou diversas mulheres perigosas ao longo dos anos. Rosa Klebb tentou matar o agente de Sean Connery com um sapato envenenado em Moscou Contra 007. Xenia Onatopp quase acabou com Pierce Brosnan ao prendê-lo entre suas pernas letais em 007: GoldenEye. Miranda Frost trai tanto Bond quanto o próprio país em 007: Um Novo Dia Para Morrer.

Famke Janssen como Xenia Onatopp em 007 Contra GoldenEye
Xenia Onatopp em 007 Contra GoldenEye (Foto: Reprodução/Amazon MGM Studios)

Essas personagens renderam momentos memoráveis, mas sempre como capangas ou antagonistas secundárias, equilibradas ao lado das Bond girls “do bem”. A Elektra King de Sophie Marceau foi diferente.

Em 007: O Mundo Não É o Bastante, Marceau começa como mais uma Bond girl precisando de proteção. O terrorista de Robert Carlyle parece o vilão óbvio da trama. O filme então vira o jogo e revela que ela era a verdadeira antagonista. Assim, tornou-se a primeira mulher a ocupar o papel de vilã principal na história da franquia. Nenhum filme de Bond repetiu a dose desde 1999.

Vilania à altura de um prêmio

A proposta de Ronan de ser adversária, em vez de Bond girl descartável, é exatamente o tipo de subversão que a franquia precisa. O próximo filme da série 007 vai resetar quase tudo após a passagem de cinco filmes de Daniel Craig.

A produção tem potencial também para resetar a dinâmica de gênero e criar uma vilã memorável que não persegue Bond por charme ou boa aparência. Uma mentora jovem de olho na dominação mundial separaria imediatamente a estreia de Villeneuve na saga da era Craig.

Não seria a primeira vez que uma indicada ao Oscar quer medir forças com Bond: Halle Berry foi recrutada para 007: Um Novo Dia Para Morrer recém-saída da vitória no Oscar por Monster’s Ball, com a personagem Jinx posicionada como equivalente e parceira do agente.

A aposta em elenco de prestígio só cresceu durante os filmes de Daniel Craig. O período já rendeu especulação de outros atores no papel de vilão, como mostra a negociação antiga de Rami Malek para interpretar o antagonista da franquia, papel que ele acabou conquistando. Ronan se encaixa nesse molde. A diferença é que está disputando um posto que a franquia quase nunca oferece a mulheres.

É um universo que também já valorizou personagens femininas de peso ao lado do agente, como mostrou o trailer de Sem Tempo Para Morrer, com destaque para as personagens de Ana de Armas e Lashana Lynch.

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