Em entrevista durante os 35 anos da franquia, o chefão da Sonic Team, Takashi Iizuka, fez uma revelação surpreendente. A Sega chegou a cogitar encerrar “Sonic” de vez. Foi o primeiro filme live-action, lançado em 2020, que reverteu essa decisão e mudou o rumo do ouriço azul.
Um filho mais velho que os próprios filhos
Falando durante a Tokyo Game Show, Takashi Iizuka não escondeu o quanto “Sonic” é pessoal para ele. Aos 56 anos, o produtor está envolvido com a franquia desde o início dos anos 1990.
Ele comparou a relação a um vínculo de paternidade: a série já é mais velha que os próprios filhos dele. Essa proximidade explica, em parte, a franqueza com que ele relembrou os momentos mais sombrios da trajetória do ouriço.
A Sega quis encerrar tudo
Segundo o produtor, em entrevista ao site One More Game, houve fases boas e fases ruins ao longo dos 35 anos de “Sonic”. No pior desses momentos, executivos da Sega chegaram a orientá-lo a cancelar a franquia por completo. Iizuka contou que precisou travar uma verdadeira batalha interna dentro da empresa para manter o projeto vivo pelo maior tempo possível.
O relato surpreende justamente por vir de uma das figuras mais reconhecíveis da indústria de games. Iizuka esteve presente em praticamente todos os jogos principais da série desde 1992. A ideia de que a Sega chegou perto de simplesmente apagar Sonic do mapa contrasta com o status de ícone que o personagem carrega hoje.
O filme que salvou o ouriço

Foi em 2020, quando a franquia se aproximava dos 30 anos, que o primeiro longa live-action de “Sonic the Hedgehog” chegou aos cinemas. O projeto enfrentou forte rejeição inicial dos fãs por causa do visual do personagem, redesenhado às pressas antes da estreia após a repercussão negativa. Ainda assim, o filme se tornou um sucesso tanto de crítica quanto de bilheteria.
Segundo Iizuka, esse foi o maior marco de toda a sua trajetória com a franquia. Ele descreveu o longa como um grande sucesso que mudou completamente os rumos de “Sonic” dentro da Sega. O primeiro filme arrecadou cerca de US$ 320 milhões mundialmente. O orçamento é estimado entre US$ 85 milhões e US$ 90 milhões, valores sujeitos a variação conforme a fonte consultada.
Shadow também esteve na berlinda
Sonic não foi o único personagem que quase não sobreviveu às decisões internas da Sega. Segundo Iizuka, o estúdio também cogitou aposentar Shadow the Hedgehog em determinado momento, plano que só mudou de rumo graças à popularidade crescente do personagem.
A revelação tem um toque pessoal: Shadow é o favorito declarado do próprio produtor. Hoje, o antigo coadjuvante disputa de igual para igual a popularidade de Sonic, Tails e Knuckles.
Um futuro com mídia nova quase todo ano
O sucesso do cinema não apenas garantiu sobrevida à franquia como abriu caminho para sequências, incluindo um quarto filme já confirmado para 2027. Desde então, novos jogos, séries animadas e outros produtos passaram a fazer parte de um plano maior da Sega. Segundo a própria empresa, a meta agora é lançar algum tipo de mídia relacionada a “Sonic” praticamente todos os anos.
Para Iizuka, a ambição vai além de manter o personagem relevante nos games. Ele afirmou que o objetivo é transformar Sonic em um ícone tão universal quanto os personagens clássicos da Disney. É uma meta que, segundo ele, a equipe ainda persegue mesmo depois de 35 anos de história.





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