Spider-Noir estreou em maio deste ano com uma recepção surpreendentemente positiva. A série somou 92% de aprovação no Rotten Tomatoes. Ainda assim, a Amazon MGM Studios optou por não renovar a série para uma segunda temporada.
A decisão ficou ainda mais controversa depois que a produção faturou cinco prêmios Emmy. A trama é derivada do universo popularizado por Homem-Aranha no Aranhaverso. Nela, Nicolas Cage interpreta Ben Reilly, um detetive particular que também atua como o vigilante conhecido como Aranha. A ação se passa em uma Nova York mergulhada na Grande Depressão.
O showrunner Oren Uziel deu entrevista à revista Variety após a cerimônia do Emmy. Nela, comentou que ao menos a primeira temporada não deixou pontas soltas. Segundo ele, o roteiro foi pensado como uma história fechada, inspirada nos clássicos filmes noir da década de 1940. Nesses filmes, um caso se inicia e se resolve dentro do mesmo arco.
Nova York rumo à Segunda Guerra Mundial
Questionado sobre o que poderia vir a seguir, Uziel afirmou que uma eventual segunda temporada tiraria Ben Reilly de Nova York. Entre as possibilidades cogitadas pelo criador estavam Los Angeles e a Europa. Esta última seria especialmente interessante, dado o contexto histórico em que a trama está ambientada.
Isso porque a primeira temporada de Spider-Noir se passa em 1933. Esse ano antecede diretamente a ascensão dos regimes totalitários e o início da Segunda Guerra Mundial. Uziel destacou esse período como um terreno fértil para novas histórias. Segundo ele, o cenário estaria repleto de vilões em potencial para o detetive aracnídeo enfrentar.
Um vilão histórico pela frente
Direitos autorais provavelmente impediriam uma versão noir do Caveira Vermelha. Ainda assim, a ideia de opor Ben Reilly a agentes nazistas rende boas possibilidades.
Uma variante do Duende Verde alinhada ao Eixo, por exemplo, mostra o quanto a equipe criativa enxergava potencial dramático na virada para os anos 1940.

O maior arrependimento do criador
Mais do que a trama perdida, algo parece pesar de fato para Oren Uziel. Trata-se de não poder repetir a experiência ao lado do elenco e da equipe que construiu Spider-Noir ao longo da primeira temporada.
Meu maior arrependimento por não termos outra temporada é não poder fazer tudo de novo com essas pessoas. É como se eu não tivesse o próximo show ou filme programado para reunir todo mundo outra vez.
Uziel também foi questionado se o sucesso no Emmy poderia abrir espaço para uma reviravolta, com a série sendo revivida em outra plataforma. A resposta veio cheia de ressalvas. Segundo ele, ainda não existe nenhuma conversa avançada nesse sentido. As questões contratuais envolvidas, segundo o próprio criador, provavelmente tornariam esse tipo de acordo bastante complicado.
O cancelamento de Spider-Noir e o mercado do streaming
O caso de Spider-Noir reforça um padrão que vem se repetindo no streaming atual. Aclamação crítica e prêmios já não garantem mais a sobrevivência de uma série. Para os fãs, a notícia é agridoce, já que a chance de ver Ben Reilly enfrentando o nazismo dificilmente vai se concretizar.
Por outro lado, o desfecho fechado da primeira temporada evita o problema comum de séries canceladas com pontas soltas. Esse tipo de frustração já prejudicou outras produções do gênero, algo bem diferente do que se viu em Homem-Aranha no Aranhaverso e suas continuações ainda em produção.
Para a Sony e a Amazon, a repercussão positiva também não sai totalmente desperdiçada. Nicolas Cage segue provando sua versatilidade em papéis ligados a quadrinhos. Os estúdios continuam investindo no universo estendido do Homem-Aranha fora do MCU, mesmo sem essa produção na equação.
Resta saber se o carinho do público, somado ao reconhecimento da Academia de Televisão, vai pesar o suficiente para uma eventual reviravolta no futuro. Por ora, Spider-Noir permanece como uma história fechada. Ainda assim, guarda um universo de possibilidades que os fãs só vão poder imaginar.






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