A série de sucesso do Prime Video é muito mais do que uma trama de super-herói. Ela traz de volta um estilo de ficção que andava esquecido nas telas.
A nova aposta do Prime Video, “Spider-Noir”, é, sem dúvida, uma série de super-herói. No entanto, ela também ressuscita um gênero clássico da ficção policial. Com Nicolas Cage no papel de Ben Reilly, a produção acompanha um detetive particular na Nova York dos anos 1930 que, nas horas vagas, age como um vigilante com poderes de aranha. Mais do que um espetáculo de ação, a série promove um verdadeiro renascimento do gênero detetive.
Nicolas Cage como Ben Reilly, o detetive aranha
Na prática, Cage retoma o papel do Homem-Aranha Noir, personagem que ele já dublou nos filmes do Aranhaverso. Desta vez, porém, a versão é em live-action, com oito episódios para aprofundar a figura de forma muito mais detalhada. O resultado conquistou tanto o público quanto a crítica.
Não à toa, “Spider-Noir” disparou rapidamente para o topo das mais assistidas do catálogo da Amazon. A premissa de Cage interpretando um detetive durão com poderes de aranha já era um ótimo gancho. Contudo, a série vai muito além disso e se firma como uma trama policial envolvente por mérito próprio.
O renascimento do gênero noir
Quando reencontramos Ben, ele está aposentado de sua carreira como o Spider. Em seu lugar, dedica-se à profissão de investigador particular. Eventualmente, ele é forçado a retomar o manto quando uma série de supervilões surge pela cidade. Mesmo assim, o que realmente o puxa para o mistério central é justamente o seu trabalho como detetive.
Atenção: leve spoiler a seguir. Segundo a crítica, a série atinge seu ápice no episódio 6, com um flashback sobre a origem de Ben. O episódio mistura o clima de antigos filmes de casa mal-assombrada com o terror corporal de David Cronenberg e a atmosfera de pesadelo típica de David Lynch. É uma viagem à parte dentro da temporada.
Assim como em dezenas de noirs clássicos, a vida do detetive vira de cabeça para baixo quando uma bela femme fatale entra em seu escritório em busca de ajuda. Já vimos isso em obras como “Chinatown”, “The Big Sleep” e “The Long Goodbye”. Afinal, o investigador particular é um arquétipo perfeito para o noir, pois ele não é exatamente um policial, mas também não é um criminoso. Ele transita entre os dois mundos.
O gênero detetive perdeu força desde os anos 70

Filmes e séries sobre investigadores particulares foram enormes no pós-guerra. Diante dos horrores da Segunda Guerra Mundial, o público encontrava conforto nas histórias sombrias de detetives como Sam Spade e Philip Marlowe. Mais tarde, a nova geração de cineastas dos anos 1970, criada sob a influência do film noir, trouxe sua própria versão do estilo.
Esse movimento gerou uma onda de produções memoráveis na década. Desde então, no entanto, o gênero perdeu fôlego. Ainda vemos um neo-noir ocasional, como “Dois Caras Legais” (The Nice Guys) e “Vício Inerente” (Inherent Vice), além do detetive Benoit Blanc, da franquia “Entre Facas e Segredos” (Knives Out). Mesmo assim, esse tipo de história anda escasso nas telas.
Por que isso importa para o futuro do gênero
Para boa parte da crítica, “Spider-Noir” é exatamente o que a Sony deveria ter feito com seu universo de personagens do Homem-Aranha desde o início. Em vez de apostas que dividiram opiniões, como “Madame Teia” (Madame Web) e “Morbius”, a série entrega uma visão autoral, uma história que vale a pena contar e, finalmente, um Homem-Aranha de verdade.
Em resumo, o sucesso da produção pode abrir portas para uma nova retomada do gênero detetive. Se quiser relembrar o papel de Cage no universo animado, vale conferir nossa matéria sobre o futuro do Aranhaverso nos cinemas. Com sorte, os Spades e Marlowes podem voltar a ocupar as telas em breve, e tudo graças a uma aranha dos anos 1930.






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