Steven Spielberg revela por que desistiu de dirigir Harry Potter

Andre Luiz

Steven Spielberg é responsável por algumas das maiores franquias da história do cinema, como Indiana Jones e Jurassic Park. No entanto, há uma série de enorme sucesso que ele optou por deixar passar: Harry Potter.

Agora, o diretor trouxe uma nova explicação sobre os bastidores dessa decisão, revelando um motivo que ainda não havia sido detalhado.

A troca por outro grande projeto

Em entrevista ao canal Turner Classic Movies, Spielberg contou que abriu mão de dirigir o primeiro filme do bruxo para assumir uma produção completamente diferente: A.I. – Inteligência Artificial, lançado em 2001. Segundo ele, a decisão foi motivada pela morte do icônico cineasta Stanley Kubrick, em 1999.

O diretor explicou que o projeto de A.I. era originalmente de Kubrick, e que a missão de levá-lo adiante lhe foi confiada de uma forma muito pessoal, durante um dos momentos mais delicados após a perda do amigo e colega de profissão.

“Após a morte de Stanley, eu estava no funeral, na casa dele. A Christiane Kubrick e o Jan Harlan, irmão dela, me procuraram para que eu assumisse o lugar do Stanley, como ele pretendia, e dirigisse o filme.”

Uma decisão difícil

Spielberg deixou claro que estava bastante avançado nas negociações para comandar a adaptação do livro de J.K. Rowling, tornando a escolha ainda mais difícil. A obra já era um fenômeno cultural antes mesmo de chegar aos cinemas, e ele tinha plena consciência do tamanho que o projeto teria.

Na verdade, eu abri mão de Harry Potter, que estava agendado para ser meu próximo filme como diretor. Eu desisti. Seria um filme enorme, porque o livro já era um fenômeno cultural avassalador. Abri mão disso para basicamente fazer A.I.

Cena de A.I. – Inteligência Artificial – Reprodução/Warner Bros.

Não é uma contradição

Vale esclarecer que essa nova revelação não contradiz declarações anteriores do diretor sobre o tema. Em 2023, Spielberg havia afirmado que recusou o longa para passar mais tempo com a família, já que a produção exigiria cerca de um ano e meio de trabalho em Londres, longe dos filhos pequenos.

Em outra ocasião, em 2021, ele mencionou ter algumas reservas sobre dirigir um filme voltado inteiramente para o público infantil.

Na prática, todos esses fatores parecem ter convergido ao mesmo tempo: a vontade de ficar perto da família, as dúvidas sobre o tom do projeto e, principalmente, o pedido da família de Kubrick. Tudo se resumiu a uma questão de oportunidade.

Foi a escolha certa?

Na avaliação de boa parte da crítica, apesar de parecer uma grande oportunidade perdida, a decisão de Spielberg se mostrou acertada com o passar do tempo. Embora A.I. – Inteligência Artificial não tenha recebido todo o reconhecimento merecido em seu lançamento, o filme é hoje reavaliado de forma muito positiva, levantando questões sobre tecnologia e humanidade que se tornaram ainda mais atuais.

Além disso, aquele momento marcou o início de uma fase criativa interessante na carreira do diretor, que na sequência realizou obras instigantes como Minority Report: A Nova Lei e Prenda-me Se For Capaz. Enquanto isso, a saga do bruxo seguiu em frente sob o comando de Chris Columbus e se tornou um sucesso absoluto, mostrando que a separação foi boa para ambos os lados.

O futuro de Harry Potter

A relevância do assunto cresce justamente agora, em um momento de renovação para o universo bruxo. A franquia está prestes a ganhar uma nova vida com a aguardada adaptação em formato de série, atualmente em produção pela HBO, que pretende recontar a história dos livros com ainda mais detalhes.

Steven Spielberg não para de trabalhar. O cineasta tem um novo filme de ficção científica, Dia D, que acaba de chegar aos cinemas brasileiros, provando que, mesmo após décadas de carreira, ele continua sendo um dos nomes mais importantes e produtivos de Hollywood.

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