Star Trek quase fez crossover com Doctor Who

Vinicius Miranda

O showrunner revelou que as conversas com a BBC avançaram bem mais do que os fãs imaginavam. A estreia da quarta temporada trouxe mais uma piscadela para a série britânica.

A estreia da quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds chegou ao Paramount+ em 23 de julho de 2026 com mais uma referência a Doctor Who. Dessa vez, porém, veio junto uma revelação bem maior. O corroteirista e produtor Akiva Goldsman confirmou que as duas franquias chegaram a discutir um crossover de verdade, e que as conversas foram bem além de uma ideia solta.

A piada escondida na estreia

O episódio de abertura, chamado Valles Marineris, começa com a Enterprise enviada para investigar uma tempestade interestelar de categoria dez. A engenheira Pelia, vivida por Carol Kane, descreve o fenômeno como o espaço-tempo enlouquecido.

Na sequência vem a piada. Ela comenta que já viu algo parecido antes e acha que estava dentro de uma cabine telefônica na ocasião. A reação de espanto do capitão Pike, interpretado por Anson Mount, completa a cena. É uma referência direta à TARDIS, a nave do Doutor, que tem justamente o formato de uma cabine policial britânica.

Não é a primeira vez. Na terceira temporada, a personagem já havia mencionado uma viagem no tempo ao lado de um Doutor, e a própria TARDIS chegou a aparecer ao fundo de uma cena.

O crossover que quase saiu do papel

Em entrevista ao site SYFY Wire, Goldsman detalhou o que aconteceu nos bastidores. Segundo ele, a equipe conversou com Russell T Davies, então responsável pela série britânica, e o papo não ficou no campo das hipóteses.

Nós realmente conversamos com o Russell por um tempo sobre cruzar as duas séries. (tradução livre)

O produtor explicou que a discussão avançou até a parte prática, ou seja, como o encontro funcionaria na tela. Ele também lembrou que a união entre os dois universos já aconteceu nos quadrinhos.

A decisão de assumir que o encontro aconteceu

O detalhe mais saboroso da entrevista muda o peso das referências. Como o crossover não avançou, a equipe optou por partir do princípio de que ele existiu de alguma forma. As piadas com a TARDIS deixam de ser apenas homenagens e passam a funcionar como um aceno oficial, ainda que informal, entre as duas franquias.

Por que a ideia travou

Os motivos são mais burocráticos do que criativos. A série britânica passou por uma fase de coprodução internacional que chegou ao fim, e Russell T Davies deixou o comando. Atualmente, Doctor Who vive um hiato, enquanto a BBC busca um novo parceiro de produção.

Nesse cenário, licenciar um encontro com uma franquia de outro estúdio vira uma equação complicada. Portanto, por enquanto, as referências devem seguir sendo o limite dessa aproximação. Vale lembrar que a série britânica estreou em 1963 e acumula centenas de episódios, com um histórico de reinvenções que já rendeu até produções derivadas encomendadas pela BBC.

Spoilers do episódio a seguir

O episódio vai muito além da brincadeira. A tempestade arremessa a Enterprise 65 milhões de anos para trás, na Terra pré-histórica, bem no período final do Cretáceo. A trama se apoia em um paradoxo de predestinação e mexe diretamente com a origem da própria espécie humana dentro da ficção.

Antes disso, o capitão Robert April oferece a Pike uma promoção ao posto de comodoro, proposta que ele pede tempo para pensar. Saffron Burrows aparece como uma comandante marciana da era pré-histórica. A crítica internacional recebeu bem o episódio, ainda que parte dos veículos tenha apontado que a lógica temporal não resiste a uma análise mais rigorosa.

Quando saem os próximos episódios

A temporada segue o modelo semanal. São dez episódios ao todo, com lançamentos toda quinta-feira no Paramount+ até 24 de setembro de 2026. O segundo capítulo, intitulado Griffin Incident, chega em 30 de julho.

Duas franquias que se completam

A insistência nas referências revela algo sobre o momento das duas séries. Star Trek, conhecida no Brasil também como Jornada nas Estrelas, sempre tratou viagem no tempo como ferramenta narrativa ocasional, dentro de uma lógica científica rígida. A produção britânica faz o oposto, colocando o caos temporal no centro de tudo.

Aproximar as duas linguagens, portanto, não é um capricho. A quarta temporada parece disposta a abraçar essa influência de forma mais assumida, e o episódio de estreia é a prova disso. Para o público que acompanha a franquia criada por Gene Roddenberry desde os anos 1960, é uma mudança de tom que vale acompanhar de perto.

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