Poucos assuntos dividem tanto os amantes de livros quanto uma pergunta simples: ouvir um audiolivro conta como leitura? A discussão ressurge com força em espaços como BookTok e Reddit. E, para surpresa de muitos, Stephen King já havia cravado sua posição sobre o tema muito antes da polêmica virar tendência online.
A posição de Stephen King sobre audiolivros
Ainda no ano 2000, em seu livro sobre o ofício da escrita, Sobre a Escrita, o autor defendeu os audiolivros com entusiasmo. Na época, ele chegou a chamá-los de uma revolução, mesmo quando ainda existiam em fitas e CDs.
Segundo King, o formato é uma forma prática de aproveitar melhor o tempo de leitura, seja dirigindo, limpando a casa ou caminhando. O escritor afirma consumir vários títulos em áudio a cada ano, encaixando-os na rotina sempre que possível.
Na obra, o escritor resume seu ponto de vista de maneira direta:
Você pode até ler enquanto dirige, graças à revolução dos audiolivros.
Uma defesa antiga que virou tradição
A posição do autor não parou por aí. Em 2007, num ensaio publicado na revista Entertainment Weekly, King reforçou que discorda totalmente de quem despreza a escuta como uma forma de leitura. Para ele, reconhecer que ouvir e enxergar um texto são processos diferentes é válido, mas colocar um acima do outro seria um equívoco.
Vale lembrar que King é um dos autores mais prolíficos e lidos das últimas décadas. Além de escrever sem parar, ele é conhecido por ser um leitor voraz, algo evidente em sua vasta lista de obras aclamadas. Por isso, sua opinião carrega bastante peso na comunidade literária.

Os dois lados do debate
De um lado, quem concorda com Stephen King argumenta que os audiolivros ampliam o acesso à leitura. Afinal, eles ajudam pessoas que têm dificuldade em acompanhar textos na página e são essenciais para leitores com deficiência visual. Muitos ainda misturam os formatos, ouvindo um capítulo no trajeto e lendo outro à noite.
Por outro lado, os críticos sustentam que ler e ouvir são atos cognitivos fundamentalmente distintos. Segundo essa visão, a leitura exigiria mais engajamento mental, enquanto a escuta costuma acontecer em meio a outras tarefas, o que poderia prejudicar a absorção do conteúdo. Assim, apesar da defesa antiga de King, a discussão segue longe de um consenso.
Uma tradição mais antiga que a própria escrita
Há ainda um argumento histórico a favor da escuta. Afinal, a literatura começou com a tradição oral, e a escrita veio depois. A recitação sempre foi parte fundamental das artes literárias, tanto que os autores costumam ler trechos de suas obras em turnês de divulgação.
Não à toa, o próprio King narra a versão em áudio de Sobre a Escrita. E vale destacar que boa parte de sua extensa produção literária, de O Iluminado a It: A Coisa, também ganhou vida em formato de audiolivro ao longo dos anos.
No fim das contas, a melhor maneira de consumir um livro talvez seja simplesmente aquela que aproxima cada pessoa das histórias. Cada leitor tem seus próprios hábitos, e o importante é manter o contato com a literatura. E, nesse ponto, poucos defenderam a causa por tanto tempo quanto o mestre do terror.






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