Final de James Kirk em Strange New Worlds pode dividir os fãs

Vinicius Miranda

A série precisa preparar a chegada de Kirk ao comando da Enterprise. E o destino de personagens queridos promete gerar muita polêmica.

O universo de “Star Trek” vive um momento decisivo e cheio de expectativas. A ascensão de James T. Kirk em “Star Trek: Strange New Worlds” tende a dividir a comunidade, à medida que a série caminha para se conectar aos eventos da clássica “Star Trek: The Original Series”. Ambientada entre 2259 e 2265, a produção ocupa um lugar curioso na cronologia da franquia. Afinal, ela funciona como uma prequela que precisa entregar os personagens exatamente onde a lendária série dos anos 1960 os encontrou. Por isso, o final reserva escolhas narrativas bastante delicadas para os roteiristas.

A difícil missão de conectar as histórias

Com apenas mais duas temporadas pela frente, “Strange New Worlds” tem cerca de 16 episódios para garantir uma transição suave. O grande desafio é explicar a promoção do Capitão Pike a Capitão da Frota e, ao mesmo tempo, o primeiro dia de Kirk no comando.

Nesse processo, surge uma questão espinhosa. A série precisa justificar por que alguns membros queridos da tripulação de Pike simplesmente não aparecem em “The Original Series”. Personagens como a Número Um, a Tenente La’an Noonien-Singh, a Tenente Erica Ortegas e a Comandante Pelia precisam de um desfecho.

Vale lembrar que a série original começa durante o segundo ano de Kirk como capitão. Portanto, o tempo para amarrar todas essas pontas é bem mais curto do que parece à primeira vista.

O destino selado do Capitão Pike

Capitão Pike – Divulgação / Paramount

Ao contrário de sua tripulação, o futuro de Christopher Pike já está gravado em pedra pelo cânone da franquia. Cerca de um ou dois anos após sua promoção, ele sofre um acidente trágico e heroico em serviço, tentando salvar seus cadetes.

Como consequência, o personagem fica gravemente ferido, paralisado e incapaz de se comunicar. Eventualmente, com a ajuda de Spock, Pike retorna ao planeta proibido Talos IV. Lá, ele passa a viver uma vida de ilusão ao lado de Vina, conforme mostrado no especial em duas partes “The Menagerie”.

Aceitar esse destino sombrio tem sido uma parte central da jornada de Pike na série. Dessa forma, é bastante improvável que os roteiristas mudem esse rumo já consolidado.

Os dois caminhos possíveis para o desfecho

Segundo análises da imprensa especializada, existem basicamente dois caminhos para explicar a ausência dessa tripulação. O primeiro, e mais simples, seria matar ou remover à força os personagens que não aparecem na série original.

Eliminar certos personagens durante uma missão perigosa seria a forma mais limpa de justificar o sumiço, sem bagunçar a linha do tempo. No entanto, essa escolha provavelmente irritaria a base de fãs mais fiel, dada a importância dessas figuras para a trama.

Já o segundo caminho é mais complexo, porém emocionalmente mais satisfatório. A ideia seria dar a esses personagens os finais que eles merecem, seja por meio de promoções na Frota Estelar ou de uma vida fora do serviço militar. Contudo, qualquer uma dessas opções correria o risco de contrariar o cânone estabelecido.

Personagens que merecem um bom adeus

Aqui mora o cerne do debate levantado por fãs e críticos. Figuras como a Número Um, Pelia, Ortegas e La’an representam muito para o público que acompanha a série. Simplesmente descartá-las fora de cena soaria como um desperdício.

A beleza de “Strange New Worlds”, assim como a da série clássica, está em funcionar como uma porta de entrada para novos espectadores. Ela oferece uma amostra da verdadeira ficção científica episódica e de tudo o que a Frota Estelar representa.

Durante a San Diego Comic-Con do ano passado, os showrunners Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers comentaram justamente sobre esse encerramento. Eles reforçaram o compromisso de dar um fecho digno a cada um dos personagens.

A missão da quinta e última temporada, com seis episódios, é nos levar exatamente até o primeiro dia de Kirk na cadeira. Do ponto de vista do cânone, provavelmente haverá algumas perguntas a serem respondidas. Elas precisam ser. Você tem que saber onde algumas pessoas vão parar e como algumas mudam de posição.

Myers ainda complementou a fala do colega com uma reflexão sobre a importância de cada membro da tripulação.

Todo mundo tem uma história, e todos nós merecemos saber como eles terminam.

Analisando o cenário, a natureza de prequela de “Strange New Worlds” é ao mesmo tempo sua força e sua limitação. A dedicação dos roteiristas em respeitar o cânone é admirável, mas a história desses personagens já foi, em grande parte, escrita décadas atrás.

Para os fãs, o risco é que o impacto dessas figuras acabe diluído. Relações construídas com carinho ao longo das temporadas, como a de Pelia com Scotty ou a de La’an com Spock, podem parecer passageiras caso o desfecho não seja bem conduzido. Consequentemente, a despedida precisa ser cuidadosa.

Do ponto de vista do mercado, a série é um dos maiores trunfos do Paramount+ e da franquia, que celebra 60 anos. Acertar o final é crucial não só para a honra de Kirk e Pike, mas para o legado da produção.

“Star Trek: Strange New Worlds” estreia sua quarta temporada em 23 de julho no Paramount+. E você, como acha que a série deveria encerrar a história desses personagens? Conte para a gente nos comentários!

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