Antes de dividir a crítica nos cinemas, o live-action trocou de diretor e mudou de distribuidora. O roteiro ainda passou por dois anos de reescrita.
Os bastidores do filme de Street Fighter renderiam um roteiro à parte. O live-action de Street Fighter chegou aos cinemas nesta semana, mas o caminho até a telona foi cheio de obstáculos. Houve troca de diretores, um roteiro inicial considerado fraco e até mudança de estúdio no meio do percurso. Com a estreia dividindo opiniões, essa bagagem ajuda a entender o resultado final.
O projeto nasceu em abril de 2023, quando a Legendary Entertainment garantiu os direitos da franquia de luta da Capcom. Desde então, quase nada saiu como o planejado.
A dança das cadeiras na direção

Os primeiros nomes ligados ao projeto foram Danny e Michael Philippou, diretores do terror Fale Comigo (“Talk to Me”). A dupla chegou a desenvolver as sequências de luta, mas abandonou o barco em junho de 2024, antes das filmagens. Na época, os irmãos priorizaram o terror Traga Ela de Volta (“Bring Her Back”).
Michael Philippou explicou a saída em entrevista destacada pelo ComicBook:
Foi só uma questão de agenda. O momento simplesmente não se encaixou, mas nós amamos a Legendary (tradução livre)
A vaga só foi preenchida em fevereiro de 2025, com a contratação de Kitao Sakurai. O cineasta é conhecido pelo humor caótico de Bad Trip e da série The Eric Andre Show. O Ei Nerd acompanhou a novela quando o live-action ganhou novo diretor.
Um roteiro “bem cru” e dois anos de reescrita
O texto original também passou longe de empolgar quem entende da franquia. Takayuki Nakayama é diretor do game Street Fighter 6 e produtor do filme. Em entrevista ao site Dexerto, ele revelou que a primeira versão assustou, como repercutiu o EventHubs:
O primeiro roteiro que recebi era bem cru. Então, passamos cerca de dois anos transformando ele no que é agora (tradução livre)
Ou seja, a própria Capcom precisou arregaçar as mangas para ajustar a história. Nakayama, por outro lado, disse estar tranquilo com o resultado, justamente por ter participado de perto do processo. A versão final do texto é creditada a Dalan Musson, com colaboração do próprio Sakurai.
Da Sony para a Paramount

Nem a distribuição escapou da confusão. A Sony chegou a marcar a estreia para 20 de março de 2026. A data caiu, porém, depois que o acordo do estúdio com a Legendary expirou. O filme ficou meses sem casa, até a Paramount Pictures assumir a distribuição em setembro de 2025.
Com o novo contrato, o lançamento foi remarcado para outubro de 2026. As filmagens, realizadas na Austrália sob o título falso de “Punch”, ocorreram entre agosto e novembro de 2025.
Tanta turbulência deixou marcas visíveis. A estreia dividiu a crítica internacional. Parte celebra a energia nostálgica e o elenco. Outra parte aponta roteiro raso e tom caótico, caso da Variety. É difícil não ligar essas queixas ao histórico de reescritas e trocas de comando.
Por outro lado, o clima de bagunça divertida parece proposital, e combina com o currículo de Sakurai. O tom leve já aparecia no material de divulgação, como mostramos na análise do trailer que revelou os segredos do filme. Agora, a palavra final é do público.
Street Fighter está em cartaz nos cinemas brasileiros. O elenco tem Andrew Koji como Ryu, Noah Centineo como Ken, Callina Liang como Chun-Li e Jason Momoa como Blanka. E você, acha que os bastidores conturbados comprometeram o filme? Conte para a gente nos comentários!




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