Antes do novo live-action, a saga da Capcom colecionou um clássico cult involuntário com Van Damme e um dos maiores fracassos das adaptações de games. Relembre essa trajetória e entenda por que o filme atual abraça a bagunça de propósito.
A chamada maldição de Street Fighter nos cinemas voltou ao debate com a estreia do novo live-action. Afinal, antes de Street Fighter chegar às telonas nesta semana, a franquia de luta da Capcom tentou duas vezes. As duas terminaram em vexame com a crítica. A diferença é que um virou piada querida e o outro, um fracasso que ninguém quer lembrar.
1994: Van Damme e a batalha contra o roteiro

A primeira tentativa foi Street Fighter: A Última Batalha (“Street Fighter”), de 1994, com Jean-Claude Van Damme no papel do Guile. O astro belga era a obsessão da Capcom para o papel e levou quase US$ 8 milhões dos US$ 35 milhões de orçamento. Nas bilheterias, o resultado até funcionou: cerca de US$ 99 milhões no mundo.
A crítica, por outro lado, massacrou. O longa tem apenas 11% de aprovação no Rotten Tomatoes até hoje. As queixas miram o tom pastelão e a distância dos jogos. Com o tempo, porém, essa mesma brega virou charme. Atualmente, o filme é tratado como clássico cult, daqueles que divertem justamente por não funcionarem.
O legado de Raul Julia
Se algo é unanimidade, é o vilão. Raul Julia entregou um M. Bison teatral e inesquecível no último papel da carreira nos cinemas.
O ator morreu dois meses antes da estreia, e o filme é dedicado à sua memória. A atuação ainda rendeu indicação póstuma ao prêmio Saturno de melhor ator coadjuvante.
2009: o desastre de A Lenda de Chun-Li

Quinze anos depois, a Fox tentou o caminho oposto: uma origem séria e realista para a heroína. Street Fighter: A Lenda de Chun-Li (“Street Fighter: The Legend of Chun-Li”) saiu em 2009, com Kristin Kreuk, de Smallville, no papel-título.
O tiro saiu pela culatra em todas as frentes. O longa custou US$ 50 milhões e arrecadou míseros US$ 12,8 milhões no mundo inteiro. No Rotten Tomatoes, a aprovação é de vergonhosos 3%, e o site chegou a listá-lo entre os piores filmes da década de 2000. O fracasso congelou a franquia nos cinemas por mais de quinze anos.
A exceção que virou lenda
Nem tudo foi tropeço na história. Street Fighter II: O Filme (“Street Fighter II: The Animated Movie”), anime de 1994, é celebrado pelos fãs até hoje.
A fidelidade aos personagens e as lutas explicam o carinho. A lição ficou clara: a franquia rende quando abraça a própria identidade, em vez de fugir dela.
Por que o novo filme tenta quebrar o ciclo
O live-action atual parece ter estudado esse histórico. Em vez do realismo fracassado de 2009, a produção de Kitao Sakurai mergulha de cabeça no exagero dos games. A escalação de Jason Momoa como Blanka resume bem a proposta. A reverência ao material também aparece na forma. Não à toa, o filme usa animação 2D nos flashbacks de Ryu e Ken, um aceno direto ao anime clássico.
Até a escolha do vilão dialoga com o passado. David Dastmalchian herdou o posto de Raul Julia e explicou por que foi escalado como M. Bison. A crítica segue dividida sobre o resultado, mas uma coisa mudou: desta vez, a bagunça é proposital. Se isso basta para quebrar a maldição, o público decide agora.
Street Fighter está em cartaz nos cinemas brasileiros. E você, defende o clássico cult do Van Damme ou prefere apagar tudo e recomeçar? Conte para a gente nos comentários!





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