Supergirl: roteirista não entendeu final de HQ que inspirou o filme?

Andre Luiz

O filme Supergirl trouxe uma alteração significativa em relação à graphic novel que o inspirou. A roteirista Ana Nogueira contou que o desfecho da DC Comics foi modificado porque ela teria interpretado de forma diferente o final criado por Tom King e Bilquis Evely.

Como resultado, a versão dos cinemas levou a heroína a tomar uma atitude que não acontece nos quadrinhos.

Atenção: o texto a seguir contém spoilers de Supergirl e da HQ Supergirl: Mulher do Amanhã.

A mudança no final de Supergirl

Em entrevista à revista Variety, Nogueira explicou que decidiu não incluir uma cena específica do final da história em quadrinhos, ambientada muitos anos no futuro. Parte da escolha se deu por não querer um salto temporal tão grande no longa. No entanto, o principal motivo foi a forma como ela compreendeu o encerramento da obra:

Acho um final bem sombrio da HQ. Ele basicamente mudou, e ela o mata mesmo assim, porque ainda carrega essa raiva, e você entende que existe um elemento de merecimento ali.

O detalhe, porém, é que essa leitura não corresponde ao que foi publicado. Na trama original, a jovem Ruthye não mata o vilão Krem, responsável pela morte de seu pai. Pelo contrário, é justamente ela quem impede Supergirl de matá-lo no momento mais decisivo da história.

O que realmente aconteceu na HQ original

Na graphic novel Supergirl: Mulher do Amanhã, Kara levanta a espada para matar Krem, mas Ruthye grita para que ela pare. A garota entende, então, que descer ao nível do inimigo não é o caminho. Anos depois, já idosa, Ruthye reencontra Krem, que havia se redimido e pedido perdão pelos seus atos.

É nesse ponto que mora a confusão. Nogueira acreditava que Ruthye matava o vilão ao golpeá-lo na cabeça com sua bengala.

Cena da HQ Supergirl: Mulher do Amanhã – Reprodução/DC Comics

De acordo com o autor Tom King, em participação no podcast Comic Book Couples Counseling, a cena nunca foi ambígua. Segundo ele, Krem continua vivo ao fim de tudo: Ruthye simplesmente não o perdoa, desfere o golpe e vai embora, sem tirar sua vida.

Por que a alteração gerou debate

Nos quadrinhos, o tema central é Supergirl ensinando Ruthye que a vingança nunca é saudável. A heroína não queria que a menina seguisse o mesmo caminho de raiva, e a lição é justamente que ambas não deveriam se rebaixar.

Por isso, ao acreditar que a garota matava Krem, a roteirista quis evitar esse tom sombrio para preservar a inocência da personagem no filme.

Na prática, a solução acabou gerando um efeito considerado ainda mais delicado: no longa, é a própria Supergirl quem dá o golpe fatal no vilão. Essa escolha contraria parte do amadurecimento que a personagem conquistava na obra original.

O caso ajuda a ilustrar os desafios de adaptar histórias densas, em um momento de reformulação do DCU, que apresentou a versão de Milly Alcock no filme do novo Superman. Vale lembrar que Supergirl é uma das peças do ambicioso plano de filmes e séries do DCU.

E você, o que achou da mudança? Conte nos comentários!

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