“Supergirl Punk Rock”: Milly Alcock revela como superou o medo do teste e as críticas para viver a nova heroína da DC

Cheyna Corrêa

Há poucos dias, a jovem atriz australiana Milly Alcock desembarcou em Los Angeles após uma exaustiva viagem vinda de Kyoto, no Japão, onde encerrava as gravações de um filme secreto. Sem tempo para descansar, encarou provas de figurino e pegou mais um voo rumo a Las Vegas para subir ao palco da CinemaCon. O objetivo? Promover o aguardado filme Supergirl, a nova grande aposta da DC Studios.

Com apenas uma hora de sono na bagagem e lidando com um jet lag brutal, Alcock brincou sobre seu estado aéreo nas entrevistas. O mais curioso, contudo, foi a honestidade desarmante da estrela de 26 anos ao confessar, em tom de segredo, que ainda não assistiu à versão final do próprio filme: “Nem eu!”, disparou, rindo.

O longa-metragem adapta a aclamada série de quadrinhos de Tom King publicada entre 2021 e 2022. O filme promete redefinir a imagem de Kara Zor-El nos cinemas, afastando-se completamente das versões mais tradicionais e “certinhas” vistas no longa de 1984 com Helen Slater ou na série de TV de Melissa Benoist. Esta nova Supergirl é descrita pelos executivos como puramente “punk rock”.

Foto: Nino Munoz/Variety

O teste caótico na Geórgia e o choro nos bastidores

O processo de escalação de Milly Alcock ocorreu de forma incomum. Diferente de seu papel como a jovem Princesa Rhaenyra Targaryen no fenômeno A Casa do Dragão, cujo teste foi inteiramente virtual durante a pandemia, a vaga para o universo DC exigiu uma audição presencial em janeiro de 2024. Alcock viajou por 24 horas de Sydney até o Trilith Studios, na Geórgia, onde o diretor James Gunn comandava as filmagens de Superman.

Embora o filme solo da Supergirl estivesse a mais de um ano de iniciar suas gravações, a presença da atriz era urgente. A personagem Kara Zor-El faria uma aparição surpresa e caótica nos créditos finais de Superman — lançado nos cinemas em 11 de julho de 2025 com David Corenswet no papel principal —, introduzindo essa nova e desajustada versão ao público.

No dia do teste, sem um traje oficial pronto, vestiram Alcock com um improviso: uma blusa azul de manga comprida e uma saia vermelha. Diante do copresidente da DC Studios, Peter Safran, da roteirista Ana Nogueira e do próprio James Gunn, a entrega dramática da atriz mudou o clima da sala.

Todo mundo ficou com lágrimas nos olhos. Ela demonstra seus sentimentos abertamente e traz muita emoção para o papel. Nós olhamos uns para os outros e dissemos: ‘Isso é absolutamente perfeito. Ela é exatamente o que queremos.’

A roteirista Ana Nogueira reforçou que o magnetismo natural de Alcock foi o fator determinante para desbancar outras concorrentes de peso, como Meg Donnelly. “Milly é a garota certa. Eu só quero colocar uma câmera em você e assistir você passar o dia, porque você não está fingindo ser nada”, destacou Nogueira.

Milly Alcock em “Supergirl” – Foto: Parisa Taghizadeh/DC

Uma heroína traumatizada e resiliente

Nas prévias exibidas com exclusividade na CinemaCon, a nova identidade da prima do Superman fica evidente. Em uma das cenas de destaque, Kara viaja em um ônibus espacial ao lado de sua protegida adolescente, Ruthye (Eve Ridley), quando a nave é invadida por saqueadores espaciais. Vestindo uma camiseta vintage da banda Blondie e um sobretudo marrom surrado, a heroína afasta os criminosos com piadas sarcásticas e acidez dignas de um Han Solo.

Essa postura durona esconde cicatrizes profundas. Ao contrário de Clark Kent, que cresceu na Terra desde bebê sob o carinho da família Kent, Kara Zor-El testemunhou o lento e doloroso fim de Krypton, assistindo à morte de seus pais e de todos que amava antes de ser enviada ao nosso planeta.

A atriz encontrou nesse trauma uma conexão direta com suas próprias vivências pessoais. Assumir a liderança de um blockbuster bilionário trouxe medo, mas Alcock decidiu encarar o desafio de frente:

Minha experiência pessoal de ser a Milly espelhava a experiência de Kara, que era ‘Esconda-se. Fuja. Finja que não está acontecendo’. E então você tem que encarar isso para curar uma parte de si mesma. Olhei para mim mesma no espelho e pensei: ‘Quem sou eu para recusar essa oportunidade?’. Eu sabia que era o que precisava fazer, porque me assustava. E pensei: ‘Bem, eu ganho uma única vida grande, louca e linda. Por que não ir com tudo?’

Do sótão quente e das cozinhas de Sydney para o topo de Hollywood

Essa resiliência acompanha a trajetória da atriz muito antes do estrelato em Hollywood. Após ganhar notoriedade na televisão australiana com a série Upright, Alcock ainda precisava de dinheiro para pagar as contas e continuou trabalhando como lavadora de pratos em um restaurante popular em Sydney.

Com bom humor, ela se compara a um personagem de livro infantil de Roald Dahl ao lembrar de sua antiga rotina:

Eu morava no sótão da casa da minha família porque não tínhamos quartos suficientes, era tão quente lá dentro. Lavava aqueles pratos com tanto orgulho e de forma tão terrível, e era uma cozinha aberta, então todo mundo podia me ver.

Após o sucesso em A Casa do Dragão e na minissérie dramática Sirens (2025) da Netflix, Alcock não tinha intenção de se amarrar a outra franquia massiva de entretenimento. Contudo, a profundidade psicológica e os defeitos humanos de Kara a fizeram mudar de ideia.

A responsabilidade nos ombros da jovem é gigantesca. O primeiro filme da nova era da DC, Superman, acumulou uma bilheteria sólida de mais de 600 milhões de dólares no verão passado, estabelecendo uma base promissora para o novo universo compartilhado. Agora, cabe a Milly Alcock provar que o cinema de super-heróis ainda tem fôlego para voos mais altos, entregando uma atuação tátil, rebelde e autêntica.

Você prefere ver super-heróis representados dessa forma mais crua, punk e traumatizada ou sente falta daquela abordagem clássica e impecável dos heróis tradicionais?

Fonte: Variety

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