Superman: o superpoder que preocupa até o próprio herói

Andre Luiz

Poucos personagens acumulam tantos poderes quanto o Superman. Uma publicação especial lançada agora nos Estados Unidos, com roteiro de Joshua Williamson, resolveu tratar da habilidade menos comentada de todas: a longevidade praticamente ilimitada que o organismo kryptoniano proporciona.

O que a edição apresenta

O personagem reflete sobre o que a própria natureza significa na prática. Ele viverá muito além de todos que ama, e o tempo ao lado de Lois Lane representaria uma fração mínima de uma existência medida em milênios.

Existe uma reviravolta na estrutura. A reflexão acaba se revelando parte de um sonho de Lois, preocupada com o paradeiro dele, mas o temor apresentado continua válido dentro da história.

O gancho brasileiro

Trata-se de uma edição especial para os brasileiros. A arte é de Eddy Barrows, nascido em Belém e criado em Belo Horizonte, um dos nomes brasileiros mais constantes na editora há quase duas décadas. As cores são de Adriano Lucas, também brasileiro e presença frequente nos principais títulos da casa. Dois compatriotas assinam, portanto, uma das publicações comemorativas mais simbólicas do herói.

A história por trás disso é melhor ainda. O desenhista já contou publicamente que descobriu o personagem quando criança, durante a recuperação de um acidente sério que o deixou meses de cama, e que aquelas revistas foram o que tornou os dias suportáveis.

Brasileiros em posição de destaque na editora, aliás, não são novidade. Rafael Albuquerque já assinou capa de uma das continuações mais aguardadas do catálogo, para citar apenas um exemplo.

Quanto tempo o Superman viveria, afinal

A resposta muda conforme a linha editorial. Na continuidade principal, ele envelhece bem mais devagar que um humano comum, mas ainda apresenta sinais visíveis com o passar das décadas.

Algumas histórias ambientadas em futuros próximos mostram um herói grisalho e praticamente sem perda de capacidade física. Outras vão bem além, com versões vivas depois de dezenas de milhares de anos de exposição solar contínua.

Reprodução/DC Comics

Há ainda a leitura mais poética de todas. A célebre HQ Grandes Astros: Superman sugere que ele acaba se tornando uma presença permanente dentro do próprio Sol.

Diferentes equipes criativas tratam o assunto de formas incompatíveis entre si, e nenhuma dessas versões anula as outras. A editora trabalha com futuros alternativos como possibilidades, não como cânone fechado.

Por que o tema funciona tão bem

A imortalidade como maldição é uma das ideias mais antigas da ficção. Ela ganha força especial aqui por um motivo simples: o apelo desse personagem sempre esteve na humanidade dele, e não na força.

Ele foi criado por um casal de fazendeiros, trabalha em uma redação e se define pelos vínculos que construiu. Tirar isso de cena, década após década, é a punição mais cruel possível para alguém assim.

Vale lembrar que o Superman construiu popularidade justamente pelo lado acessível, muito antes de o público se preocupar com escalas de poder.

A edição já está nas lojas norte-americanas. Não há data anunciada para a publicação por aqui, ainda que o material tenha apelo evidente para o mercado brasileiro.

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