Chefe de GTA 6 diz que IA não vai substituir ninguém

Vinicius Miranda

Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, afirmou que a tecnologia deve ampliar a criatividade dos 13 mil funcionários da empresa, e não trocá-los. Fala contrasta com rivais que preveem cortes.

Em meio ao debate mais quente da indústria dos games, uma voz de peso resolveu nadar contra a corrente. Strauss Zelnick, CEO da Take-Two Interactive, dona da Rockstar Games e de GTA 6, entrou no assunto. Segundo o executivo, as ferramentas de inteligência artificial não vão substituir ninguém na empresa. A declaração foi dada nesta sexta-feira (7), durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027.

Criatividade em primeiro lugar

Questionado sobre o avanço da IA no desenvolvimento de jogos, o executivo foi direto. A criatividade, lembrou, é o primeiro pilar da companhia. Segundo Zelnick, a Take-Two emprega cerca de 13 mil pessoas no mundo, e a imensa maioria delas exerce trabalho criativo todos os dias. Para o CEO, a tecnologia deve facilitar a inovação dessas equipes, nunca ocupar o lugar delas.

Acreditamos que a tecnologia pode ampliar a criatividade deles, mas não acreditamos que ela possa ou deva substituir essa criatividade. (tradução livre)

O executivo também fez questão de historiar a relação da empresa com o tema. De acordo com Zelnick, a Take-Two foi construída sobre IA e aprendizado de máquina muito antes de o termo virar a palavra da moda. Portanto, na visão dele, adotar novas ferramentas cedo faz parte do manual da casa.

Alfinetada nos concorrentes

GTA 6 – Divulgação / Rockstar Games

Sem citar nomes, Zelnick observou que alguns rivais vêm anunciando oportunidades de economizar centenas de milhões de dólares com IA. Esse, garantiu, não é o objetivo da Take-Two. O CEO argumentou que, historicamente, novas tecnologias no entretenimento interativo geram eficiência, mas essa eficiência é reinvestida em projetos cada vez maiores. Ou seja, o custo de produção não cai. Em compensação, segundo ele, a qualidade dos jogos pode aumentar de forma significativa.

O contraste com o restante do mercado é evidente. Executivos de gigantes como Electronic Arts e Microsoft já admitiram publicamente que a IA deve provocar perda de empregos no curto prazo. Além disso, empresas como a Netflix reestruturaram suas divisões de games em torno da IA generativa. A própria Microsoft, aliás, multiplica ferramentas do tipo no ecossistema Xbox. Nesse cenário, com demissões em série assombrando o setor há anos, o discurso de Zelnick soa como um alívio para os profissionais da área.

Um discurso consistente, com nuances

Vale notar que a posição não é nova. Em novembro de 2025, o CEO já havia dito que a empresa não usava a IA como desculpa para reduzir seu quadro de funcionários. Em fevereiro deste ano, por outro lado, Zelnick revelou que a Take-Two abraçou ativamente a IA generativa, com centenas de testes e implementações internas.

Ainda assim, relatos da imprensa especializada apontam que até a equipe dedicada de IA da companhia teria passado por cortes. A régua entre eficiência e substituição, portanto, segue delicada em todo o mercado.

O que está em jogo

O momento da fala não é trivial. A Take-Two se aproxima do maior lançamento de sua história, com GTA 6 marcado para 19 de novembro. Consequentemente, reafirmar o valor do talento humano protege a imagem da empresa junto a desenvolvedores e jogadores em um período decisivo.

Resta saber se a promessa vai resistir ao tempo e à pressão por margens que move o restante da indústria. Por ora, entre cortes e promessas de economia bilionária, Zelnick prefere apostar que máquinas não fazem sucesso sozinhas. Pessoas fazem.

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