Thor: diretor comenta maior crítica ao primeiro filme

Andre Luiz

Entre os seis Vingadores originais do MCU, poucos personagens passaram por tantas mudanças de tom quanto Thor. A trilogia do Homem de Ferro manteve uma linha coesa. Os três filmes do Capitão América seguiram o mesmo caminho. Já os quatro longas do deus do trovão trilharam rumos bem diferentes entre si. O primeiro Thor, de 2011, é geralmente visto como um dos melhores da saga. Ainda assim, carrega até hoje uma crítica recorrente entre os fãs.

O motivo é bem pontual: os ângulos de câmera inclinados, também chamados de planos holandeses, usados em praticamente todas as cenas do filme. Kenneth Branagh, responsável pela direção, comentou o assunto em entrevista recente. A conversa aconteceu no podcast On Film, com Kevin McCarthy. A ocasião era a divulgação de seu novo longa, Mayday, ao lado de Ryan Reynolds.

A inspiração vinda direto das HQs

Segundo Branagh, a escolha nunca foi acidental. O diretor recorreu à estética clássica dos quadrinhos para justificar a decisão. A referência principal foram as edições assinadas por Jack Kirby.

Eu nunca consegui entender por que as pessoas ficaram tão confusas com essa escolha em Thor. Volte para qualquer fase dos quadrinhos, mas a clássica, as fases do Kirby, e olhe para o enquadramento. É tudo inclinado. É tudo expressionismo alemão, o que já soa muito pretensioso, mas era mais sobre impacto visual mesmo. Era o que causaria efeito numa história sobre deuses.

thor mjolnir
Reprodução/Marvel Studios

O cineasta também admitiu que a própria Marvel discutiu internamente a possibilidade de suavizar o recurso. Segundo ele, cogitou-se deixar as cenas mais retas visualmente. O custo dessa mudança, porém, acabou sendo alto demais para viabilizar o projeto. Isso garantiu a permanência do estilo original até hoje.

Os ângulos inclinados marcaram apenas o primeiro filme. Ainda assim, o legado visual de Branagh seguiu presente na saga de formas variadas. Filmes posteriores como Thor: O Mundo Sombrio e Thor: Ragnarok adotaram abordagens próprias, cada vez mais distantes da estética original. Já Thor: Amor e Trovão apostou em um tom ainda mais cômico. A escolha gerou reações divididas entre o público.

Um herói construído com Chris Hemsworth desde o início

Vale lembrar que o papel de Thor quase não foi de Chris Hemsworth. Outros nomes chegaram a ser cogitados antes da escalação definitiva, algo comum em produções desse porte.

Ainda assim, a combinação entre o ator e a visão estética de Branagh acabou se tornando parte fundamental da identidade do herói no MCU, mesmo com todas as mudanças de tom ao longo dos anos seguintes.

Vale a pena corrigir?

O episódio levanta uma questão interessante sobre preservação de identidade visual em grandes franquias. A mudança foi descartada por questões financeiras, não por convicção artística. Mesmo assim, isso não diminui o valor da decisão original de Branagh. Pelo contrário, reforça como Thor construiu uma linguagem própria dentro do MCU logo em sua estreia, em 2011. Esse traço ajudou a diferenciar o herói dos demais nomes do estúdio.

Para os fãs, a revelação também reforça um padrão comum em produções de grande escala. Nem toda escolha estética sobrevive por convicção. Algumas simplesmente permanecem porque mudar sai caro demais. De qualquer forma, o resultado final parece ter valido a pena. O primeiro Thor segue sendo lembrado com carinho, ângulos tortos e tudo mais.

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