A Espada Justiceira apareceu pela primeira vez em 1985 e virou memória de infância para muita gente. ThunderCats teve três séries animadas, linha de brinquedos gigantesca e revistas em quadrinhos, mas nunca abriu em uma sala de cinema. Será que isso está prestes a mudar?
O festival de animação
Uma novidade surgiu no festival de animação de Annecy, na França. A Warner Bros. Pictures Animation exibiu um vídeo de apresentação com projetos em desenvolvimento, e um cartão de título trazia o nome da franquia.
Não havia mais nada além disso. Nenhuma cena, nenhum diretor anunciado, nenhuma data ou sequer janela de lançamento. A mudança de abordagem, porém, chama atenção. Depois de quase duas décadas tentando fazer os heróis em live-action, o estúdio aposta agora em animação.
O tamanho do jejum
Praticamente toda marca da mesma prateleira chegou antes. Mestres do Universo teve filme live-action já em 1987, Transformers e G.I. Joe ganharam animações no cinema na mesma década, e As Tartarugas Ninja estourou em 1990.
A série original tinha tudo para acompanhar. Ela estreou em 1985, rendeu quatro temporadas e 130 episódios, acompanhando Lion-O e os demais na fuga do planeta Thundera até a chegada ao Terceiro Mundo.
O filme que quase existiu
A primeira tentativa séria começou em 2007. O estúdio montou um longa animado em computação gráfica, com Jerry O’Flaherty na direção e roteiro de Paul Sopocy, previsto para 2010. Ele nunca foi aprovado. Anos depois, uma sequência de teste vazou na internet, mostrando Lion-O adulto em combate contra o mutante Escamoso.
Na televisão, o caminho também foi acidentado. O reinício de 2011 no Cartoon Network agradou à crítica e foi cancelado após 26 episódios, enquanto ThunderCats Roar, de 2020, durou uma única temporada.

A tentativa mais recente em live-action tinha Adam Wingard ligado ao projeto, e nem aquela chegou às câmeras.
Por que animação faz sentido
O argumento é bem construído. Grande parte do que o público ama vive justamente no desenho: os traços dos personagens, a mitologia e o tema de abertura. Existe ainda a questão prática: um filme animado não precisa lutar para tornar um felino humanoide convincente no mundo real, o que economiza tempo e dinheiro em efeitos visuais.
O mesmo vídeo trouxe outro anúncio. Um novo filme das Meninas Superpoderosas também apareceu, o que sugere estratégia deliberada de resgatar clássicos como animação. A marca também nunca morreu comercialmente. Os brinquedos seguem sendo relançados para colecionadores, e a editora Dynamite lançou uma revista nova em 2024 que esgotou pré-vendas.
O peso da franquia por aqui
Poucos desenhos marcaram tanto o público brasileiro quanto ThunderCats. A série passou em canal aberto, virou linha de bonecos e deixou bordões que quem viveu os anos 1980 repete até hoje.
Adaptar clássicos daquela época, porém, é terreno traiçoeiro. Vale lembrar o caso de outro sucesso da mesma geração que virou filme e decepcionou boa parte dos fãs, justamente por se afastar do material original.
A tentativa daquela franquia demorou décadas, aliás. Nossa cobertura acompanhou desde os primeiros anúncios de projetos em imagem real e computação gráfica até a estreia efetiva.






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