Homem-Aranha 4: algo foi cortado do filme por causa das crianças

Andre Luiz

Nem tudo que passa pela cabeça de uma equipe criativa chega às telas. Em participação no podcast Happy Sad Confused, Tom Holland revelou que Homem-Aranha: Um Novo Dia quase seguiu por um caminho de horror corporal, abandonado por uma razão bastante específica.

O que quase entrou no filme

As ideias descartadas eram bem mais agressivas que o resultado final:

Em determinado momento eu falei: e se saíssem presas das mãos dele? Ele chegou a ter espinhos de veneno. Isso não está no filme, pode ficar tranquilo. Depois exploramos as sequências de pesadelo com ele acordando como a versão monstruosa, e rapidamente percebemos que também queríamos que crianças curtissem o filme, e não só adultos. Aquilo estava assustador demais.

O conceito citado por ele existe nas revistas. Trata-se de uma versão em que o herói perde totalmente a forma humana e vira uma criatura aracnídea, ideia querida por parte dos leitores antigos.

Mutação de Peter Parker – Reprodução/Marvel Studios/Sony Pictures

A justificativa que divide opiniões

O motivo apresentado tende a gerar debate. Afirmar que algo foi cortado para não assustar crianças reabre uma discussão que acompanha o gênero há décadas.

Existem argumentos dos dois lados. Uma parcela do público pede adaptações mais sombrias e adultas. Outra lembra que o personagem foi criado em 1962 como um herói acessível e identificável, pensado justamente para o público jovem.

O horror corporal existe nos quadrinhos

A ideia descartada não seria invenção da produção. As revistas já foram a lugares bastante perturbadores com esse herói ao longo das décadas.

Basta lembrar da saga dos clones, tratada como um dos maiores pesadelos da trajetória dele. Aquele arco trouxe versões deformadas e corpos alterados. Houve ainda uma história alternativa em que Peter Parker perde um braço em combate.

A diferença está no meio e no contexto de consumo. Uma página pode ser fechada quando incomoda, enquanto a tela grande impõe a imagem a quem está na sala.

Para quem não acompanha as revistas, uma explicação ajuda. A versão monstruosa aparece em histórias nas quais a mutação que deu poderes ao protagonista avança sem controle, transformando-o em algo mais próximo de um animal do que de uma pessoa.

Aranha-Humana
A famosa Aranha-Humana – Reprodução: Marvel Comics

Por que a decisão faz sentido comercialmente

Existe cálculo financeiro por trás da escolha. Classificação indicativa e perfil de público fazem parte do modelo de negócio desses lançamentos.

Ingressos vendidos para famílias representam fatia relevante da bilheteria. Uma sequência capaz de afastar esse público custa dinheiro, e nenhum estúdio ignora essa conta.

O que isso diz sobre a produção

A revelação confirma que houve consideração real por um tom mais pesado. Recuar depois de testar caminhos é rotina em desenvolvimento de roteiro, e não sinal de covardia criativa. Saber qual era a alternativa ajuda a entender o filme que chegou aos cinemas. Nesse sentido, esse tipo de bastidor rende mais do que a simples curiosidade.

Existe ainda um contraponto ao argumento do ator. Filmes do gênero já mostraram transformações desconfortáveis sem afastar o público jovem, e crianças costumam lidar melhor com sustos do que os adultos imaginam. A dosagem, e não a ausência, é o que costuma resolver.

Homem-Aranha: Um Novo Dia está em cartaz nos cinemas brasileiros desde a última quinta-feira. Quem já viu pode comparar o que ficou com o que quase existiu.

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