Um erro de contrato rendeu milhões a Tommy Lee Jones após o sucesso do filme. A ironia é que a obra trata justamente da ganância e do dinheiro que ninguém controla.
Considerado um dos filmes que definiram os anos 2000, “Onde os Fracos Não Têm Vez” (No Country for Old Men) também protagonizou uma curiosa batalha judicial nos bastidores. Anos depois de o longa vencer o Oscar, o ator Tommy Lee Jones moveu uma ação contra a Paramount Pictures por milhões de dólares em bônus que, segundo ele, não teriam sido pagos. O caso virou uma nota de rodapé irônica para um clássico moderno obcecado justamente pelo verdadeiro custo da ganância.
Um dos maiores filmes do século
Lançado em 2007, “Onde os Fracos Não Têm Vez” acompanha o caçador Llewelyn Moss, vivido por Josh Brolin, depois que ele encontra uma maleta com 2 milhões de dólares no rastro de um negócio de drogas que deu errado. A descoberta o coloca na mira de Anton Chigurh, o assassino interpretado por Javier Bardem, hoje uma figura icônica da história do cinema.
Observando todo o caos está justamente Tommy Lee Jones, no papel do xerife Ed Tom Bell. Sua atuação é considerada o centro emocional da obra, dando alma ao thriller dos irmãos Coen. O personagem encarna um homem tentando entender uma América em transformação, onde a violência evoluiu além de sua capacidade de contê-la.
O sucesso que virou uma dor de cabeça
O filme foi um estrondoso sucesso de crítica quase imediatamente. A produção venceu quatro prêmios no Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator Coadjuvante para Javier Bardem. Comercialmente, também superou as expectativas, arrecadando mais de 170 milhões de dólares ao redor do mundo.
Curiosamente, foi justamente esse êxito financeiro que originou os problemas jurídicos. Em 2008, Jones entrou com uma ação contra a Paramount alegando que o estúdio não havia pago corretamente os bônus de bilheteria prometidos em seu contrato. De acordo com o processo, o ator teria aceitado um salário menor em troca de uma compensação maior atrelada ao desempenho do longa nos cinemas.
Um erro de contrato a favor do ator
Conforme revelado em documentos posteriores, divulgados pela imprensa especializada como o The Hollywood Reporter, Jones parecia ter razão em sua queixa. Segundo a apuração, os advogados da Paramount teriam cometido um erro grave na redação do contrato do ator, algo reconhecido em juízo pela própria defesa do estúdio.
Na prática, a estrutura de bônus acabou permitindo um pagamento muito maior do que o planejado. A intenção do estúdio era liberar a bonificação quando a bilheteria mundial atingisse o dobro de uma meta específica. Por causa do erro, no entanto, o gatilho passou a valer pela metade desse valor. Isso significou que o ator teria direito ao dinheiro mesmo com o filme tendo arrecadado cerca de 160 milhões de dólares na época.
Quanto Tommy Lee Jones recebeu?
Após o processo seguir para arbitragem, Jones teria recebido um pagamento de 17,5 milhões de dólares da Paramount, segundo relatos da imprensa do setor. O desfecho gerou consequências em cadeia para os envolvidos no erro. Os antigos advogados do estúdio teriam feito um acordo, arcando com cerca de 2,6 milhões de dólares pela falha na redação.
Vale destacar um contraste interessante. Enquanto Jones foi à arbitragem para garantir seus valores, o produtor Scott Rudin e os próprios irmãos Coen, que tinham cláusulas semelhantes, teriam concordado em ajustar seus contratos para os termos originalmente combinados. A disputa não parou por aí.
O caso que sobrou para os investidores
Para tentar compensar parte do prejuízo, a Paramount teria repassado uma fração do pagamento aos investidores do filme. Essa decisão gerou um segundo processo, dessa vez movido pela Marathon Funding, uma empresa de financiamento ligada ao banco Morgan Stanley. A companhia alegou que o estúdio havia deduzido o valor de forma indevida de sua participação nos lucros.
Nessa segunda batalha, no entanto, a sorte favoreceu o estúdio. A Paramount venceu a disputa contra a financiadora, em decisão posteriormente confirmada por um tribunal de apelações. Ainda assim, o estrago para a imagem do processo já estava feito, expondo o quão confuso pode ser o lado financeiro da indústria cinematográfica.
Uma ironia digna do roteiro
Olhando em retrospecto, toda a saga parece estranhamente perfeita para um filme como “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Afinal, a obra é fundamentalmente sobre pessoas que se destroem por causa de um dinheiro que jamais conseguem controlar de verdade. Fora das telas, a situação se mostrou curiosamente parecida.
O episódio se tornou uma ruga interessante no legado de um dos maiores filmes do século até agora. Mais do que uma simples briga por dinheiro, o caso serve como um lembrete de que os bastidores de Hollywood podem ser tão imprevisíveis quanto as tramas que chegam à tela. Para os fãs do cinema dos irmãos Coen, é uma história que combina perfeitamente com o tom sombrio e fatalista que consagrou a dupla de cineastas.
Fonte: Collider






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