‘Top Gun 3’: Sequência pode ser o melhor filme da franquia – se corrigir seu único problema evidente

Cheyna Corrêa

O universo do cinema de ação foi pego de surpresa com um anúncio monumental nos bastidores. Durante a apresentação da Paramount Pictures na CinemaCon de 2026, o estúdio confirmou oficialmente que uma sequência de Top Gun: Maverick já está em desenvolvimento, trazendo o astro Tom Cruise de volta ao lado do lendário produtor Jerry Bruckheimer.

Como Top Gun: Maverick se tornou um dos filmes mais amados e assistidos da década, não é surpresa que Hollywood queira apostar em um terceiro capítulo. No entanto, para que a nova produção atinja a excelência, é hora de a franquia fazer “um passeio na zona de perigo” e corrigir uma falha histórica: Top Gun 3 precisa de um vilão propriamente dito, genuíno.

A verdade é que, olhando para trás, nenhum dos dois longas anteriores possui um antagonista tradicional ou um “cara mau” com rosto e motivações. O público e os críticos de cinema apontam que essa ausência de um rival de carne e osso é o único ponto que impede a saga de alcançar a perfeição narrativa.

Top Gun: Maverick (Divulgação)

A ausência de vilões reais e o foco em conceitos abstratos

No filme original de 1986, o mais próximo de um vilão era Tom Kazansky, o Iceman (vivido pelo falecido Val Kilmer). Contudo, ele era apenas um rival profissional de Pete “Maverick” Mitchell na academia de pilotos, tanto que os dois terminam a história como grandes amigos.

Já na sequência de 2022, o Vice-Almirante Beau Simpson, interpretado por Jon Hamm, serviu como uma força antagônica interna na Marinha. Ele era apenas o comandante rigoroso que precisava de uma equipe para cumprir uma tarefa quase impossível, e Maverick acaba fazendo o oficial mudar de ideia no meio do caminho.

Os verdadeiros inimigos em ambas as tramas surgem na forma de conceitos abstratos ou caças de combate sem rosto, representando países ou governos que a história mantém na ambiguidade. Eles não possuem diálogos, nomes ou arcos de desenvolvimento; são simplesmente alvos genéricos que os mocinhos precisam abater no ar.

A necessidade urgente de renovar a fórmula no terceiro filme

Essa dinâmica funcionou perfeitamente até agora porque Top Gun: Maverick estreou 36 anos após o clássico original, trazendo um frescor natural ao mostrar o protagonista treinando uma nova geração de recrutas. Porém, o intervalo para Top Gun 3 será consideravelmente mais curto, e repetir a mesma estrutura pode soar cansativo e repetitivo para os espectadores.

Incorporar vilões genuínos com personalidades marcantes traria uma força emocional inédita para as telas. A Paramount teve a sorte de capturar um raio em uma garrafa pela segunda vez, mas sequências que apenas reciclam a fórmula antiga correm o risco de afastar o público e a crítica especializada.

Para evitar o desgaste, os roteiristas poderiam se inspirar em dinâmicas de outras mídias da cultura pop. Muitos fãs já notaram semelhanças entre a franquia de jogos Star Fox e Top Gun. No game Star Fox 64, por exemplo, é introduzida a equipe Star Wolf, que funciona como o equivalente maligno dos heróis.

Trazer uma equipe de pilotos de elite rivais ou um equivalente sombrio para o personagem de Tom Cruise proporcionaria um combate psicológico e físico nunca antes visto na franquia. Essa inovação manteria o interesse do público renovado, enquanto o longa ainda honra as marcas registradas da saga: a icônica trilha sonora de sintetizador de Harold Faltermeyer, a camaradagem dos pilotos e os combates aéreos eletrizantes que colocam o espectador dentro das cabines.

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