Um crossover inédito reuniu personagens do Brasil, Argentina, Peru, Paraguai e Chile em uma mesma aventura. A proposta é ousada: criar uma alternativa latino-americana à hegemonia de Marvel e DC.
Enquanto o público brasileiro acompanha os crossovers bilionários de Marvel e DC, uma iniciativa muito mais discreta, porém historicamente significativa, uniu super-heróis latino-americanos em uma mesma história. Trata-se de União Sul-Americana de Super-Heróis, um quadrinho idealizado pela editora argentina UMC Comics e publicado no Brasil em parceria com a Editora Kimera. A proposta é colocar personagens de cinco países dividindo as mesmas páginas.
Quem são os heróis da equipe

O time original reúne criações de diferentes autores e universos independentes. Pelo Brasil entra o Lagarto Negro, personagem de Gabriel Rocha que já acumula mais de duas décadas de publicações. Da Argentina vem o anfitrião Sol de Plata, criado por Jonatan Curcio, Luis Sanchez e Maximiliano Cereijido, e que também dá nome a uma das principais revistas da UMC.
Completam a formação o peruano Descomunal, criação de Franz Mitchell, o paraguaio Fiero, do universo Fuerza PG, criado por Gustavo Raúl Ferreira Patiño, e o chileno Espinas, do universo Mirox, assinado por Rodrigo Roa Salinas. Cada um deles carrega a bagagem de sua própria mitologia editorial, o que torna o encontro ainda mais curioso.
Uma cúpula do Mercosul sob ataque
A trama tem um pano de fundo bem sul-americano. A ação se passa em Mar del Plata, na Argentina, durante uma reunião de líderes do Mercosul. Sol de Plata atua como chefe de segurança do hotel que sedia o encontro e precisa coordenar os defensores convocados de várias delegações para proteger os mandatários diante de uma grande ameaça.
Em meio à missão, o herói argentino recebe um chamado misterioso que promete revelar segredos sobre seu próprio passado. Ou seja, além da ação, há uma subtrama pessoal que se desdobra dentro do universo da UMC.
Uma alternativa latina a Marvel e DC

O projeto nasceu em novembro de 2017, quando o editor Jonh Curcio, da UMC, convidou o brasileiro Gabriel Rocha para integrar o Lagarto Negro à empreitada. A ideia central, segundo os envolvidos, seria construir uma alternativa aos gigantes norte-americanos do gênero, apostando na integração cultural entre países vizinhos.
Vale destacar o simbolismo. É raro ver um esforço editorial que trate a América do Sul como um universo compartilhado, e não apenas como cenário exótico de passagem, algo que os quadrinhos estrangeiros costumam fazer com o continente. Aqui, os heróis são protagonistas de suas próprias terras.
Como surgiu e onde encontrar
A primeira parte da história foi escrita por Leonardo Figueroa, ilustrada por Marco Baldi e colorida por Gabriel Roldan. A edição brasileira, viabilizada por financiamento coletivo, chegou pela Editora Kimera no formato 17×26 cm. A UMC Comics, fundada em 2013, é a mesma casa responsável por títulos como Darkcat, Xero e Guerreros del Mañana.
Para quem acompanha o cenário independente, a obra funciona como uma porta de entrada para universos que dificilmente chegariam às bancas tradicionais. E fica a provocação: se um crossover como esse é possível com recursos modestos, o que uma indústria latino-americana mais estruturada não conseguiria fazer?






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