Wi-Fi perde espaço para celulares após decisão da Anatel: confira o impacto em roteadores

Cheyna Corrêa

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou uma mudança regulatória crucial para a infraestrutura de conexões no país. O Conselho Diretor da agência definiu a limitação da operação do Wi-Fi na faixa de 6 GHz, reservando a porção superior do espectro (de 6.425 MHz a 7.125 MHz) exclusivamente para a expansão da telefonia móvel.

Formalizada pelo Acórdão nº 203 e pelo Ato nº 10.400 em agosto de 2026, a medida restringe os equipamentos de redes locais à subfaixa inferior, de 5.925 MHz a 6.425 MHz. Embora as regras já estejam em vigor, a obrigatoriedade dos novos requisitos técnicos passa a valer a partir de 1º de março de 2027.

O impacto direto nos roteadores Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7

A decisão afeta principalmente os dispositivos de última geração, como roteadores compatíveis com as tecnologias Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7, que utilizavam a totalidade da frequência de 6 GHz para oferecer altíssimas velocidades. Fabricantes e consumidores devem ficar atentos às seguintes diretrizes durante o período de transição:

  • Adaptação de equipamentos: Produtos que já possuem homologação e certificação técnica no Brasil não serão retirados de circulação, mas precisarão ser adequados via atualização ou ajuste de hardware durante a manutenção periódica de suas licenças a partir de 2027.

  • Escassez de canais: Com o afunilamento do espectro para redes locais, o número de canais de altíssima largura (como os de 160 MHz e 320 MHz) fica reduzido, exigindo maior otimização por parte das fabricantes de roteadores.

  • Foco da restrição: A norma se aplica especificamente a pontos de acesso internos, dispositivos de potência muito baixa e equipamentos definidos como sistemas de acesso sem fio em banda larga para redes locais.

Testes de interferência e o futuro com o sandbox regulatório

A decisão da agência reguladora teve como base relatórios técnicos e testes laboratoriais de convivência entre redes Wi-Fi e sistemas celulares (SMP/IMT). As simulações apontaram que a operação simultânea na mesma frequência gerava perdas drásticas no sinal: a taxa de transmissão do Wi-Fi apresentou quedas de 90% a 100%, enquanto a rede móvel sofreu degradação de até 30%.

Diante dos dados, o relator e conselheiro Alexandre Freire defendeu a separação física do espectro como a medida mais segura para evitar colapsos de rede. No entanto, a Anatel anunciou que criará um sandbox regulatório (ambiente experimental controlado) após o edital de 6 GHz. Esse espaço permitirá testar novas tecnologias de compartilhamento de frequência no futuro sem fechar totalmente as portas para o avanço das conexões domésticas.

Com a divisão das frequências e a destinação de parte da faixa para o sinal móvel, será que o desempenho dos roteadores Wi-Fi 7 no Brasil conseguirá atender às altas expectativas dos consumidores? Como você avalia a decisão da Anatel em priorizar a rede celular em relação à conexão doméstica?

Fontes: Tele.Síntese 

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