Onimusha: Way of the Sword marca o retorno de uma das franquias mais queridas da Capcom

Vinicius Miranda

Depois de quase duas décadas sem um lançamento inédito na linha principal, Onimusha está de volta. Onimusha: Way of the Sword já passou por eventos, ganhou demonstração jogável e conquistou boa parte da crítica e do público que teve contato com o material divulgado até agora — sinais de que a Capcom está tratando esse retorno com bastante seriedade.

A origem de uma franquia que já vendeu mais de 9 milhões de cópias

Onimusha 2: Samurai’s Destiny – Divulgação / Capcom

Lançada originalmente em 2001, a franquia Onimusha ficou marcada por combinar ação samurai com elementos sobrenaturais, colocando o jogador no controle de guerreiros que obtêm poderes especiais a partir de criaturas conhecidas como Oni, enfrentando monstros chamados Genma. Ao longo de sua trajetória, a série já ultrapassou a marca de 9,1 milhões de cópias vendidas, um número que evidencia sua relevância durante boa parte dos anos 2000.

O primeiro título, Onimusha: Warlords, chegou ao PS2 em janeiro de 2001 e se tornou o primeiro jogo do console a ultrapassar 1 milhão de unidades vendidas. Na trama, o samurai Samanosuke Akechi parte em uma missão para resgatar a princesa Yuki das mãos de um exército de demônios Genma, contando com a ajuda da ninja Kaede. No caminho, ele descobre que o vilão Nobunaga Oda havia feito um pacto com os Genma para ressuscitar e conquistar o Japão à frente de um exército demoníaco. Em 2002, o jogo ainda recebeu uma versão aprimorada para Xbox, batizada de Genma Onimusha.

A sequência, Onimusha 2: Samurai’s Destiny, chegou em 2002 e trocou de protagonista pela primeira vez na série, colocando o jogador no controle de Jubei Yagyu, único sobrevivente de seu clã, em uma jornada de vingança contra Nobunaga — que, nesse capítulo, assume o posto de novo Senhor Genma.

Onimusha 3: Demon Siege, de 2004, trouxe Samanosuke de volta como protagonista principal, ao lado do soldado francês Jacques Blanc, personagem modelado com base no ator Jean Reno. A trama desse título é considerada uma das mais ousadas da franquia, misturando o Japão feudal de 1582 com a Paris moderna de 2004 por meio de um experimento genma capaz de abrir portais temporais.

O ciclo clássico da série se encerrou com Onimusha: Dawn of Dreams, lançado em 2006, que deixou de lado os protagonistas anteriores para apresentar o herói Soki em uma trama contra um general que serviu Nobunaga nos jogos anteriores — e que, dessa vez, consegue unificar o Japão com um exército de Genma, algo que nem mesmo seu antigo mestre havia alcançado.

Spin-offs e o longo hiato da franquia

Além dos títulos numerados, Onimusha também rendeu spin-offs ao longo dos anos 2000. Onimusha: Blade Warriors (2003) trouxe um jogo de luta 2D reunindo personagens dos dois primeiros títulos em combates no estilo Smash Bros., enquanto Onimusha Tactics, lançado no mesmo ano para Game Boy Advance, marcou a primeira vez da franquia em um console da Nintendo, adotando o formato de RPG tático em grade.

Depois de Dawn of Dreams, a série praticamente desapareceu dos consoles. Em 2012, a Capcom lançou Onimusha Soul, um jogo estratégico de navegador que posteriormente ganhou versão mobile e chegou até à PlayStation Network do PS3, antes de ser descontinuado em 2015. De resto, foram quase 20 anos sem nenhum jogo mainline inédito, período em que a franquia acabou ficando esquecida pelo grande público.

O caminho de volta começou em 2018

Onimusha: Warlords – Divulgação / Capcom

O primeiro sinal de retomada veio em 2018, quando a Capcom lançou uma remasterização em alta definição de Onimusha: Warlords para Nintendo Switch, PS4, Xbox One e PC. Em 2023, a franquia ganhou ainda mais fôlego com um anime disponibilizado pela Netflix — o primeiro conteúdo inédito relacionado à série em 11 anos —, apresentando o personagem Musashi como protagonista. Já em maio de 2025, chegou a remasterização de Onimusha 2: Samurai’s Destiny, também para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC, com retrocompatibilidade garantida em PS5 e Xbox Series.

O movimento definitivo, porém, aconteceu no fim de 2024, quando a Capcom anunciou oficialmente Onimusha: Way of the Sword durante o The Game Awards, confirmando se tratar do primeiro título inédito da linha principal em mais de 20 anos. No mesmo evento, a empresa também revelou estar trabalhando em uma sequência de Okami, outra franquia clássica que vinha sendo deixada de lado — deixando claro que a Capcom decidiu investir na retomada de suas séries adormecidas.

A trama de Way of the Sword

O novo jogo se passa em Quioto, no início do período Edo, em uma versão sombria e corrompida do Japão feudal, dominada por uma força conhecida como Malice.

O protagonista é Musashi, o mesmo personagem apresentado no anime da Netflix, inspirado em um lendário espadachim que de fato existiu na história japonesa — assim como boa parte dos personagens e eventos retratados pela franquia, com exceção, claro, dos elementos sobrenaturais. Na trama, Musashi carrega a Manopla Oni, um artefato que abriga uma entidade misteriosa central para a história.

Lançamento antecipado em três semanas

A data de lançamento de Way of the Sword passou por uma mudança recente. Inicialmente marcado para 25 de setembro de 2026, o jogo teve sua estreia antecipada pela Capcom para 4 de setembro, três semanas antes do previsto originalmente. A decisão parece estratégica: o fim de setembro está lotado de lançamentos concorrentes, como Marvel’s Wolverine, Control Resonant e Silent Hill: Townfall, além do risco de esbarrar posteriormente com o lançamento de peso de GTA 6, que boa parte da indústria vem tentando evitar enfrentar de frente.

O jogo chega simultaneamente para PS5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PC, disponível nas lojas Steam, Epic Games Store e Microsoft Store. Uma demonstração jogável já está disponível em todas as plataformas desde junho de 2026, com um bônus especial: quem concluir a demo e importar o save para a versão completa desbloqueia um amuleto exclusivo.

Combate mais lento, pesado e estratégico

No aspecto técnico, Way of the Sword foi construído sobre a RE Engine, a mesma tecnologia usada nos jogos recentes de Resident Evil e Monster Hunter da Capcom. Dessa vez, porém, a equipe precisou adaptar uma ferramenta originalmente pensada para jogos de tiro e terror para um jogo de ação corpo a corpo em terceira pessoa, com uma dinâmica bem diferente.

O combate traz de volta o sistema Issen, já conhecido dos veteranos da franquia, focado em contra-ataques que recompensam quem consegue aparar o golpe do inimigo no momento exato. A experiência de combate é descrita como mais lenta e pesada do que costuma ser padrão no gênero atualmente, exigindo que o jogador observe atentamente os movimentos do inimigo em vez de simplesmente atacar repetidamente. Não se trata, portanto, de um hack and slash tradicional, mas também não chega a adotar a fórmula soulslike — o jogo busca uma identidade própria dentro desse equilíbrio.

Outros elementos clássicos também retornam, como a mecânica de absorver almas dos Genma derrotados para evoluir equipamentos, além das Armas dos Oni, itens poderosos que só podem ser utilizados após o preenchimento de uma barra específica. Vale destacar ainda que o jogo é totalmente single-player, sem qualquer elemento multiplayer ou mecânica de jogo como serviço.

Recepção positiva em eventos e na demo

As primeiras impressões de quem experimentou o jogo em eventos como a Gamescom 2025, além de quem já testou a demo pública, têm sido bastante favoráveis. Parte da imprensa especializada descreveu a experiência como visceral e atmosférica, destacando os cenários detalhados construídos com a RE Engine, com efeitos de luz atravessando a vegetação e ambientes carregados de tensão.

A recepção da comunidade também apontou para um sistema de combate satisfatório, que equilibra tradição da série com um ritmo mais contemporâneo — ainda que parte do público mais nostálgico tenha notado um ritmo mais lento do que costuma ser comum em jogos de ação atuais.

Requisitos técnicos no PC

Quem já testou a demo no computador precisa estar atento a alguns requisitos: o jogo exige Windows 11, roda em DirectX 12, e demanda no mínimo 16 GB de RAM, além de pelo menos 50 GB de espaço livre em SSD em todas as configurações testadas até o momento.

Uma responsabilidade importante para a Capcom

Com o retorno de Onimusha, a Capcom soma mais uma aposta ao seu momento positivo recente, que já inclui sucessos como os remakes de Resident Evil e o lançamento de Monster Hunter Wilds. Agora, resta acompanhar se Way of the Sword vai conseguir consolidar de vez o retorno da franquia — e, dessa vez, para ficar.

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