O shooter tático gratuito teve os servidores desligados em definitivo nesta segunda-feira. A produtora avisou que não haverá reembolso das compras feitas dentro do jogo.
Mais um game multiplayer chega ao fim da linha. Nesta segunda-feira (3), o shooter tático gratuito World War 3 teve os servidores desligados em definitivo. Como o título dependia exclusivamente de conexão on-line, ele se tornou completamente injogável a partir de agora. O anúncio havia sido feito em 3 de junho, exatamente dois meses antes, pelas equipes da New Generation Games e da Wishlist Games.
O comunicado publicado na página do jogo no Steam tinha tom de despedida. Os desenvolvedores explicaram que a decisão de encerrar o suporte e desativar os servidores foi difícil e tomada após muita reflexão. Eles também agradeceram a quem jogou, enviou sugestões, reportou problemas, produziu conteúdo e manteve a comunidade viva ao longo dos anos. Nas respostas ao post, o clima ficou dividido. Houve lamentações pelo potencial desperdiçado e também comentários mais ácidos, apontando que o jogo já estava esvaziado havia tempos.
Sem reembolso para quem gastou dinheiro

Um ponto merece atenção de quem investiu no game. Ainda nos comentários do anúncio, a produtora confirmou que não haveria devolução de valores gastos em compras internas. A justificativa apresentada foi que o dinheiro arrecadado bancou a infraestrutura do projeto, incluindo servidores, atualizações, suporte técnico e despesas operacionais. Portanto, quem comprou itens ao longo dos anos não receberá nada de volta.
A trajetória de um shooter que nunca decolou
A história começou em 2018, quando o jogo apareceu em acesso antecipado. A proposta prometia combates em cenários como Varsóvia, Berlim e Moscou. A versão completa só chegou em 2022, e foi ali que o título viveu seu auge. O pico ficou próximo de 11,8 mil jogadores simultâneos no Steam, em setembro daquele ano. O problema veio depois. Nos dois anos seguintes, a base encolheu drasticamente e raramente ultrapassava 300 pessoas conectadas ao mesmo tempo. Nas horas finais, o número já beirava as dezenas.
Para efeito de comparação, basta olhar o outro lado da moeda. Títulos gratuitos bem-sucedidos do gênero costumam abrir com números astronômicos, como mostramos quando Marvel Rivals estreou com 444 mil jogadores simultâneos. A distância entre os dois cenários explica boa parte do desfecho.
O debate sobre preservação segue em alta
O caso reforça uma discussão que não sai de pauta. Movimentos como o Stop Killing Games pressionam por regras que impeçam o desaparecimento completo de jogos on-line. A preocupação cresce quando não existe modo offline nem qualquer forma de preservação. Afinal, oito anos de trabalho de uma equipe somem da noite para o dia, junto com as memórias de quem jogou. O caminho percorrido pelo título também é comum no mercado, começando em acesso antecipado. O formato é adotado por muitos estúdios, como registramos quando o FPS GTFO chegou em acesso antecipado ao Steam.
No fim das contas, fica o retrato de uma indústria dura. O jogo não era ruim, apenas nunca encontrou seu público em um gênero dominado por gigantes. Para os desenvolvedores, é o encerramento melancólico de um ciclo longo. Para os jogadores, mais um lembrete de que, no modelo on-line, nada é realmente permanente.






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