CEO da Xbox critica estratégia de aquisição em massa de Phil Spencer

Vinicius Miranda

Asha Sharma falou sobre a estratégia de aquisições dos últimos anos em meio à maior reestruturação da história da marca. A declaração dá pistas sobre os rumos da Xbox depois da nova onda de demissões.

Em meio à maior reestruturação já vista na Xbox, a CEO Asha Sharma deu uma entrevista que ajuda a entender a virada de estratégia da marca. Falando à revista Fortune, a executiva reconheceu que, na corrida por crescimento, a empresa perdeu o foco no próprio negócio principal. A fala chega logo após o anúncio de milhares de demissões e do desmembramento de estúdios, e é lida por parte da imprensa como uma crítica ao modelo de aquisições em massa adotado nos últimos anos.

A frase que reacende o debate

Ao comentar o que deu errado, Sharma foi direta sobre a dispersão de recursos da companhia.

Para crescer, fizemos uma série de apostas, e, ao fazer isso, acabamos não focando no negócio principal. O principal indicador da sua estratégia é onde você coloca seus recursos, e nós simplesmente nos espalhamos demais.

A declaração acima foi reproduzida em tradução livre. Vale um cuidado importante: Sharma não citou o antecessor Phil Spencer pelo nome nem atribuiu a ele a culpa de forma individual. Como a fase de compras aconteceu sob o comando dele, parte da imprensa especializada interpretou a fala como um recado à gestão anterior, mas essa é uma leitura dos veículos, e não uma acusação direta feita pela executiva.

Uma virada de estratégia

Gears of War: E-Day – Divulgação / The Coalition

Desde que assumiu o cargo, no início de 2026, Sharma vem tomando decisões que apontam para uma mudança de rota. Ela reduziu preços do Game Pass, cortou o recurso de inteligência artificial Copilot nos consoles, abandonou campanhas de marketing antigas e voltou a apostar em exclusivos, como Gears of War: E-Day. Segundo a Fortune, os cortes atingem cerca de 3.200 pessoas na divisão, algo em torno de 20% do quadro, além do desmembramento de quatro estúdios. A prioridade declarada é fortalecer o console, descrito como o coração do negócio.

Os dois lados da conta

Do ponto de vista da empresa, há uma lógica financeira. Sharma argumenta que a Xbox opera com margens muito abaixo de negócios comparáveis e que precisa de uma base saudável para enfrentar a alta nos custos de componentes. Reduzir a dispersão e concentrar esforços nas franquias mais fortes é, nessa visão, uma questão de sobrevivência.

Por outro lado, é impossível ignorar o custo humano. São os desenvolvedores que pagam a conta de decisões estratégicas que foram aprovadas lá no topo, e muitos deles apenas cumpriram o que lhes foi pedido, como reforçar o catálogo do Game Pass. Vale lembrar que o serviço teria ficado bem abaixo das projeções de assinantes, o que reforça a sensação de injustiça entre quem foi demitido. Encontrar equilíbrio entre a saúde do negócio e o respeito às equipes será um dos maiores desafios da nova gestão.

O futuro das aquisições e a saída de Spencer

A leitura da fala de Sharma indica o que esperar daqui para frente. A tendência é de poucas ou nenhuma nova aquisição de estúdios, com foco maior nas maiores propriedades da casa. Relatos apontam que estúdios ligados à ZeniMax, por exemplo, devem concentrar energia em franquias consagradas como Fallout e The Elder Scrolls, enquanto projetos menores tendem a ser reduzidos.

A reestruturação também joga luz sobre a saída repentina de Phil Spencer, que comandou a estratégia multiplataforma da marca por anos. Já havia especulação de que ele talvez não tenha deixado o cargo por vontade própria, algo que não foi confirmado oficialmente e deve ser tratado como rumor. Por ora, resta acompanhar como a Xbox vai se reorganizar depois de uma das fases mais turbulentas de sua história.

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