Xbox anuncia o maior corte de sua história: 3.200 demissões e 4 estúdios vendidos

Vinicius Miranda

A Microsoft confirmou nesta segunda-feira (6) o início de uma reestruturação histórica na divisão Xbox. Ao todo, a companhia prevê reduzir seu quadro em até 3.200 pessoas — cerca de 20% do total de funcionários — ao longo do próximo ano fiscal. A primeira leva, de 1.600 demissões, já começou a ser aplicada nesta segunda.

Um “reset” anunciado há semanas

Xbox – Divulgação / Microsoft

Os rumores sobre cortes profundos na Xbox circulavam havia algum tempo, mas só agora ganharam confirmação oficial. Em carta interna aos funcionários, a CEO Asha Sharma afirmou que o negócio “não está saudável” hoje, com margens de três a dez vezes menores que as de empresas comparáveis, e resumiu a decisão em uma frase direta: era preciso “resetar” a Xbox.

Segundo a Variety, Sharma classificou a mudança como a “reestruturação mais significativa” da história da divisão. A executiva assumiu o comando da Xbox em fevereiro, substituindo Phil Spencer, que ocupava o cargo havia anos.

Por que a Microsoft está cortando agora

De acordo com a Variety, um memorando anterior de Sharma e do chefe de conteúdo da Xbox, Matt Booty, já sinalizava o problema: mais de US$ 20 bilhões haviam sido investidos em conteúdo, plataforma e subsídios de hardware ao longo de cinco anos, enquanto a receita anual encolhia perto de meio bilhão de dólares. Os custos de armazenamento, segundo o mesmo documento, mais que dobraram desde a chegada de Sharma ao cargo.

O momento também reflete o desempenho recente da própria Microsoft. A ação da empresa acumula queda de aproximadamente 19% em 2026, o pior resultado entre as gigantes de tecnologia de grande capitalização. Analistas de mercado têm questionado o peso da divisão de games dentro do portfólio da companhia.

Como os cortes serão distribuídos

Os 3.200 desligamentos fazem parte de um processo mais amplo: no total, a Microsoft eliminou 4.800 vagas em toda a empresa nesta segunda-feira, a maior parte fora da Xbox, concentrada sobretudo em áreas comerciais e de vendas. Das 1.600 saídas imediatas na divisão de games, parte está diretamente ligada à venda dos estúdios anunciada no mesmo pacote.

A executiva de pessoas da Microsoft, Amy Coleman, tentou suavizar o impacto da notícia junto aos times. Em nota interna, ela reforçou que a prioridade da empresa é realocar talentos sempre que possível — segundo ela, mais de 4 mil funcionários foram remanejados para novas funções no último ano, incluindo 500 somente neste mês. Coleman também destacou que as vagas eliminadas não estão sendo substituídas por inteligência artificial, embora reconheça que a IA está mudando a forma como o trabalho é executado.

Além das demissões, a Xbox também está enxugando sua estrutura hierárquica: a companhia afirma que algumas áreas do negócio chegam a ter até 14 camadas de gestão, número que deve cair para no máximo cinco — e, quando possível, três.

Quatro estúdios deixam a Microsoft

Estúdios Xbox – Divulgação / Microsoft

O outro pilar do anúncio é a saída de estúdios do guarda-chuva da Xbox. Quatro deles — Compulsion Games, Double Fine Productions, Ninja Theory e Undead Labs — serão vendidos ou se tornarão independentes novamente.

Compulsion Games e Double Fine, incorporadas pela Microsoft ainda na década de 2010, retomam a gestão própria e levam consigo suas propriedades intelectuais, catálogos e projetos em andamento. Já Ninja Theory (responsável por Hellblade/Senua) e Undead Labs (criadora de State of Decay) devem migrar para uma nova estrutura de propriedade, com financiamento garantido para concluir e expandir seus projetos atuais.

Um quinto estúdio, o francês Arkane — incorporado à Microsoft através da aquisição da ZeniMax Media, negócio de US$ 8,1 bilhões fechado em 2021 —, ainda não teve destino definido. Segundo Sharma, a gestão do estúdio já iniciou as consultas obrigatórias com o conselho de trabalhadores na França para avaliar as opções estratégicas possíveis.

O que muda no comando

Como parte da reorganização, Helen Chiang foi promovida a diretora de operações (COO) da Xbox, passando a responder integralmente pelo resultado financeiro de conteúdo, hardware, plataforma e serviços. Já o até então diretor de operações, Dave McCarthy, deixa a companhia.

Segundo apurou a Variety, a liderança de estúdios como Mojang (Minecraft) e King (Candy Crush) passará a se reportar diretamente a Sharma — um sinal de que essas franquias devem concentrar boa parte dos investimentos futuros da divisão, ao lado de séries como The Elder Scrolls.

O cenário mais amplo

O corte na Xbox não é um caso isolado. Ele se soma a uma onda de demissões que já atinge cerca de 154 mil profissionais de tecnologia somente no primeiro semestre de 2026, com empresas como Meta, Oracle, Amazon e Cognizant também reduzindo equipes. A Microsoft, por sua vez, já havia promovido rodadas anteriores de cortes no ano passado, incluindo uma que eliminou 9 mil posições.

Apesar do tamanho do ajuste, Sharma buscou encerrar sua comunicação em tom de continuidade: segundo ela, nenhum jogo ou projeto de estúdios próprios já anunciado será cancelado por causa da reestruturação, e a expectativa é que a Xbox volte a crescer em 2027.

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