Pela primeira vez, jogos do console original de 2001 rodam oficialmente no computador e nos portáteis. O recurso estreia em acesso antecipado com melhorias gráficas e requisitos modestos.
A Microsoft deu um passo histórico na preservação de seu acervo. A empresa anunciou a chegada da retrocompatibilidade do Xbox ao PC, recurso que estreou nesta terça-feira, 22 de julho, em fase de lançamento antecipado, permitindo jogar clássicos do primeiro console da marca no computador e em portáteis pela primeira vez.
O pacote inicial é enxuto, mas simbólico. Quatro jogos do Xbox original, lançado em 2001, abrem o programa: BLiNX: The Time Sweeper, Conker: Live and Reloaded, Crimson Skies: High Road to Revenge e Fuzion Frenzy, este último famoso por ser apontado pela imprensa americana como o jogo favorito de Bill Gates.
Como funciona o acesso aos jogos

A boa notícia está na flexibilidade. Cada um dos quatro títulos já pode ser comprado no aplicativo do Xbox para PC e também está incluído em todos os planos do Xbox Game Pass, sem restrição de nível de assinatura.
Melhor ainda para quem é fiel à marca: quem já possui a licença digital desses jogos no console não precisa comprar nada de novo, pois ela passa a valer automaticamente no PC e nos portáteis. Com o suporte ao Xbox Play Anywhere e ao Xbox Cloud Gaming, os clássicos ficam acessíveis no console, na nuvem, no computador e nos aparelhos de mão, incluindo a linha ROG Xbox Ally.
Melhorias sem descaracterizar os originais
A versão de PC não é um simples porte cru. Segundo o comunicado assinado por Jason Ronald, vice-presidente de nova geração do Xbox, os jogos ganharam opções de personalização gráfica que incluem aumento de resolução em até quatro vezes, suporte a VSync, modos de tela cheia e janela, filtragem anisotrópica e antisserrilhado aprimorado, tudo preservando a jogabilidade original.
Há ainda configurações personalizáveis de idioma e áudio. No comunicado, Ronald definiu a biblioteca de cada jogador como um histórico pessoal de memórias e histórias marcantes, argumentando que os fãs não querem abandonar seu legado conforme a tecnologia avança. Ele classificou a novidade como o início de um esforço mais amplo para preservar os jogos do passado do Xbox e levá-los ao PC com o tempo, prometendo inclusive conquistas para títulos selecionados do console original ainda neste ano.
Os requisitos para rodar os clássicos

Como era de se esperar de jogos com mais de duas décadas, não é preciso uma máquina parruda. Na configuração mínima, bastam uma placa de vídeo simples, como a GeForce GTX 950, a Radeon RX 550, os gráficos integrados Intel UHD 770 ou uma Intel Arc A310, um processador de quatro núcleos na linha do Core i3-8100 ou do Ryzen 3 1200, 8 GB de memória RAM e o Windows 11 com drivers atualizados.
A configuração recomendada também é acessível, pedindo uma GeForce GTX 1070 Ti, Radeon RX 6800S ou Arc A770 com 8 GB de memória de vídeo, processador de seis núcleos como o Core i5-10400 ou o Ryzen 5 3600, e suporte a DirectX 12. A lista cita até os chips Ryzen Z2 dos portáteis, confirmando que os aparelhos de mão dão conta do recado. O detalhe que merece atenção é a exigência do Windows 11, o que deixa de fora quem permanece no Windows 10.
Um esforço apenas digital, por enquanto
Nem tudo são flores para os colecionadores. Como observou a imprensa especializada, a iniciativa vale apenas para licenças digitais, ou seja, quem guarda somente os discos físicos originais não terá o acervo reconhecido no PC por essa via.
O movimento também alimenta especulações sobre o futuro. Segundo rumores repercutidos pela imprensa internacional, o próximo console da Microsoft teria uma arquitetura mais próxima de um PC, o que tornaria a compatibilidade com o acervo antigo ainda mais estratégica. Nada disso, vale frisar, foi confirmado oficialmente.
No curto prazo, quatro clássicos voltam à ativa em qualquer computador modesto, de graça para assinantes de qualquer plano do Game Pass, reforçando o papel do serviço como vitrine de preservação de jogos antigos.
No longo prazo, a sinalização é ainda mais importante. A Microsoft construiu boa reputação nesse campo desde que levou a retrocompatibilidade de todas as gerações ao Series X, e estender esse compromisso ao PC sugere que o acervo histórico da marca seguirá vivo, independentemente do rumo do hardware. Resta torcer para que a lista de clássicos cresça rápido.





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