1666: Amsterdam, jogo de mistério ambientado em duas versões diferentes da capital holandesa, chamou a atenção quando foi revelado durante o Summer Game Fest, prometendo uma recriação fiel da cidade e uma jogabilidade que alterna entre a prática de artes obscuras e a tentativa de se camuflar entre a população. Duas semanas após sua chegada em acesso antecipado, no entanto, o título vem enfrentando um cenário bem mais desafiador do que o esperado.
Números de jogadores em queda
Atualmente, 1666: Amsterdam registra pouco mais de 75 jogadores simultâneos na Steam, com um pico de 252 nas últimas 24 horas. O recorde histórico do jogo, alcançado em seu lançamento no acesso antecipado, em 25 de agosto, foi de 2.081 jogadores simultâneos — número que já não era especialmente alto para um lançamento e que vem caindo de forma constante desde então.
É verdade que a contagem de jogadores simultâneos não costuma ser o principal termômetro de sucesso para jogos single-player, especialmente em produções de menor escala como esta. Ainda assim, a trajetória de queda chama atenção, principalmente por ter começado em um patamar já modesto logo no dia de estreia.
Avaliações mistas apontam problemas de jogabilidade

As análises da comunidade na Steam também refletem esse cenário conturbado, com uma quantidade significativa de avaliações negativas.
Entre as reclamações mais recorrentes está a sensação de frustração proporcionada pelo sistema de combate, descrito por parte dos jogadores como instável e pouco responsivo, especialmente no que diz respeito ao uso de magias durante os confrontos. Outros usuários relatam ter enfrentado diversas inconsistências já nas primeiras horas de jogo, o que teria comprometido a experiência inicial de forma significativa.
A polêmica em torno do uso de inteligência artificial
Além dos problemas técnicos, parte considerável das críticas negativas está relacionada ao uso reconhecido de inteligência artificial generativa durante o desenvolvimento do jogo. A controvérsia começou quando materiais promocionais foram identificados como possivelmente gerados por IA, e ganhou ainda mais força quando elementos de arte criados dessa forma foram encontrados diretamente na demonstração jogável do título.
Antes do lançamento em acesso antecipado, o diretor do jogo, Patrice Désilets — conhecido por ser um dos criadores da franquia Assassin’s Creed —, chegou a afirmar que todo o material problemático já havia sido removido do jogo. No entanto, ao ser questionado se isso significava a ausência total de conteúdo gerado por IA na versão de acesso antecipado, a resposta dada na ocasião não trouxe uma confirmação clara. Posteriormente, em entrevista a outro veículo, o próprio diretor admitiu que ferramentas de IA generativa foram, de fato, utilizadas ao longo de todo o desenvolvimento do jogo, defendendo publicamente essa escolha.
Um obstáculo difícil de contornar
Diante da repercussão negativa, é provável que o estúdio continue trabalhando para remover eventuais rastros de conteúdo gerado por inteligência artificial do jogo. Contudo, o próprio Désilets já reconheceu que identificar todos esses elementos não é uma tarefa simples, justamente por conta da familiaridade da equipe com esse tipo de ferramenta ao longo do processo criativo.
Esse tipo de situação tende a pesar negativamente na recepção do público, especialmente em um momento em que boa parte dos jogadores demonstra rejeição ao uso de IA generativa em produções de entretenimento — sobretudo quando essa informação vem à tona antes de o jogo conquistar uma base sólida de fãs. Embora existam casos de estúdios que conseguiram driblar esse tipo de crítica sem grandes prejuízos, a realidade é que, em um período de lançamentos concorridos, qualquer motivo adicional para afastar jogadores pode ter um impacto considerável.
O que esperar do futuro de 1666: Amsterdam
O desenvolvimento de 1666: Amsterdam segue em andamento, e resta saber se futuras atualizações serão capazes de reverter esse cenário, atraindo novos jogadores e melhorando a percepção geral do título dentro da comunidade.





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