A Múmia: onde o reboot precisa acertar para ter sucesso

Andre Luiz

A confirmação do quarto filme de A Múmia é uma das notícias mais animadoras do cinema de aventura recente. O clássico de 1999, dirigido por Stephen Sommers, segue como a versão definitiva do monstro clássico.

Ele mistura o terror dos filmes originais da Universal com a diversão despretensiosa de Indiana Jones. As duas continuações não repetiram o sucesso do primeiro longa, mas as expectativas para esse novo capítulo seguem altas.

Elenco original já garante bom começo

A nova Múmia já parte de um bom ponto de partida. A direção fica com a dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, responsáveis por Foi Apenas um Pedido e Abigail.

Além disso, Brendan Fraser, Rachel Weisz, John Hannah, Kevin J. O’Connor e Oded Fehr retornam aos seus papéis da trilogia original, o que caracteriza uma sequência de verdade, não um reboot completo. Ainda assim, muita coisa pode dar errado, e o sucesso do filme depende de três fatores.

1 – Precisa recuperar o susto perdido

O filme de 1999 é uma grande aventura, com trilha épica, ação divertida e personagens carismáticos. Ainda assim, tratava-se de uma releitura de um monstro clássico da Universal, e isso exigia doses reais de medo. Imhotep é um vilão genuinamente aterrorizante, com poderes que o tornam quase invencível.

A presença constante de escaravelhos e momentos de horror corporal ainda arrepiam, mesmo sem chegar a dar pesadelos. Esse elemento de terror é essencial à franquia e precisa voltar ao quarto filme. Não é o caso de virar puro horror, mas alguma dose de sustos genuínos é obrigatória para honrar as raízes dos monstros clássicos.

2 – Deve ignorar as continuações anteriores

Trata-se de uma sequência legado. Seria surpreendente se o número “4” sobrevivesse até o título final, já que estúdios evitam numerações que afastem espectadores desatualizados com a franquia. Tecnicamente, o filme poderia dar continuidade direta a O Retorno da Múmia e A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão. Melhor que não o faça.

As continuações têm seus fãs, mas nunca alcançaram o sucesso ou a popularidade do filme original, e o tempo só reforça essa diferença: quase ninguém fala delas hoje em dia. Se o novo filme depender demais de material das sequências, corre o risco de afastar parte do público e confundir o restante.

Brendan Fraser, Rachel Weisz e Arnold Vosloo em “A Múmia” – Divulgação/Universal Pictures

O ideal é seguir o caminho de reboots bem-sucedidos como Halloween (2018), Jurassic Park e Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, ignorando praticamente tudo que veio depois do clássico original.

3 – Precisa devolver a diversão e a aventura

O filme de 1999 funcionou porque, além de ser sobre uma múmia, era um épico de aventura de época. Esse tipo de produção raramente dá certo, com pouquíssimos títulos alcançando o sucesso de franquias como Indiana Jones, mas o longa original conseguiu.

O Rick O’Connell de Fraser é extremamente divertido, assim como o elenco de apoio. O tom leve somado à ação constante é o que torna o primeiro filme tão especial. É esse espírito que o novo capítulo precisa recapturar. A missão ganha peso numa época dominada por blockbusters de ficção científica e super-heróis, onde aventuras históricas praticamente desapareceram das telonas.

Vale lembrar o carinho que o próprio elenco nutre pela franquia: durante uma exibição especial em Londres que pegou os fãs de surpresa, Fraser chegou a interromper a sessão para agradecer ao público, dizendo:

Estou orgulhoso de estar diante de vocês esta noite. Este é um filme que foi feito na Grã-Bretanha. Vocês deveriam saber disso!

Esse tipo de conexão emocional com o público é justamente o combustível que a nova Múmia precisa reacender. Vale lembrar também que a franquia já esteve no centro de outra tentativa de reboot ambiciosa. A Universal chegou a tentar criar seu próprio universo compartilhado de monstros, o Dark Universe, iniciativa que contemplaria nomes como Frankenstein e o Homem Invisível antes de ser abandonada.

Com estreia prevista para 2027, resta torcer para que dessa vez a fórmula funcione com A Múmia 4.

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