Batman é hoje o personagem mais importante da DC Comics. Outros nomes até disputam esse posto historicamente: Superman foi o primeiro super-herói, Mulher-Maravilha abriu caminho para todas as heroínas modernas, o Flash segue como arauto das mudanças no multiverso.
Ainda assim, é o Cavaleiro das Trevas quem vende mais revistas atualmente. Boa parte da mitologia ao seu redor extrapolou os quadrinhos para se tornar cultura pop por si só. Alfred Pennyworth é o exemplo perfeito desse fenômeno.
Um vazio que se arrasta desde 2017
Mordomos sempre fizeram parte das histórias de aventura, funcionando quase como companheiros dos heróis. Alfred, porém, foi além: cuidou de Bruce Wayne tanto na vida disfarçada de milionário quanto nas noites como o Morcego, ocupando o espaço deixado pelos pais assassinados do garoto. Tornou-se uma das figuras mais amadas da mitologia do Batman.
Ele aparece em praticamente toda produção relacionada ao herói e ajudou a moldar o próprio arquétipo do mordomo na ficção. Tudo mudou em 2017, quando ele morreu no arco Cidade de Bane. Sete anos depois, a editora finalmente apresentou uma substituta, Verity Pennyworth, mas, sejamos sinceros, ninguém substitui o original.
Mais que um serviçal, um pilar da vida de Bruce
É fácil lembrar de Alfred como a figura paterna, o responsável pela casa, o conselheiro de sabedoria certeira. Existe também, porém, o Alfred combatente: ex-ator, ex-membro das forças especiais britânicas SAS, paramédico de campo talentoso e o homem por trás das telas que orientava Batman em campo havia décadas.

Ele repetia nunca ter desejado aquela vida perigosa para Bruce. Suas ações ao longo dos anos, porém, mostram que entendia perfeitamente o quanto aquilo importava para o garoto que criou.
Verity tem currículo, mas falta a história
Alfred manteve seu protegido vivo nas piores situações, sempre o empurrando a pensar diferente e seguir em frente. Sua morte mudou para sempre o modus operandi de Batman. Nem a chegada de Verity preenche esse espaço, ainda que ela prometa ser competente no cargo. Assim como o tio-avô, ela carrega um ar de competência natural.
Esse traço foi moldado pela correspondência trocada com Alfred e pela ligação com a Sociedade da Chave da Meia-Noite. Falta a ela, porém, décadas de história compartilhada. O roteirista Matt Fraction tem explorado bem essa lacuna em sua atual fase de Batman. Ele faz Bruce conversar com uma aparição do próprio Alfred sempre que precisa de um conselho, recurso que reforça o quanto o mordomo se tornou parte da própria identidade do herói, não apenas um coadjuvante.
Um legado impossível de replicar
O papel de Alfred na formação de Bruce Wayne e do Batman dificilmente pode ser resumido em poucas palavras. Sem ele, simplesmente não existiria o Cavaleiro das Trevas como o conhecemos: foi ele quem costurou cada ferimento, fosse um tiro ou um abalo de fé causado por algum inimigo particularmente cruel. Foi ele também quem tentou dar ao garoto órfão algo parecido com uma infância normal.
Verity pode até executar as tarefas com a mesma competência. Ocupar de fato o lugar do antecessor, porém, é outra história completamente diferente, tema que já rendeu boas adaptações em outras mídias, como mostrou a recepção positiva da série Pennyworth sobre o passado do mordomo.
Enquanto isso, nos cinemas, o legado do personagem segue vivo com atores como Andy Serkis. Ele assumiu o papel na trilogia mais recente do herói, como o Ei Nerd cobriu quando a sinopse oficial de The Batman confirmou o elenco completo. Alfred continua insubstituível, dentro e fora dos quadrinhos.





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